França sustenta a proibição do uso de burcas em colégios públicos

Em um discurso, o presidente francês Nicolas Sarkozy disse que as burcas não tinham lugar na França, já que são um símbolo de subjugação das mulheres. Burcas são aquelas vestes esquisitas que cobrem as mulheres dos pés à cabeça, muito mal deixando os olhos à mostra. Isso quando deixa mostrar os olhos. Segundo a tradição islâmica, mas não com fundamentada no Alcorão, o corpo das mulheres devem ser cobertos para que não haja incitação à luxúria.

Isso vem de conceitos medievais, onde saqueadores estupravam mulheres, ou mesmo entre as desavenças de uma tribo contra outra, o alvo principal era atingir a honra da família, tirando a virgindade das filhas. Coisa de pessoas atrasadas, mas que ainda ocorre, pois mesmo ainda hoje, a briga entre tribos no Oriente Médio acarreta em estuprar filhas virgens, de modo a provocar “vergonha” na família. Só que num mundo civilizado isso é totalmente idiota (tanto a prática do estupro, como a “proteção” cobrindo a mulher toda). O que acontece hoje é uma misoginia generalizada, onde mulheres não podem fazer nada de nada segundo as “tradições” islâmicas mais fundamentalistas.

Esta “tradição” é levada consigo pela comunidade muçulmana fundamentalista que mora em países europeus, ainda com o velho argumento de séculos antes deles terem nascido, mas que pra pessoas pouco evoluídas ainda faz sentido nos dias de hoje. O mundo mudou, só toscos fundamentalistas não percebem, vivendo ainda como se estivessem na Idade Média.

Sarkozy apoiou uma iniciativa lançada por parlamentares que expressaram preocupação com o crescente uso de burcas na França. Segundo ele: “A questão da burca não é uma questão religiosa, é uma questão de liberdade e de dignidade das mulheres”. Ainda segundo o presidente francês, “A burca não é um símbolo religioso, é um símbolo da subjugação, da subjugação das mulheres. Quero dizer solenemente que não será bem-recebida em nosso território”.

Numa iniciativa multipartidária, 60 parlamentares propuseram a uma comissão parlamentar que examine a disseminação da burca e encontre meios de combater a tendência. Referindo-se a essa proposta, Sarkozy disse que é a maneira correta de proceder e que deveria haver um debate sobre o assunto.

O debate sobre a burca é resquício de uma controvérsia sobre o uso de véus por meninas muçulmanas na sala de aula, que inflamou a França por uma década. Por fim, em 2004 foi aprovada uma lei que proíbe estudantes de usarem símbolos claros de sua religião nas escolas do Estado. Isso não significa que as pessoas reneguem suas religiões nem que os inferiorize. Mas num ambiente mantido pelo Estado, as religiões não podem ser manifestadas, ou seja, deve-se ter um ambiente laico. Claro que se você se matricular num colégio católico, ÓBVIO que você terá ensinamentos dentro da doutrina católica. Assim como uma yeshivah será um ambiente onde os ensinamentos judaicos prevaleceram. Mas um Estado laico deve-se manter além de quaisquer religiões. Permitir o uso de véus e burcas num colégio público abrirá premissas para que outras religiões sejam manifestadas. Imagino algumas alunas chegando vestidas de Mães-de-Santo. Isso acarretaria preconceitos entre os próprios alunos.

Críticos alegam que a lei estigmatizou os muçulmanos em um momento em que o país deveria estar combatendo a discriminação nos mercados de trabalhos e imobiliário, que causa uma divisão entre a maioria da sociedade e muitos jovens descendentes de imigrantes. Só que é uma crítica burra, pois não será o uso de um véu que estigmatizará alguém. Pelo contrário, será uma referência tipo: “ele é muçulmano, mantenha distância”. Quando você não usa nada, você é apenas mais um na sociedade, e é assim que deve ser: todas as pessoas são iguais.

