Dinamarca passa a borracha em lei anti-blasfêmia

Heróis não são caixas. Suma daqui com sua lacração
Religioso briga por usar vestimenta de fé em documento

Lei anti-blasfêmia é uma das coisas mais imbecis no mundo do século XXI. Não se pode falar mal de um deusinho, pois ele tem problemas de aceitação, fica tristinho e cai na depressão. Temos que protegê-lo. A Dinamarca tinha uma lei anti-blasfêmia que já datava de uns 150 anos. Aí, para horror de muita gente, os legisladores disseram algo como “anti-blasfêmia é o cacete” e revogaram-na.

Segundo um dos legisladores, o deputado Bruno Jerup, “A religião não deve ditar o que é permitido e o que é proibido dizer publicamente”. Essa lei era tão idiota e obsoleta que foi aplicada apenas poucas vezes no século passado.

Em 1938, quatro pessoas foram sentenciadas por exibição de cartazes anti-semitas e, em 1946, duas pessoas foram multadas depois de terem feito um “batismo” num baile em Copenhague. Outra tentativa de acusação ocorreu há 46 anos em 1971, quando dois produtores de rádio da Dinamarca quase tomaram na cabeça por causa de uma música que zomba do cristianismo, mas acabaram absolvidos de todas as acusações.

O problema básico é que ser anti-semita não é legal se você, sei lá, coloca todo mundo num trem e manda para um passeio só de ida. Você não está apenas dizendo que acreditar em cobras falantes ou num deus de TPM é idiotice. Eu acho que qualquer um tem o direito de acreditar no que quiser, seja carpinteiros sayajins ou pratos de pipocas com poderes mágicos.

Claro, isso não implica que criticar o Alcorão e suas passagens que dizem que ou se converte os infiéis ou passa o cerol neles não implica em dizer que todo muçulmano tem que ser extinto da face da Terra.

De qualquer forma, à luz fria da razão, quem é o mais intolerante com as religiões são os religiosos que não aceitam que o amiguinho imaginário do outro é mais real que o amiguinho imaginário dele. Ou, como diria Joseph Campbell, “mito é coo chamamos a religião DOS OUTROS”.

E se formos ver A História, ela mostra cristãos perseguindo muçulmanos, cristãos perseguindo judeus, muçulmanos perseguindo cristãos, judeus atacando outros povos (mais apanhando do que batendo, mas isso durou até ter armas de verdade despois da fundação do Estado de Israel), babilônios atacando egípcios, que enfrentaram hititas e assírios, que atacaram babilônios, que foram dominados por gregos, que tomaram um piau de romanos, que foram conquistados por tribos bárbaras, que foram extintos por cristãos, que brigaram entre si pois uns grupos rezavam pro Jesus de verdade, que depois mataram-se uns aos outros de novo, com judeus no meio tendo que fugir novamente e assim por diante. Daí chegaram as religiões africanas e o processo reiniciou.

De resto, sim, você pode falar mal de qualquer religião, pois ideias não são para serem postas em pedestais, intocáveis. Diferente de atacar pessoas. Pois se uma ideia não pode ser tocada, então, coisas como escravidão, massacres, eugenia, genocídios etc também não poderão, pois a regra vale pra todo mundo.

E a história está repleta de casos demonstrando que isso nunca foi uma boa ideia.


Fonte: RT

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Celso F. Trucolo

    Enquanto isso, no nosso querido e amado país…
    https://ceticismo.net/2015/08/19/rio-de-janeiro-vota-lei-anti-blasfemia/

  • Se não me falhe a memória, teve uma pesquisa recente mostrando que a Dinamarca é o país mais livre do mundo. Com maior liberdade de expressão.

    Está provando isso.

  • Pirata Espacial

    Já era de se esperar, esse país já censurava banda de rock nos anos 80, colocavam selos de “warning”, por taxa-las de satanistas!! (pobre King Diamond!!!)