Uso de véu islâmico em hospital causa polêmica na Bolívia

O mundo continua girando. Gira e volta e vem e vai. Todos respeitam as ideias dos demais, mas só quando essas ideias são iguais. É como se fosse um Voltaire às avessas: “Podes dizer tudo o que pensas, desde que concordes comigo”. As religiões não são diferentes, como sempre. Sempre querem liberdade religiosa e de comportamento; DESDE QUE, a religião e a prática seja a da religião do “defensor”. Um exemplo que ilustra bem isso é a inauguração de um hospital em La Paz, Bolívia, que é financiado pelo governo iraniano. Lá, as funcionárias foram vistas usando hijabs, o véu muçulmano.

Isso, por si só, já é meio esquisito, mas de certa forma compreensível. Mas abre-se as cortinas para o ato seguinte e entram as Ovelhinhas do Senhor Palpatine XVI, vociferando que isso é uma violação do direito das mulheres e rompe com o direito à liberdade de escolha.

Dormir… Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo: Pois quando livres do tumulto da existência, no repouso da morte o sonho que tenhamos devem fazer-nos hesitar: eis a sua SEXTA INSANA!

O hospital, que só começará a funcionar em janeiro do ano de 2010 em El Alto – subúrbio de La Paz, bem lá nos Andes, onde a llama perdeu as botas – foi inaugurado durante a visita do mais que tosco presidente do Irã, o maníaco Mahmoud Ahmadinejad, amicíssimo do Primeiro Molusco, que só não teve a (estúpida) ideia de declarar guerra a Israel por ainda restar um mínimo de sanidade e a falta total de culhões para isso, já que a pocilga de onde ele surgiu não conferiu coragem a babacas como ele. Sorte do mundo.

As fotos, publicadas nos jornais El Diário e La Razón, causaram polêmica na Bolívia. Nas gravações feitas pelo El Diário, às quais a BBC teve acesso, duas mulheres confirmam o uso de véus. Mas, enquanto uma diz que o uso da vestimenta é obrigatório, a outra diz que é facultativo. E aqui começa a confusão.

“Nos disseram que se quiséssemos ser contratadas no hospital deveríamos usar o véu e bem, não entendo o que isso significa, mas como preciso do trabalho, não temos outra opção”, disse uma enfermeira que não quis se identificar.

Já a funcionária administrativa responsável pelos funcionários do hospital, Pou Mount, disse que está usado o véu “como parte do uniforme, sob o conceito de que este é um pedacinho do Irã na Bolívia”.

A funcionária ainda disse que, na entrevista de seleção, foi perguntado se as mulheres “concordavam com as regras” e que “todas concordaram”. “Ninguém é obrigada a usar o véu”, finalizou.

É um caso não muito simples. Vou tomar como parâmetro a legislação trabalhista brasileira, que diz que o empregador pode exigir um uniforme do funcionário. Ok. A questão é: o véu é considerado parte do uniforme? Lembro que eu visitei um colégio certa vez, onde as professoras tinham, por norma, que ir trabalhar de terninho e saia, com coque e uma maquiagem discreta. Resumindo, quando você estava em sala de aula tinha a nítida impressão que uma aeromoça estava lecionando. Eu até esperei uma das professoras fazer aqueles gestos tipo:

– À sua esquerda vemos um exemplo de uma oração adversativa (movimentando as mãos pra frente) assim, vocês devem levar em conta as particularidades da construção frasal (gesto para a direita) de modo que possam ter uma boa pontuação no vestibular (mostrando um saco) e evitar enjôos durante a prova.

Observação: eu estava de calça jeans, camisa pólo e jaqueta. Os alunos me olharam como se eu fosse algum alienígena de Ipuaçu. Só faltou algum gordinho capiau vir me entrevistar.

O que eu quero ilustrar é o uso do véu não fere liberdade de ninguém, mesmo que o uso do hijab seja obrigatório, pelo simples motivo que ninguém obrigou ninguém a aceitar o emprego. Se você quis, docinho, então terá que aceitar as regras, pois na entrevista foi dito que era obrigatório. Se você aceitou a condição, problema seu. Se meu atual empregador achar que eu devo me vestir de índio e entrar em sala cantando música do Village People, eu dou um soco no sujeito e peço as contas (o soco é apenas por diversão, mesmo).

