Meteorito fofoqueiro traz segredos da atmosfera marciana

Uma estilingada num pedregulho
A reação venenosa do cloro com vinagre

Várias missões de exploração e observações sugeriram que Marte, um dia, já teve um clima quente, capaz de ter oceanos de água líquida em sua superfície. Para manter Marte quente seria preciso uma atmosfera densa com um efeito estufa suficiente; o problema é que sua baixa gravidade tem probleminhas para manter uma atmosfera lá. Seu núcleo morto não é capaz de gerar uma magnetosfera como a da Terra e o açoite por partículas de alta energia provenientes do Sol contribuiu para mandar uma atmosfera que ele tinha e era “mal presa” embora. Pobre Marte.

A nave MAVEN da NASA está orbitando Marte para explorar os processos que mandaram a atmosfera marciana para a vala. Juntos e misturados na pesquisa está a JAXA, a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão. Juntas, elas planejam estudar os processos que levaram Marte a ficar praticamente sem atmosfera.

O interessante é que um dos objetos de estudo é um… meteorito! Por meio dele, os pesquisadores estudam a evolução da atmosfera marciana por meio de calculados que levam em consideração vários processos: erosão do impacto e reposição por asteroides e cometas, escape atmosférico induzido por radiação solar e vento, desgasificação vulcânica e deposição de gás por partículas de poeira interplanetárias. Assim, o modelo que os cientistas criaram reproduz as composições elementares e isotópicas de nitrogênio e gases nobres (exceto Xe) na atmosfera marciana, conforme deduzido de missões de exploração e análises de meteoritos marcianos. Simples, não?

Bem, vamos ignorar este parágrafo. O que os pesquisadores fizeram foi catar meteoritos em Marte e comparar com os dados da atmosfera de lá. Quando um pedregulhão do mal cai em algum lugar, carrega consigo um monte de tranqueiras. Com a alta temperatura acarretada pela fricção, moléculas de gases acabam ficando presas no meteorito. Os cientistas bombardearam com tiros de laser PEW PEW PEW e quando as moléculas se libertaram, foram analisadas.

Indo pelo processo inverso, eles simularam como a composição da atmosfera marciana mudou ao longo da história sob várias condições. Ao comparar os resultados com a composição isotópica de gases presos, os pesquisadores revelaram a densidade da atmosfera marciana no momento em que o gás ficou preso no meteorito.

A equipe de pesquisa concluiu que Marte tinha uma atmosfera densa há 4 bilhões de anos. A pressão do ar superficial no momento era de, pelo menos, cerca da metade da nossa pressão atmosférica hoje, ao nível do mar. Especula-se que talvez fosse até mais, mas aí é especulação apenas.

A pesquisa foi publicada no periódico Icarus.

Uma estilingada num pedregulho
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Sobre André Carvalho

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