O mito do camponês que trabalhava menos que os trabalhadores de hoje

De tempos em tempos, a Internet descobre que a Idade Média era maravilhosa. Não o período da peste bubônica que matou um terço da Europa, não o das guerras ininterruptas ou das colheitas devastadas pela geada. A Idade Média romântica, aquela dos camponeses descansados que trabalhavam menos que o trabalhador médio e passavam os invernos bordando tapeçarias à beira da lareira, se banqueteando com uma dieta mais saudável. O argumento circula com a persistência das más ideias: os servos medievais tinham mais feriados do que você, seu CLT tosco, trabalhando só 1.620 horas por ano (contra as 1.780 do trabalhador moderno), e portanto viviam melhor. Soa bonito, eu sei.

Claro, até tem um (pequeno) fundo de verdade nisso, mas fica beeeeem lá no fundo, mas conta apenas meia verdade, e toda meia verdade é acompanhada de meia mentira. Trata-se de em medidas iguais, uma verdade incompleta, uma fantasia consoladora e uma narrativa prontinha para uma opinião que tem mais política do que preocupação laboral.

A origem da narrativa é honesta o suficiente: um livro de 1992 chamado The Overworked American, da economista Juliet Schor, analisou registros históricos e chegou a estimativas sobre o calendário medieval de trabalho. Vale notar que Schor estava, a rigor, falando do trabalhador americano médio, mas o argumento se espalhou como aplicável a qualquer assalariado do mundo moderno.

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