Colocar mulheres trans para competir com mulheres cis é ético? Políticos dizem sim, Ciência diz não

Já sei que vai ter gente me xingando, mas estou sendo xingado desde que comecei a postar artigos na Internet há mais de 20 anos. A bola da vez, agora, é a questão da participação de transgêneros nos esportes. Isso está dando discussões acaloradas. Mulher-trans, em resumo, é um homem que praticamente se vê como mulher, mesmo sem fazer operação de mudança de sexo, o que não é exigido o Brasil, desde que tenha níveis de testosterona abaixo de 10 nanomols por litro, para praticar um esporte feminino. E estes níveis têm que se manter por pelo menos 12 meses. Depois disso, deve passar por monitoramento frequente.

Alguns são contra, alegando que pouco importa o nível de testosterona, ainda assim há uma clara vantagem de mulheres-trans sobre mulheres-mulheres, e eu não vou discutir disforia de gênero, sexualidade, orientação sexual e cromossomos, pois não é este o assunto do artigo, então, nem pensem em começar este tipo de discussão, porque não quero que meu blog vire uma zona. O assunto do artigo é: existe uma real vantagem de mulheres trans sobre mulheres cis (prefiro chamar mulheres-mulheres, só porque eu me sinto como se estivesse falando de isomeria substâncias orgânicas?) de acordo com uma pesquisa, sim.

A drª Lynley Anderson é pesquisadora e professora adjunta de Ética Clínica do Centro de Bioética da Universidade de Otago, que fica em Dunedin, Nova Zelândia. Mrs Anderson pesquisa ética na medicina esportiva, seus problemas intrínsecos e como resolver questões a esse respeito. Ou seja, ela examina se você pisou no tomate em termos de ética.

O que Mrs Anderson resolveu analisar é se mulheres trans realmente têm vantagens sobre mulheres-mulheres (pessoal vai me xingar muito por causa desse mulheres-mulheres, e é por isso mesmo que estou repetindo). Mrs. Anderson e seus colaboradores explicam que mesmo os níveis de testosterona estiverem abaixo de 10mmol/L, ainda assim é significativamente mais alto do que o das mulheres-mulheres. Só que não é só isso. Não é uma questão apenas de testosterona, temos toda a formação óssea e musclar porque, guess what, mulheres têm biologia diferente de homens, mesmo que esses homens se identifiquem como sendo mulheres. Mesmo com tratamento hormonal, a fisiologia e morfologia não vai ser totalmente feminina.

Não apenas isso, níveis altos de testosterona, assim como os efeitos permanentes da testosterona na fisiologia masculina durante o desenvolvimento intrauterino e precoce, proporcionam uma vantagem de desempenho no esporte e que grande parte dessa fisiologia masculina não é mitigada pela transição para se tornar uma mulher-trans, pois homens jovens e saudáveis ??não perdem massa muscular (e força) significativa quando seus níveis circulantes de testosterona eram reduzidos a abaixo das normas determinadas pelo Comitê Olímpico Internacional, mesmo depois de 20 semanas, ou quase um ano.

Gostaram? Calma que tem mais! Mesmo que a diminuição de testosterona influenciasse na massa muscular, isso poderia ser compensado por treinamento ou outros métodos, ainda mais que o fenômeno da memória muscular implica que a massa muscular e a força podem ser reconstruídas com exercícios de força, tornando mais fácil recuperar ambas mais tarde, mesmo após longos períodos de inatividade e/ou perda de massa.

Eu acho que dá para perceber isso com a jogadora da liga feminina de futebol australiano, Hannah Mouncey. Essa aqui ao lado (dica: não é a da esquerda).

Vamos ser honestos, olhem só o tamanhão da Hannah. Ela bate geral as jogadoras em campo. Ela bate EM MIM, se eu tiver a insânia de querer sair na porrada com ela (sim, estou usando o pronome feminino. Não encha o saco!).

Péra, André. Você está me dizendo que uma mulher não poderia ter esse tamanhão todo?

Não, eu jamais falaria isso. Mesmo porque, a lutadora de boxe Ann Wolfe, que atuou no filme da Mulher Maravilha, fatalmente me quebraria em mais pedaços que o número de células que eu tenho no corpo.


Ann Wolfe. Tenha medo!

