
É difícil ter um vislumbre do passado. Mais difícil ainda é ver como esse passado foi sendo alterado com o passar dos anos. Seria legal se pudéssemos viajar pelo tempo e vermos a evolução da arquitetura, por exemplo. Bem… acontece que você pode. No coração de Istambul, Turquia, um na bucólica rua Alaykoskü, no distrito de Cagaloglu, temos um instantâneo palpável da História. Tendo 1.800 anos, um prédio nos ensina um pouco sobre como nossos ancestrais (diferentes deles) construíam.
Situado na encruzilhada da História, ele serve como uma linha do tempo vertical que encapsula quase dois milênios de conquista, adaptação e transformação. Motivo? Você não viu a imagem de abertura? Não notou nada diferente? Vejamos se dessa forma você percebe:
O que vemos ali?

Fundações romanas
Na base deste edifício, encontramos a camada mais antiga de sua história — colunas romanas que datam do final do século II ou início do século III E.C. Essas colunas são remanescentes de uma cisterna romana, um sistema subterrâneo de armazenamento de água que desempenhou um papel crucial na infraestrutura da antiga Bizâncio, o nome da cidade antes de se tornar Constantinopla.
As colunas foram esculpidas em pedra sólida e refletem a proeza da engenharia dos romanos, que entendiam a importância de fontes de água confiáveis para uma metrópole em crescimento. Cisternas como a que fica abaixo deste edifício eram essenciais para abastecer a população da cidade com água, e sua construção revela o investimento romano inicial na infraestrutura da cidade.
O Arco de Constantinopla
Elevando-se acima das colunas romanas está a próxima camada nesta cápsula do tempo arquitetônica: um arco bizantino do século IV E.C. O arco provavelmente remonta à era de Constantino, o Grande, que transformou Bizâncio em Constantinopla, a nova capital do Império Romano, em 330 E.C.
O arco, com seu estilo bizantino distinto, teria sido parte dos maiores projetos de obras públicas iniciados pelos imperadores do Império Bizantino, visando solidificar o status de Constantinopla como o coração do Império Romano do Oriente.
A transformação otomana
Acima do arco bizantino, o edifício exibe mais uma camada da história de Istambul — uma parede de pedra do século XV da era otomana. Quando o sultão Mehmed II, conhecido como Mehmed, o Conquistador, capturou Constantinopla em 1453, ele inaugurou um novo capítulo para a cidade. Renomeada Istambul, ela se tornou a capital do vasto Império Otomano, um império que dominaria grande parte do sudeste da Europa, Ásia Ocidental e Norte da África por séculos.
A parede de pedra é uma relíquia do início do período otomano, quando a cidade passou por uma extensa remodelação para refletir seu novo status como capital imperial.
O toque moderno
Coroando o edifício estão seus andares superiores, construídos com tijolos cozidos na década de 1920, durante os primeiros anos da República Turca. Após a queda do Império Otomano após a Primeira Guerra Mundial, a Turquia passou por um período de modernização e secularização sob a liderança de Mustafa Kemal Atatürk. Esta era viu uma mudança nos estilos arquitetônicos, afastando-se da grandeza do passado otomano em direção a designs mais práticos e modernos.
O tijolo cozido dos níveis superiores reflete essa nova abordagem. O uso de tijolos foi generalizado durante o início do século XX, pois era econômico e durável. Esses andares superiores representam a evolução contínua da cidade, mostrando como Istambul se adaptou mais uma vez, desta vez aos ideais do novo estado turco. Ele marca um período de rápida modernização, à medida que a cidade abraçou seu futuro, mas ainda retendo as camadas de seu passado imperial.
A seguir um videozinho feito no local.
Pois é, meio abandonado, e ninguém parece se importar com a maravilha que é essa construção. Uma pena, mas talvez seja melhor assim porque não será depredada por turistas.

2 comentários em “O prédio que é uma máquina do tempo”