5 de julho de 2010: O futuro do passado

Mulher diz que homem é virgem só olhando suas orelhas.
Descoberto fóssil de baleia gigantesca

time-travel.jpgPara os idosos como eu, 1985 é apenas uma época que nós vivemos. É o passado (distante?) hoje, mas na época era o presente e acenava o futuro. Um dos mais famosos filmes da época era, com certeza, De Volta para o Futuro, com o pouco conhecido Michael J. Fox. Em 3 de julho de 1985, De Volta para o Futuro foi lançado nos cinemas americanos e se tornou um dos ícones desta época, a Geração Anos ’80, juntamente com os filmes de John Hughes.

Há 25 anos, o jovem Marty McFly acidentalmente entra numa máquina do tempo (um DeLorean, já que se é pra fazer uma coisa, que seja com estilo) e acaba em 1955. Mas não é bem isso que eu gostaria de abordar e sim perto do final, já em 1985, onde o Dr. Emmet Brown, numa clara referência ao Dr. Wernher Von Braun (Céus, eu preciso mesmo colocar link para saberem quem é?), pega seu DeLorean e diz que vai para o futuro, que seria o ano de 2010. E hoje, 5 de julho de 2010, estou esperando o Dr. Brown (interpretado pelo ator Christopher Loyd) aparecer aqui na rua, mas algo me diz que não será bem assim…

Livros, filmes e outras produções que visem o futuro sempre acabam servindo de comparação. Entre o futuro imaginado e o nosso presente, frequentemente, há inúmeras diferenças. No supracitado filme, carros não andariam em estradas, pois eles não precisariam de estradas. Eles usavam (ugh!) anti-gravidade. Os tênis fechavam automaticamente e a roupa era de um único tamanho, só que auto-ajustável. O mais interessante é que um garoto (segundo a história do filme) de 15 anos saía com um homem bem mais velho e ninguém pensou em sacanagem nem pedofilia. O mundo não era tão neurótico na época. Isso deve fazer Michael J. Fox tremer de satisfação.

De qualquer forma, eu ainda espero pelo meu hover-board. 🙁

Em outras obras de Ficção Científica acontece o mesmo. Por exemplo, em Soylent Green (baseado no livro Make the Room! Make the Room!, de Harry Harrison), a humanidade passa maus bocados por causa da escassez de alimentos no ano de 2022 (falta só mais 12 anos). Carnes, frutas e legumes eram exclusividade de ricos, e uma Nova York com 40 milhões de pessoas estava caminhando para o caos. Então, os governos resolveram de uma maneira bem simples: distribuíam algo como biscoitos verdes, os Soylent Green, que anteriormente eram feitos de algas, mas que se provou ser algo mais bizarro: eram feitos de carne humana. Spoiler? Ora, bolas.É um filme de 1973. Quer spoiler pior? O pai de Luke Skywalker é o Darth Vader. Pronto, falei!

Em O Exterminador do Futuro (dispensa apresentações), o famigerado Skynet se torna autoconsciente em 29 de agosto de 1997. Bem, tirando meu computador, que às vezes fica de TPM (Totalmente Parado e Morto), eu não vi algo com a inteligência artificial da máquina que iria colocar os humanos de joelhos.; Se bem que isso não quer dizer nada, já que conheço humanos mais burros que um relógio digital sem bateria. Ainda assim, minha mãe não se chama Sarah e meu DVD player pode ficar olhando feio pra mim o quanto quiser.

Na coletânea de contos Eu, Robô (não percam tempo vendo aquele lixo de filme com o Will Smith, que não tem nada a ver com o livro do Asimov), em 1998, a humanidade estaria sendo servida por robôs, e Nova York seria servida por uma rede de tráfego de carros aéreos. Aliás, é interessante notar que Asimov batizara o nome da empresa de U.S. Robots and Mechanical Men. Em 1998, o máximo que eu consegui comprar da US Robotics foi uma placa fax/modem com incrível capacidade de trafegar dados a 56 kbps.

Em 2001, pelo menos no filme do Stanley Kubrick (péssimo diretor, na minha opinião), já estaríamos a caminho de Júpiter. Hoje, os EUA estão para aposentar os ônibus espaciais. Será que David Bowman irá viajar pela Virgin, usando um iPad? Dave, eu tenho medo…

No livro Do Androids Dream of Electric Sheep?, de Philip K Dick, que inspirou o filme Blade Runner, o Caçador de Andróides, de Ridley Scott, o mundo estava ferrado, por causa de uma chuva ácida constante. A Terra virou meio que um lixão e as pessoas que podiam, iam morar no espaço. O nome se refere ao fato de todos os bichos de estimação terem morrido e sido substituídos por andróides. Andróides, no caso, não são bem organismos robóticos com uma camada superficial, fazendo-o se passar por um organismo vivo. Na verdade, os andróides de Dick (em inglês, esta frase ficaria engraçadíssima) são organismos criados em laboratório, através de engenharia genética. Bem, o Venter já nos mostrou Synthia, daí até uma ovelha…

Star Wars. bem, este não conta, pois não é no futuro. Foi há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante.

A Máquina do Tempo, de H.G. Wells mostra um futuro mais hardcore, onde os seres humanos se dividem em Elois e Morlocks. Os Eloi são apenas o “gado” dos Morlocks, e estes os comem com prazer (no sentido antropofágico, mesmo). Como ele se passe no ano 802.701, eu não tenho como saber se vai acontecer mesmo. Me lembrem de mencionar isso nessa época, sim?

Na obra 1984 (Nineteen Eighty-Four), de George Orwell, haveria um governo totalitário, onde o povo não teria voz ativa, servindo apenas para trabalhar, sendo abalroada com propaganda governamental mostrando como tudo o que o Grande Irmão fazia era perfeito, e ai daquele que ousasse pensar diferente. O idioma foi substituído pela Novilíngua, onde o significado original das palavras foi trocado, fazendo com que o país caísse na total ignorância e sem saber falar direito. A Polícia do Pensamento ficava sempre em alerta contra aqueles que não se adequassem ao regime.

É, acho que esta foi uma das poucas obras que acertou o futuro…

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Sobre André Carvalho

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