Máquina molecular mostra como não existe complexidade irredutível

O doce aroma de cafezinho quente está vindo até mim. O dia está ligeiramente frio, uma chuvinha cai e, melhor de tudo, posso ouvir daqui mais um grito de agonia de pobres criaturinhas criaBURRIcionistas em face da verdade. A verdade não está simplesmente lá fora, mas em todo lugar, atendendo pelo nome de (morram em perversa agonia, buaahahahaha) EVOLUÇÃO! (mais um pouco de risada macabra)

Uma equipe internacional de cientistas – incluindo os bioquímicos da Universidade Monash, na Austrália – descobriu provas em nível molecular de apoio a um dos princípios fundamentais da Teoria da Evolução. Por favor, sentem-se a saboreiem comigo o café.

O professor da Universidade Monash, Trevor Lithgow (cujo nome parece mais como sendo de algum agente secreto a serviço de Sua Majestade) disse que a descoberta – financiada pelo Conselho Australiano de Pesquisas, que não teve um corte de 1 bilhão de reais (reais? What’s that?) e pode investir sua verba em pesquisas promissoras – fornece um modelo para uma compreensão geral sobre a evolução da “máquina” de nossas células. O artigo foi publicado no periódico PNAS, onde vocês poderão baixar o artigo completo em PDF.

Segundo o professor Bond, James Bond Lithgow, “nossas células, e as células de todos os organismos, são compostas por máquinas moleculares. Estas máquinas são constituídas por componentes, cada um dos quais contribuindo com uma função parcial ou elemento estrutural para a máquina. Como são sofisticadas, o motivo dessas máquinas multi-componentes pelo qual teriam evoluído tem sido algo misterioso, e extremamente controversa”.

À primeira vista, a afirmação acima pode soar uma “prova” do (risinho sarcástico) Design Inteligente, o mesmo “design” que deixou os testículos pendurados, servindo de alvo para algum sacripanta chutar no meio de uma briga. De qualquer forma, os defensores do (risinho sarcástico) Design Inteligente atribuem a isso a chamada “Complexidade Irredutível”, uma lorota sem cabimento, que alega que alguns mecanismos biológicos são tão complexos, que jamais teriam tido origem em algo simples. Nisso entra a falácia de Hoyle sobre o ferro-velho, que eu já desmenti na série Evolução x Criacionismo. Assim, a pesquisa do prof. Lithgow foi direcionada sobre como, e por que, essas máquinas moleculares apareceram.

“Nossa pesquisa mostra que essas máquinas, complexas porém completas, foram resultado da Evolução. Máquinas de ‘núcleos simples’ foram estabelecidas nos primeiros eucariontes, aproveitando a pré-proteínas existentes, que tinham previamente fornecido funções simples e distintas. Por causa disso, eles servem de prova que a Teoria da Evolução realmente modelou tudo isso”, disse o prof. Lithgow.

Como um sistema-modelo, a pesquisa centrou-se em uma máquina molecular específica, o complexo da TIM, que transporta as proteínas para dentro da mitocôndria. Caso vocês tenham esquecido o Ensino Médio (ou mesmo o as noções de citologia no Ensino Fundamental, as queridas mitocôndrias são as responsáveis pela produção de energia das nossas células. Curiosamente, as mitocôndrias possuem seu próprio DNA, já que há muito, muito tempo, elas eram bactérias que entraram em endossimbiose com as primeiras células eucariotas. Eucariota é um domínio (acima de “reino”), onde os organismos possuem um núcleo protegido por uma membrana nuclear, enquanto que o domínio procariota possui seu material genético largado de qualquer jeito. Então, meu caro, eu sou um eucariota, você é um eucariota e até mesmo uma alga é um eucariota. Somos todos primos: eu, você e a alga.

Podemos dizer que nossas células são quimeras, já que convivem com estas inquilinas, que pagam um aluguel respeitável. Quimerismo acontece quando duas ou mais populações de células geneticamente distintas que tiveram origem em zigotos distintos. Como as células possuem seu material genético diferente do material genético das mitocôndrias, dizemos que isso é sim, uma forma de quimerismo, se bem que as bactérias não possuem complexos TIM, em contrapartida de suas “primas”, as modernas mitocôndrias.

