Confirmado um SPA em Enceladus

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Enceladus é um satélite muito legal, pena que não gosta de mulher, principalmente as friorentas. O satélite natural de Saturno, o Planeta-Estiloso, já se mostrou muito interessante pelos seus gêiseres, e já falamos sobre ele AQUI e AQUI. Mas eram gêiseres mesmo? Bem, sim e não. Sim, são gêiseres, e não, não são como os daqui da Terra. O que é aquilo, então?

Enceladus tem um problema sério. Ele está às portas de Saturno, que de pequeno não tem nada, sendo menor apenas que Júpiter e, óbvio, o Sol. A órbita de Enceladus faz com que ele seja massacrado pelas poderosas forças gravitacionais do Senhor dos Céus. Este joga-pra-lá/joga-pra-cá comprime e distende Enceladus, e como toda fricção gera calor, o interior do satélite acaba gerando pressão interna, que faz com que a água e o metano se esquentem demasiadamente, passando pro estado de vapor, o que gera mais pressão e este vapor precise encontrar um caminho, e como sua superfície não é lisa e perfeita, o vapor gerado faz com que abra-se fraturas na crosta do satélite e o vapor acaba escapando, como numa panela de pressão.

A sonda Cassini da NASA forneceu aos cientistas a primeira evidência clara de que a lua de Saturno Enceladus exibe sinais de atividade hidrotermal atual, que pode assemelhar-se visto nas profundezas dos oceanos da Terra. As implicações de tal atividade, em um mundo diferente do nosso planeta abrem possibilidades científicas sem precedentes.

Temos um vislumbre de nossa Terra em tempos imemoriais, quando memória ainda não existia, pois cérebros ainda não existiam e nem sequer vida. Entendemos o que está acontecendo com Enceladus, vemos o que pode ter em seu interior e quando vemos essa atividade hidrotermal, passamos a compreender melhor o Universo. E, claro, isso não matará a fome das criancinhas da África, mas seu celular também não fará isso.

De acordo com a pesquisa, grãos de rocha de tamanhos microscópicos foram encontrados pela sonda Cassini. Analisando os dados coletados (e lá se vão uns 4 anos só analisando esses dados), modelos matemáticos determinaram a granulometria e a natureza desses minerais. Assim que os gêiseres explodem, esses grãos são expelidos e podem ser vistos pela Cassini, trazendo informações sobre o interior de Enceladus.

Os pesquisadores descobriram que nas altas pressões previstas para o oceano escondido no interior de Enceladus, materiais gelados chamados "clatratos" poderiam se formar, aprisionando as moléculas de metano dentro da estrutura cristalina de água congelada gelo de água. Se você não se lembra ou não sabe o que é um clatrato, leia AQUI.

O problema na pesquisa é que estes gêiseres são tão grandiosos que teriam esgotado o oceano de metano. Dessa forma, os pesquisadores simplesmente não sabem como ocorre e porque ocorre esta abundância de gêiseres. Uma possibilidade é que os clatratos são arrastados para as plumas em erupção e cospem o  metano, como bolhas que se formam em uma garrafa de champanhe estourado.

Essa quantidade de metano poderia ser indicativo da possibilidade de condições para termos moléculas mais complexas, de forma a termos a base da vida? Eu acho que não. O chacoalhar gerando imensa temperatura e pressão faria meio difícil com que substâncias mais complexas apareçam, mas isso é opinião minha, e sabemos que a Natureza tem seus caprichos e nunca faz o que imaginamos que ela devesse fazer.


Fonte: NASA

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • cloverfield

    Caso cheguemos tão longe a ponto de explorar esse lugares e não encontramos vida ( o que seria uma pena) ao menos poderemos montar uma base lá.

    Quem sabe meus netos possam ver o que eu espero ainda em vida ver…