Implante faz paciente com ELA voltar a se comunicar

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Não que exista doença boazinha, mas algumas são mais cruéis que outras, como é o caso da esclerose lateral amiotrófica (ELA). Esse problema de ordem neurológica faz com que a pessoa fique literalmente trancada em si mesma, tendo pouca ou nenhuma condição de se comunicar. Nem todo mundo é Stephen Hawking e pode andar com aquele aparato todo, e mesmo que tenha, bem, Ciência não se preocupa se algo funciona. O mote da Engenharia é “se algo não pode ser melhorado, é porque está quebrado de vez”.

Agora, uma técnica vem para ajudar as pessoas. E… bem, que o pessoal da Filosofia (aquela coisa importantíssima que nunca dizem pra serve) não nos ouça, mas uma paciente testou um implante direto no cérebro e conseguiu se comunicar. Sim, eugenia, eu sei. Fazer o que se cientistas querem melhorar a vida das pessoas?

Ela chegou a usar dispositivos que rastreiam o movimento dos olhos numa tela de computador e o software vai montando as palavras, letra-a-letra. O problema é que nem sempre funciona, ainda mais quando cerca de uma em cada três perdem a capacidade de mover os olhos também. Tudo graças a um projeto esplendoroso feito por um designer inteligente. Mas e se o dispositivo não estivesse na frente da pessoa, mas dentro dela? E se houvesse uma maneira de implantar um dispositivo que reconhecesse os sinais direto no cérebro e fizesse a ponte para comunicar-se com objetos fora do corpo? Ficção científica? Nem tanto. É científico, mas nada de ficção.

O dr. Nick Ramsey é pesquisador do Centro de Pesquisas do Cérebro do Centro Médico Universitário Ultrech, nos Países Baixos. A ele foi apresentado o caso da srª HB, que já tinha passado pelo uso de softwares de rastreio de pupila, mas com o tempo passou a falhar. HB passou por uma cirurgia e um dispositivo foi implantado em seu crânio. Este implante funciona de maneira a ler os sinais cerebrais e traduzi-los para ações, como fazer um cursor de mouse se mover ou até mesmo um braço robótico. Sim, cavalheiros, nós temos a tecnologia!

Claro, é um processo de refino constante, pois tecnologia nenhuma aparece por mágica, com tudo funcionando a 100%. Vários desses implantes foram instalados, mas poucos tiveram algum ou muito sucesso. Mas, quando funciona, temos isso aqui:

Tudo bem, Tedson, pode continuar a sorver suas jirombas. Obrigado pelo grande papel que o pessoal do Macaquinhos têm feito. Obrigado senhoras que ficam defecando em praça pública. Sem vocês, a senhora HB jamais poderia ter parte de seu eu de volta. Valeu, mesmo, pessoal!

Ah, sim! Ia esquecendo de agradecer aos sociólogos, bacharéis em filosofia, pesquisadores de gênero, astrólogos, ufólogos, cartomantes, pais de santo, pastores, bispos e todo o pessoal que, juntos, foram capazes de fazer isso acontecer. Sem vocês, imagino que toda essa tecnologia jamais apareceria. Agradecimentos a cada um que usou sua camiseta do Che e que deu “like” no Facebook e compartilhou mensagem de Nossa Senhora no WhatsApp e se vestiu de branco no Reveillon. Também não posso esquecer daqueles que arriaram um prato de pipocas mágico, deram pulinho em ondas e gritaram AMÉM, JESUS!

Se não fosse por vocês, a paciente não teria sido capaz de gerar sinais desde o primeiro dia, e tendo o dispositivo funcionando com 95% de precisão em 6 meses. Valeu mesmo pessoal!

Porque, como sabemos, Ciência não serve pra nada.


Fonte: New Scientist

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • cloverfield

    Incrivel o que essa tecnologia faz!!
    Imagino a alegria dela por poder, pelo menos, entortar uma das barras da sua prisao.

  • ES

    Essa história aqui também é muito interessante. Apareceu no El Pais (http://elpais.com/elpais/2016/11/17/ciencia/1479382718_479151.html?autoplay=1) com o título: “El ingeniero que arregló su propio corazón” com a linha fina: “Cuando a Tal Golesworthy le dijeron que su aorta corría el riesgo de estallar, no le gustó demasiado la intervención quirúrgica que le ofrecían, así que presentó su propia idea”
    Resumindo a história, o engenheiro Tal Golesworthy estava com 60 anos quando recebeu a notícia que deveria se operar em pouco tempo porque sofria da síndrome de Marfan (uma patologia de origem genética que se caracteriza, entre outras coisas, por problemas na produção da glicoproteína fibrilina, importante componente das fibras elástica dos vasos, por exemplo) e, portanto, sua aorta poderia de uma hora para outra resultando em óbito. A operação padrão consiste na remoção do início da aorta juntamente com as válvulas coronárias adjacentes e sua substituição por outras peças artificiais mecânicas rígidas. O problema é que tais peças tem a tendência em produzir coágulos, o que implica no uso permanente de um anti-coagulante e os problemas que isso pode trazer em caso de hemorragias.
    Como Tal não gostou muito dos problemas colaterais associados ao uso do anti-coagulante, tratou de ver o problema como engenheiro e se perguntou porque não seria melhor tentar remendar a aorta para que ela não rompesse ao invés de trocá-la. É uma idéia que evidentemente já havia sido pensada e testada, mas não havia dado certo antigamente porque (entre outras coisas) o remendo não ficava fixo no lugar. Ele resolveu insistir, principalmente porque achou que os avanços tecnológicos atuais (Usar o CAD para criar uma versão 3D da aorta obtida por TC para então fazer uma manta personalizada flexível, porosa e costurada ao redor da aorta) poderiam fazer a velha idéia funcionar.
    http://ep01.epimg.net/elpais/imagenes/2016/11/17/ciencia/1479382718_479151_1479383875_sumario_normal_recorte1.jpg
    A parte difícil foi achar um cirurgião e um paciente que se sujeitasse ao procedimento e nem assim os problemas terminaram, já que o paciente desistiu no último momento. Ao cabo, o próprio Tal teve que ser o primeiro paciente e até hoje ele continua com o protótipo dentro dele. posteriormente ele abriu uma empresa que vende a prótese sob a marca de ExoVasc. Até hoje 76 pessoas usaram sua solução para o problema da aorta causada pela síndrome de Marfan e não há nenhum registro de morte devido a ela.