O grupo olhou para a bactéria Caulobacter crescentus e encontraram proteínas bacterianas relacionadas aos componentes do complexo TIM mitocondrial. Em seguida, os pesquisadores demonstraram que essas proteínas bacterianas não são encontradas como parte das máquinas de transporte de proteínas.

A Evolução modelou, através da Seleção Natural, como as proteínas das antigas bactérias tiveram suas atuações mudadas, até chegar na bioquímica mitocondrial dos dias de hoje, formando “máquinas complexas” e irredutivelmente provando mais uma vez que a baboseira que diz que a Teoria da Evolução não seria capaz de explicar estas estruturas não passa de balela. Não só pode, como explica e rebate qualquer bobagem sem nexo que tentem alegar, sem embasamento suficiente.

Portanto, meus caros criaBURRIcionistas, tomem seus antiácidos e comprem livros de biologia molecular e bioquímica, jogando os de Behe no lixo, que é o lugar deles. Quem sabe vocês não aprenderão algo que preste?

10 comentários em “Máquina molecular mostra como não existe complexidade irredutível

  1. Prezado André.
    Embora compartilhe de sua visão negativa de qualquer forma de criacionismo, penso que esteja fazendo um desserviço ao seu blog ao usar termos jocosos a se referir a pessoas que aceitem essa forma de criação. Assim, você cria uma rejeição automática ao seu texto sem que realmente se entre no mérito da criação propriamente dito.

    No mais, sem mais.

    Leonardo

    1. @leonardotsr,

      “sua visão negativa de qualquer forma de criacionismo”

      Assim como os criaBURRIcionistas, utilizam da visão negativa perante anos de estudo científico, que possibilita resultados CONCRETOS, inferiorizando as fontes bíblicas criacionistas?

      PAU NELES!!! :mrgreen:

    2. @leonardotsr,
      você cria uma rejeição automática ao seu texto sem que realmente se entre no mérito
      O criacionista mesmo já tem essa rejeição, programada na marra, além do que o blog é para céticos (e divulgação científica), e não para os criacionistas (nem para doutrinação), para isso eles já contam com uma infinidade de sites apologéticos.

      sem que realmente se entre no mérito da criação propriamente dito.
      Após dialogar com criacionistas (e fanáticos religiosos diversos), posso afirmar, com convicção, que “entrar no mérito” das questões é uma das últimas coisas que eles pretendem.

      Respeito deve ser devido às idéias e pessoas que merecem.
      Então…

      PAU NELES! :mrgreen:

    3. @leonardotsr,

      Prezado Leonardo,

      Não leve a vida tão a sério!!! Se você compartilha da idéia de que o criacionismo é prejudicial a ciência [ainda que as evidências do seu comentário não apontam para isso hehehe] então aproveite o humor do texto. Se não fosse para “sacanear” um pouco os crias, então bastava um Copy/Paste do texto científico.

      -> André dá para pegar leve? [Mentira, PAU NELES :mrgreen: hahaha]

  2. Os criacionistas rejeitam automaticamente qualquer texto contrário à doutrina idiota que lhes é peculiar independentemente da forma como o tema é tratado então PAU NELES!!! :mrgreen:

  3. Pior é que “Design Inteligente” implica necessariamente em evolução, logo, somos descentendes de primatas, etc.

    Mas a plena análise, DI é um Criacionismo.

    Mas esqueçamos comentários “inteligentes” e…

    PAU NELES!
    :mrgreen:

  4. O “Design Inteligente”deve ser bem parecido comigo ou eu com ele :lol: , eu sou tão perfeccionista que as minhas criações levam um tempo enorme para evoluir. :lol:

    PAU NELES! :mrgreen:

  5. Os criaBURRIcionistas criam “teorias” sem nenhum fundamento empírico ou teórico e publicam estas mesmas teorias apenas com a intenção de dizer que o evolucionismo esta errado….Eles não criaram estas teorias com a intenção de explicar nada!e ainda por cima querem que estas coisas sejam aceitas pela comunidade científica?
    Realmente: PAU NELES!

  6. Pingback: | Os Amorais

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