
Hoje é sex(y)ta-feira. O Brasil lá fora rindo, fritando pastel, entornando chope, beijando bocas e reclamando do trânsito rumo ao bar. E eu aqui preso, lançando nota e ouvindo choramingo quando me chega a Elise relatando a brilhantíssima aventura acadêmica que consiste em pegar uma capivara morta, enfiar dentro de um saco de lixo e levar para dar um rolécomo se fosse entrega do iFood. Honestamente, se isso não é o retrato espiritual da humanidade em 2025, eu realmente não sei mais o que é.
Fazendo roedores gingantes dançarem thriller, esta é a sua SEXTA INSANA!
Alunos da USP – que teriam muito pouco tempo se estivessem estudando, mas não parece ser o caso – estavam como quem não quer nada no Campus quando de encontraram uma capivara defunta na Raia Olímpica. Entre muitas ideias boas, ruins, péssimas e completamente sem-noção, acharam que seria uma boa ideia recolher o cadáver, jogar dentro de um saco de lixo como quem embala roupa velha e, claro, meter aquilo dentro do ônibus circular do campus.
Chegando no Centro Acadêmico de Biologia, estenderam o bicho numa mesa ao ar livre e decidiram que aquele seria o grande momento da neurocirurgia mamífera… com um canivete e uma luva de látex. Uma luva só. Parabéns, USP! Tá ensinando muito bem aos seu alunos.
O risco biológico era um buffet completo de doenças, como febre maculosa, leptospirose, carrapato-estrela, ziquizira, troço e mais algumas coisas que ainda nem foram descobertas (ainda). Um verdadeiro rodízio patogênico servindo de cortesia para quem estivesse passando ao lado comendo coxinha. A OMS provavelmente ligaria parabenizando a ousadia metodológica, se ainda tivesse esperança na raça humana.
Spoiler: não tem.
Quando a história vazou, alguém lembrou que existem coisas chamadas “biossegurança” e “autorização ética”. A universidade prometeu medidas drásticas: uma palestra. Não antes, claro. Nunca antes! Sempre depois, quando alguma atrocidade assim acontece. É quase rito acadêmico: reunir mais de mil estudantes para falar sobre ética, responsabilidade e conduta científica. Nada como aprender a dirigir depois de bater o carro no portão.
Enquanto isso, a Prefeitura do Campus UniversiOtário jurou não saber de nada. Não viu a capivara, não recolheu a famigerada capivara, não percebeu a capivara sendo carregada num ônibus. As câmeras estavam desligadas, como o melhor roteiro conveniente. Ninguém sabe, ninguém viu, foram todos pra… bem, estripar a pobre capivara, cujo fantasma estava mostrando dois dedos médios (sim, capivaras fantasmas têm mãos que nem humanos. Se não acredita em mim, vá num centro espírita).
E o CABio, onde a dissecação aconteceu? “Sei di nada, naum, sinhô!”
O mais irônico é que a USP tem monitoramento oficial de capivaras, controle de carrapatos e protocolos de segurança para evitar justamente o que aconteceu. Tá funfando muito, pelo visto!
No fim, a capivara morreu duas vezes. Uma na natureza e outra na mesa do Centro Acadêmico, onde foi reencarnada como símbolo da gambiarra científica brasileira. Provavelmente, morreu de desgosto á no Além.
Eu vou terminar este texto com a mesma energia com que escrevi. Azedo. Amargando a sexta. O país bebendo, flertando, vivendo, e eu aqui, narrando a porra de uma autópsia de uma merda de capivara feita com o rigor técnico de um churrasco amador.
Vá pro Diabo, Elise!
Boa sexta. Pra quem pode.

Eu vou pro diabo mas levo todo mundo comigo hahahahahahahaha
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Você me manda isso e eu ainda tenho que decifrar siríaco.
QUAL É O SEU PROBLEMA??
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Eu sou uma peste :P
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