
Religião é uma coisa que tem que ser respeitada, assim como é de boa praxe respeitar pessoal que arruma uma forma de descolar um dinheirinho com isso, já que templo é dinheiro. Mas, na história de hoje, não temos templos, mas um rio, e não é um rio qualquer, mas um rio… na Índia. E onde mais poderia ser senão em meu lugar favorito, Uttar Pradesh? O melhor? Agora estão exportando a água de lá para a Alemanha.
Me purificando tomando banho com água da Índia para conseguir anticorpos, esta é a sua SEXTA INSANA!
Kumbha Mela é o mais importante festival do hinduísmo, realizado quatro vezes a cada ciclo de doze anos em diferentes cidades da Índia: Prayagraj, Ujjain, Nashik e Haridwar. Dentro desse ciclo, destaca-se o Maha Kumbha Mela [em sânscrito, maha significa “grande” ( ͡° ͜ʖ ͡°)], celebrado exclusivamente em Prayagraj, que fica no estado indiano de Uttar Pradesh. Nesse evento, milhões de devotos hindus se reúnem para se purificar com banhos em Triveni Sangam — a confluência dos rios sagrados Ganges, Yamuna e o mítico Saraswati — no que é considerado o maior festival religioso do planeta.
Este festival religioso faz o Carnaval no Rio parecer um modesto churrasco de bairro. Considerado o maior encontro humano do planeta, é também um evento que coloca a logística à prova – afinal, tentar organizar milhões de pessoas num banho comunitário é, no mínimo, um teste para a paciência divina. Com tantos rituais e banhos purificadores, é possível que esse ponto seja o equivalente espiritual de uma lavanderia self-service celestial. E não se esqueça da vista: multidões, barcos e sacerdotes espalhando bênçãos – é o caos sagrado em toda a sua glória!
Como a Índia não está alheia ao conceito de globalização, o governo de Uttar Pradesh decidiu que o mundo precisava de um pouco mais de… bem, “água” (coloque quantas aspas quiser). Mas não qualquer água, claro. Estamos falando de água sagrada, agora embalada em garrafas de 250 ml e enviada diretamente para a Alemanha. Porque, aparentemente, o que faltava na Oktoberfest era um toque de espiritualidade líquida.
Como se diz “amém” em sânscrito?
A ideia é simples: se Maomé não pode ir até o Triveni Sangam.é porque ele criou o Islã, e muçulmanos e indianos não se bicam. Com isso, caso você esteja interessado num mergulho purificador, o Triveni Sangam vai até você, praticamente num iFudeu, já que as águas do Ganges são.. bem, as águas do Ganges.
O governo, em sua infinita sabedoria, decidiu que 1.000 garrafas seriam suficientes para começar. Afinal, por que não transformar um evento espiritual em uma oportunidade de exportação? Quem sabe, em breve veremos “Água Sagrada do Ganges” competindo com Perrier e Evian nas prateleiras dos supermercados europeus. O sloagan poderia ser “Agora com 100% mais Karma!” (ou Dharma. Vai depender do que você andou aprontando, o que não é problema meu. Duas garrafas distintas então?).
E não para por aí. A logística dessa operação é digna de um épico de Bollywood. Desde a coleta da água no Triveni Sangam até o empacotamento pelas mãos habilidosas de um grupo de autoajuda feminino, cada garrafa carrega não apenas água, mas também a promessa de um futuro no qual a espiritualidade é entregue via FedEx. Porque se for pelo Correios BR, vai inundar Curitiba de água.
Enquanto isso, os devotos que não puderam comparecer ao Maha Kumbh agora têm uma nova desculpa: “Por que viajar até a Índia quando posso receber minha dose de santidade pelo correio?” É o futuro da fé, embalado e pronto para consumo.
<entra a piadinha da fé demais e fé de menos>
Fonte: India TV

Um comentário em “Índia exporta água que passarinho realmente não bebe”