Caracol malvadão parte pra cima do predador e contra-ataca

O processo evolutivo é uma eterna corrida de dois sentidos. Por um lado, o predador mais adaptado em catar seu almoço pega melhor o almoço, fica fortinho e continua vivendo. Já a presa tenta de todo modo dar um jeito de escapar, não virar almoço, e viver mais. Nesse meio-termo, existem as presas que contra-atacam, partindo pra ofensiva em cima dos predadores. Divertido, não? Pois, é, foi isso que pesquisadores notaram com relação a alguns caracóis.

Aqueles cascudos (os caracóis e não os pesquisadores) desenvolveram uma técnica em que balançam suas próprias conchas para atacar seus predadores, que devem ficar com o maior sinal de interrogação na cabeça por causa disso.

O dr. Yuta Morii é pesquisador do Laboratório de Ecologia Animal da Faculdade de Agricultura da Universidade de Hokaido. O coitadinho não tem nem página pessoal.

Morii e seus colaboradores estudam algumas espécies de caracóis do gênero Karaftohelix, gênero que compreende alguns caracóis terrestres comuns na Ásia, como Japão e Rússia. Ao examinar o processo predador-presa, eles toparam com um detalhe interessante. Os caracóizinhos do coração são presas de insetos carabídeos, coleópteros carnívoros que atacam não só insetos, mas moluscos indefesos. A questão nesse caso é que as espécies Karaftohelix gainesi (natural de Hokaido) e Karaftohelix selskii (oriundo do Extremo Oriente da Rússia) atacam de volta, arrumando tempo para ferir seu oponente, de forma a mata-lo ou deixa-lo em condições lamentáveis a ponto de ralarem peito dali o mais rápido possível. Claro, nem sempre funciona, mas as poucas vezes que funciona já garante que o caracolzinho feliz possa gerar mais descendentes.

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Morii e seu pessoal observaram os comportamentos defensivos de cada espécie contra seu predador e realizaram medições de conchas e comparações de espécies,fazendo uso até de sequenciamento de DNA para analisar o quão estreitamente relacionadas as espécies estavam umas com as outras.

Já outras espécies de caracóis são mais covardes e preferem morrer a perder a vida, largando a concha pra lá e vão embora. O predador se distrai com a concha, e o molusco sai de fininho., nem sempre funciona, mas no caso dos dois caracóis kickboxers, eles partes pra porrada, atacando de volta, ainda mais que seus corpos estão adaptados para isso, deixando tio Darwin orgulhoso.

A pesquisa foi publicada no periódico Nature Scientific Reports (tá digrátis. Aproveite!). E lembre-se: se até um caracolzinho enfrenta seus piores inimigos, pare de lerdeza e enfrente seus problemas. Nem que seja para jogar uma concha no seu inimigo.

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