Só que religiosos não veem assim. Querem ser diferentes. Especiais. Melhores que os demais mortais, pois estes não rezam pro seu deus. Ohhhh.

A Drª Dounia Bouzar, antropóloga e pesquisadora visitante no Observatório de Fatos Religiosos, vê de uma forma diferente toda essa “defesa” de valores religiosos islâmicos e critica qualquer argumento alegando “islamofobia” quando se fala de laicismo no tocante aos muçulmanos. Segundo ela “toda estratégia consiste justamente em fazer seus discursos totalitários passarem como se fossem simples mandamentos religiosos. Segundo esses gurus, para respeitar o Islã, a sociedade deve aceitá-los. O posicionamento contrário seria prova de islamofobia e de etnocentrismo.”

Sob argumento que os malvados imperialistas anti-muçulmanos estão querendo destruir a moral e a castidade de um povo, muçulmanos bradam palavras de ordem e pregam ódio a não-muçulmanos. Não só os cristãos ficam com o lenga-lenga de “por que vocês odeiam nossa religião?”. A diferença, é que cristãos agem na base da política, enquanto que fundamentalistas islâmicos cometem ataques de ódio, e sim!, atos terroristas contra avida das pessoas. O terrorismo dos cristãos fundamentalistas é outro, em nível político. Ambos danosos.

Por que mencionar cristãos agora, se o assunto começou com a proibição do uso da burca na França? Porque é o mesmo tipo de debate que acontece se exigirmos que sejam retirados crucifixos de tribunais, proibir orações coletivas em colégios públicos e falarmos para parar com a baboseira sobre os 10 mandamentos serem a base do sistema judiciário no Brasil. Não é, nem nunca foi, mas não entrarei em detalhes aqui.

A França está mais que certa ao fazer isso e deveria ser imitada em todos os países, mas isso é pra quem tem um governo de verdade e não um bando de políticos toscos, eleitos por uma população mais tosca ainda, capaz de vender seu voto por esmolas do tipo vale-isso, bolsa-aquilo, cheque-aquilo-outro.

No caso francês, o efeito colateral pode ser o de muçulmanos deixarem o país por causa da proibição. Não que a França se preocupe com isso, já que eles são e sempre foram xenófobos. Tendo o histórico de invasões de suas terras por países estrangeiros como base, não é difícil de entender o porque desse comportamento. Se você pretende visitar a França, por gentileza, aprenda a flar francês sem sotaque (ou, pelo menos, com o sotaque deles). Isso fará muita diferença.

Da mesma forma, é fácil entender porque os muçulmanos querem sair da França: por não quererem ser iguais. De alguma forma, querem se sentir mo verdadeiro “povo escolhido” ou alguma besteira nesse sentido. Só que um país é feito com a soma de toda a sua população vivendo conjuntamente sob leis únicas e abrangentes a toda população. Se alguém for na Arábia Saudita e pedir uma cerveja, com certeza estará à procura de confusão. Jogadores de futebol são testemunhas disso, pois até se acostumarem com os hábitos locais (aka leis teocráticas, vigiadas por uma polícia religiosa) acabam se metendo em alguns problemas, ás vezes.

Assim, muçulmanos correram para países islâmicos, onde a pressão por um reconhecimento do Estado Palestino não cessa. Só que mesmo entre muçulmanos existem muitas subdivisões do islamismo, onde cada uma prega os ensinamentos do Alcorão à sua maneira, tal qual as diferentes facções cristãs que vemos espalhadas por aí. Mesmo que seja plenamente reconhecido um Estado Palestino, ao meu ver, nunca cessará as diferenças e animosidades lá, na base do “Meu Maomé é maior que o seu”.

Não duvidaria, entretanto, que seja um artifício francês de se livrar dos muçulmanos fundamentalistas (sem contar o fator “xenofobia”), a fim de se precaverem de algum incidente futuro. O mundo vive atualmente num enorme barril de pólvora e não me parece que haja uma solução tão cedo para isso.

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