No entanto, o que acontece na terra de tio Evo? Uma ONG babaca, formada por chatólicas babacas acha que o hospital “rompe o princípio básico das liberdades e direitos consagrados nos documentos internacionais dos direitos humanos e ainda mais na Constituição Política do Estado Plurinacional da Bolívia”. Mas, cacete, ninguém meteu um revólver nos peitos (hummm) das enfermeiras (OLÁ ENFERMEIRAAAAAAAAA) e exigiu que elas usassem a droga do véu. Se fosse ordenado que as distintas escravas do Senhor usassem aquele monumento à tortura chamado crucifixo, as toscas reclamariam?

– Oh, Jesus amado, obrigada por me fazer sentir uma serva sexual, e me coloco à sua disposição pra fazer o que quiser comigo, com Nóssinhora observando, amém!

O ministro do Trabalho, Calixto Chipana, discorda de que a utilização do véu no hospital financiado pelo governo iraniano represente um desrespeito ao princípio laico. Segundo ele, foram enviados inspetores ao hospital, e que estes não recolheram queixas de uso forçado do véu. “Se houver qualquer reclamação, vamos agir”, garantiu Chipana, que acha que as denúncias da imprensa boliviana “mais parecem uma guerra contra a ajuda do Irã”.

Não que o barbadinho de Alá seja coisa linda e misericordiosa. Não é. É um racista escroto que pretende negar o holocausto e minimizar todas as mortes de judeus que ocorreram na Segunda Guerra. Apesar de não haverem apenas judeus nos campos de concentração, é fato que a matança existiu e muitos judeus foram executados barbaramente, e o baixinho pode tentar tampar o sol com a peneira do Islã, mas a história está aí.

Entretanto, isso não pode implicar numa reação dos chatólicos que possuem mãos ensanguentadas por causa de sua fé, o que acarretou no extermínio de muitos que seguiam religiões que não fossem o catolicismo. Assim, quem estas imbecis acham que são? Um bando de intolerantes, como o mais fanático muçulmano. Então, que a ONG solicite ao Papa Chico Bento XVI que financie um hospital maior, mais bem aparelhado e que pague salários bem melhores que o hospital construído com dinheiro do Irã. Aí, sim! Poderão colocar o cadáver de Jesus exposto em tudo que é local, até mesmo na porta do reservado no banheiro.

5 comentários em “Uso de véu islâmico em hospital causa polêmica na Bolívia

  1. Estou devorando este espaço de vocês!!! Tudo de bom!!! Ao assunto:- Tenho verdadeira aversão a essa beatice safardana de “mal transados”, “mal comidos”, “mal resolvidos”, e por aí vai… rsrs…, que se escondem atrás de uma “catolicice(trocadalho com catolicismo+burrice) inquisitória”. Também não tenho absolutamente nada a favor do Irã, pois abomino a loucura radical (e covarde) dos aiatolás. O que vejo nesse episódio, mais uma vez, é a intolerância, mera e velha, e humana, intolerância. Sua, delas e minha. Todos, de alguma forma, acabamos sendo idiossincráticos.

  2. Pela primeira vez sou obrigado a concordar com a icar (pelo menos em parte), lugar de véu islâmico é no hárem do aiatolá. E começa assim: primeiro um hospital patrocionado pelo islã depois vem uma mesquita e uma madraçal fábrica de fanáticos religiosos (seria isso um pleonasmo?), até a Bolivia se transformar num criadouro de escravos do crescente.

    1. @Ericsson,

      tenho que discordar.
      Estamos falando de um hospital, um lugar para salvar vidas.
      Como disse o André, se os católicos acham que o uso de véu é um absurdo, então que eles contruam o hospital deles ou que não vão a esse hospital quando estiverem doentes.
      As candidatas foram avisadas que teriam que usar o véu. Poderiam exigir até burca, se fosse antes de contratar. Aceitou quem quis ou quem precisa mais de dinheiro do que de convicção religiosa.

      Se fizermos um paralelo, no Hooters exige-se que as mulheres usem shorts e blusas apertadas. Aceita trabalhar quem quiser.

      Agora, se o governo da Bolívia estivesse fazendo o papel dele de contruir (e manter) hospitais públicos , esse “presente” iraniano não seria necessário.

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