Mas aí fica um questionamento: por que essas mulheres-trans querem participar de esportes com mulheres-mulheres em que as mulheres-mulheres tenham um corpo bem menor? Não vi a Hannah querer ser boxeadora, mas jogadora de futebol (olhe de novo a foto). E é nesse ponto que chega o trabalho de Mrs. Anderson: não a medicina, o biotipo ou a genética, mas as questões éticas.

Em fevereiro deste ano, deu polêmica numa competição de atletismo disputada por adolescentes americanos em New Haven, no estado de Connecticut. Terry Miller, uma mulher-trans venceu a prova quebrando o recorde feminino estudantil dos 55 metros ao terminar com o tempo de 6s95. Andraya Yaerwood, outra atleta feminina trans, cruzou a linha de chegada aos 7s01. A terceira colocada, uma mulher-mulher, terminou em 7s23. Alegar, como disse Miller, que não teve vantagens, porque um pai poderia pagar treinadores melhores para uma criança e ela se destacar é uma bela mentira


Andraya Yaerwood e Terry Miller

Deputados do Partido Democrata dos EUA estão alegando que as leis brigando a aceitar mulheres-trans nas disputas femininas não é errado, pois a ciência não comprovou que há diferença significativa. Mas há e a pesquisa de Mrs. Anderson comprova isso. Alguém vai levar a pesquisa a sério? Não, pois o mundo dos coitadinhos precisa ser protegido, mesmo porque, homens-trans e mulheres-trans também votam, apesar de nem querendo chegam próximo às pessoas cis. Mas ninguém quer bancar o preconceituoso. E de preconceituoso já estão me chamando, mas a verdade científica tem que ser dita: homens e mulheres não são iguais, e não há nada de errado nisso!

Se querem dar um ponto a mais e inclusão das mulheres-trans, creio que há outras maneiras. A inclusão não é dar favorecimento, e dar direitos iguais. Quando você ganha um privilégio, o direito deixou de ser igual, e isso é outro problema ético. Como resolver isso no caso dos esportes? Anderson e seu pessoal aventou a ideia de esportes sem divisão por gêneros, misturando todo mundo. Vai ser muito legal quando um jogador de futebol partir para uma dividida com uma mulher zagueira. Não vão reclamar depois da violência ou misoginia se elas se machucarem mais que homens.

Quer dizer, não no caso do Neymar, que se minha sobrinha de 4 anos for jogar com ele, na primeira trombada ele vai se jogar no chão e sair rolando.

Políticos não querem saber disso. Ignora-se a ciência, pois o brilho esfuziante das manchetes e a promessa de reeleição falam mais alto.

CeCe Telfer, da Universidade Franklin Pierce, venceu com facilidade os obstáculos de 400 metros nos campeonatos de atletismo ao ar livre da Divisão II da NCAA no sábado, vencendo a corrida final com mais de um segundo na frente da segunda colocada. Telfer só se ferrou nos 100 metros com barreiras, chegando em quinto, mas saiu ganhando prêmios All-America.


CeCe Telfer é a do meio

Quando Telfer disputou os 60 metros livres, 60 metros com barreira e 200 metros na categoria masculina, não chegou nem próximo da primeira colocação, mas no feminino ganhou todas. Alguma dúvida do motivo?

De novo, não é cerceara direitos, mas inclusão não significa misturar tudo. Ninguém seria louco de colocar um jogador de basquete de paraolimpíada para jogar com jogadores sem deficiência. Seria covardia. Um jogador normal não conseguiria jogar direito numa cadeira de rodas. Da mesma forma um jogador de futebol cego não conseguiria na seleção normal. Inclusão não é isso. Inclusão não é colocar um aluno de 16 anos com autismo para jogar com crianças do Fundamental, e é isso que estamos vendo. Se querem dar a medalha, dê logo, mas não digam que é uma disputa justa. Não é. Não digam que não tem diferenças, porque têm.

Porque, no final das contas, ninguém quer, a sério, colocar uma mulher para disputar esporte de contato com homens, não é mesmo?

A pesquisa foi publicada no periódico Journal of Medical Ethics e é um puxão de orelha para estarmos atentos para mantermos sempre uma competição justa. Treinadores já se tocaram e estão fazendo questão de atletas trans, e você consegue ver muito bem o motivo. Porque, daqui a pouco, a próxima equipe de atletismo será:

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