Primatas x Bactérias: Uma briga de milênios!

Nossa relação com micro-organismos é de longa data, desde quando também éramos micro-organismos. Nessa longa história evolutiva, nós e as bactérias (que eu considero seres melhores que muitos humanos à solta por aí) temos evoluído conjuntamente. Agora, análises de DNA de 21 espécies de primatas mostram pistas dessa briga, com atacante e defensor sendo selecionados mediante suas capacidades de sobrevivência.

O dr. Nels Ele, pesquisador da Faculdade de Biologia Molecular da Universidade de Utah. Ele e seus asseclas analisou o DNA de vários primatas, desde espécies de macacos-esquilo até seres humanos, e agentes bacterianos infecciosos na corrente sanguínea de seus hospedeiros. Os resultados demonstram a importância vital de uma estratégia defensiva cada vez mais apreciada chamada "imunidade nutricional".

Quando as bactérias que causam doenças infecciosas resolvem fazer uma espécie de blitzkrieg no futuro hospedeiro, o pobre infeliz acaba passando fome, já que aquelas sem-vergonhinhas das bactérias escondem o ferro nutricional da corrente sanguínea, dando de presente uma bela anemia aos seus anfitriões involuntários.

Nós temos muitas defesas, como a maneira tosca como espirramos, tossimos e ficamos com ranho escorrendo (desculpem) para expulsarmos estas desgraceiras de nosso corpo. Mas isso funciona pouco, apesar de termos sido projetados por uma criatura muito inteligente que nos deu dor nas costas e partos dolorosos por causa da nossa posição bípede.

Obviamente, se evolução existisse, a marcha evolutiva teria selecionado naturalmente indivíduos capazes de impedir que os invasores roubassem nossos bens. Assim, o corpo prepara formas de mandar democracia para as bactérias, começando por privá-las de recursos. Uma dessas táticas é a imunidade nutricional, que secretamente se realiza sob a nossa pele. Este mecanismo de defesa faz os talibãs bacterianos passarem fome, ocultando o ferro circulante, em que a proteína que transporta o ferro no sangue, a transferrina, esconde o ouro ferro do bandido.

Isso parece ter dado muito certo no início, mas tem um pequeno probleminha: a Seleção Natural dá, a Seleção Natural tira! Vários patógenos bacterianos, incluindo aqueles seres do Inferno que causam a meningite, gonorreia e outras coisinhas tão divertidas quanto desenvolveram uma arma safada: a proteína de ligação à transferrina (TbpA), que se agarra na transferrina para poder roubar o ferro. BANDIDAS!

Isso, todo mundo sabia. O que não se sabia direito era a importância disso na batalha pelo ferro, já que as interações entre hospedeiro e patógeno são transitórias e temporárias. Mas ao analisar marcadores genéticos, Elde desvenda o histórico dessa briga que já dura uns 40 milhões de anos, no tempo que a macacada andava à solta por aí. Para tanto, eles examinaram o trecho do DNA responsável pela transferrina em 21 espécies de primatas, e de TbpA de dezenas de cepas bacterianas. Estas observações genéticas contam a história da batalha dos dois exércitos, e estima-se que 25% de todos os seres humanos têm uma pequena alteração no gene que codifica a transferrina que impede o reconhecimento por várias bactérias infecciosas, o sinal mais recente desta longa batalha. Se a bactéria não reconhecer a transferrina, ela não pode se ligar nela. De outra forma, lá vem o bacterião, cheio de paixão.

A pesquisa foi publicada no periódico Science.

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