Finja surpresa: Obesos têm maior tendência a gostar de comer

Eu gosto dessas pesquisas que jogam logo uma conclusão óbvia para depois emendar uma pesquisa científica no meio. Não, não estou falando do Brasil; isso acontece em outros lugares. Um exemplo disso é uma pesquisa que obesos têm uma melhor percepção de sabor e encontram maior satisfação na comida que indivíduos com massa normal ou leve sobrepeso. Oh, como eles chegaram nesta conclusão?

A drª Linnea Ann Polgreen é professora-adjunta do Departamento de Prática Farmacêutica e Ciências e da Divisão de Pesquisa de Serviços de Saúde da Universidade de Iowa, que fica em Iowa. Não, ela não é farmacêutica ou atua em qualquer área da saúde. Ela é economista.

Linnea é particularmente interessada em usar abordagens econométricas e dados observacionais para ajudar a entender a eficácia das terapias nos resultados clínicos, e participante ativa no Grupo de Epidemiologia Computacional e no grupo de Epidemiologia Estatística da Universidade de Iowa, trabalhando em vários projetos colaborativos projetados para entender os fatores de risco e resultados para uma ampla gama de doenças, incluindo doenças infecciosas, diabetes e doenças cardiovasculares.

Você está achando esquisito? Calma que piora. Ou melhora, dependendo do seu cinismo.

Linnea, que de ciências da saúde entende tanto quanto eu entendo como colocam uma economista para dizer por que obesos são obesos, vem no trabalho com aquelas informações gerais sobre a obesidade ser ium grande problema de saúde pública etc e tal, e que nos EUA 30% da população é rolha de poço tal e etc. Daí começa a a tecer motivos do por que acontece a obesidade.

Bem, as causas da obesidade são variadas; o problema está nas decisões de consumo de quais alimentos serão consumidos. Linnea chegou na incrível conclusão que é na percepção do sabor que se esconde o segredo que levam a excessos.

O estudo identificou uma associação consistente entre gosto de comida, especificamente chocolate, e IMC observando diretamente mudanças instantâneas de gosto ao longo de um período de tempo, ao invés de apenas no início e no final de um período de consumo, como em estudos anteriores. Ou seja, obesos eram mais propensos a gostar mais de chocolate e a também comer mais chocolate do que indivíduos com peso normal ou leve sobrepeso. Não, Linnea não chegou no conceito que indivíduos que comiam mais, inclusive alimentos altamente calóricos, acarretavam obesidade. Está no mesmo patamar que “pessoas baleadas são mais sujeitas a andar no meio de tiroteio”

Achou que acabou? Calma que fica mais divertido.

A pesquisa ainda mostra os dados que declararam que pessoas mais famintas antes do estudo tinham maior percepção do paladar; as percepções de gosto das mulheres diminuíram mais rapidamente que as dos homens; e fornecer informação nutricional antes do consumo de chocolate não afetou a percepção do sabor.

Pois é. Saber do que o chocolate é feito não muda em nada o sabor, e que pessoas famintas estão mais dispostas a se deliciarem com o sabor da comida. Sério, essa pesquisa, se não merece o Nobel, não sei o que merece

(saber eu sei, mas não vou dizer porque tem criança acompanhando o texto)

A pesquisa foi publicada no periódico Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics


PS. Enquanto eu escrevia isso, tive contato com o maravilhoso point Batata de Marechal, em Marechal Hermes, subúrbio do Rio. Será a única coisa realmente aproveitável do artigo de hoje. Deliciem-se lá.

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