Bactérias tagarelantes ou como micróbios conseguem se comunicar

O estranho mundo de Hades não para de surpreender. Eu já fico abismado como algumas pessoas conseguem respirar e ter movimentos peristálticos, apesar do seu duvidoso potencial cognitivo. Como estranheza demais nunca é estranho o suficiente, pesquisadores estudam agora como bactérias podem se interrelacionar, estabelecendo métodos próprios de comunicação, o que pode explicar como nós mesmos nos comunicamos.

Se isso não ganhar um IgNobel, não sei o que estará mais apto a receber o prêmio.

O dr. Thom Scott- Phillips é membro do Departamnto de Antropologia da Universidade de Durham. Ele estuda as origens evolucionárias da cultura e da mente humana. Para tal, ele está usando algo bem similar: bactérias, em especial a Pseudomonas aeruginosa uma bactéria gram-negativa capaz de viver em ambientes hostis, além de ser um patógeno oportunista, que explora eventuais fraquezas do organismo para estabelecer um quadro de infecção. Praticamente um pedagogo.

A pesquisa do dr. Jerry, digo, do dr. Thom estuda como as felizes bactérias usam uma forma de comunicação combinatória, em que dois sinais são utilizados em conjunto para conseguir um efeito que é diferente para a soma dos efeitos dos componentes. Muitas espécies têm sistemas de comunicação nos quais dois ou mais sinais são produzidos ao lado um do outro. Este é o caso com dança abelha, por exemplo , onde uma parte da dança descreve direção e uma outra distância. E é o voo das abelhas que ajudam os cientistas a entender a evolução da inteligência humana.

Existem, entretanto, muito poucos sistemas de comunicação naturais que são conhecidos por serem adequadamente combinatória, em que dois sinais são produzidos em conjunto para conseguir um efeito que é diferente para a soma dos efeitos dos componentes Fora dos primatas, a comunicação combinatória é atualmente desconhecida no mundo natural.

Para você entender melhor, quando usamos palavras compostas, normalmente fazemos a direta ligação do significado com o significando. Quando eu falo "guarda-sol", você não pensa num vigia e o Sol. Você pensa logo no objeto. Isso fica ainda mais notório com aquelas expressões quilométricas do alemão, que acabam significando algo mais simples, e a evolução daí seriam os ideogramas, que não representam palavras e sim, como o próprio nome diz, ideias.

O que a pesquisa do dr. Scott-Phillips demonstra é que bactérias também criam comunicação combinatória, acabando com a ideia que apenas primatas superiores seriam capazes disso, embora eu conheça muitos H. sapiens que não conseguem juntar lé com cré. As pseudomonas usadas na pesquisa estabeleceram uma espécie de "comunicação", em que dois sinais foram utilizados em conjunto para conseguir um efeito que é diferente para a soma dos efeitos dos componentes.

É como usar o "guarda-sol" com elas e ver se elas respondiam mediante o significado. Obviamente, Thom não é maluco de conversar com bactérias; já basta eu tentando ensinar algo com meu chefe (dica: prefira a bactéria). O bom doutor estimulou as safadinhas a criarem mensageiros químicos que então eram enviados à outra bactéria, que sinalizava quando produzir determinadas proteínas necessárias para a sobrevivência da mesma .

Ao bloquear um sinal, depois o outro, os pesquisadores mostraram que ambos os sinais foram enviados separadamente e o efeito sobre a produção de proteína era diferente de ambos os sinais que estão sendo enviados juntos.

Para o dr. Scott- Phillips, isso tem sérias implicações para a nossa compreensão das origens da comunicação humana e da linguagem. Para mim é uma sonora BESTEIRA!

Entendam: Química não funciona assim, e o todo nunca foi igual à soma das partes. Pegue um pouco de proteína (clara de ovo serve cozida). Coloque em 4 tubos separados. Um deles será o controle. No 1º Tudo, coloque ácido clorídrico concentrado. No segundo, um pouco de pepsina. No terceiro, HCl e Pepsina (já falei que o quarto será o controle).

HCl não é oxidante, não ataca diretamente a proteína. Pepsina é uma enzima, e nada faz contra a proteína. Mas a combinação HCl+Pepsina simula exatamente o que acontece no seu estômago e a proteína é digerida. Isso não tem nada a ver com o André escrevendo num blog ou você dando explicações para a sua mulher porque você chegou chapado, amassado, com cheiro de cachaça e batom no colarinho. Assim, a pesquisa do bom doutor, que pode sacar um bocado de Antropologia, mas demonstrou não entender porra nenhuma de Química.

O trabalho foi publicado na PloS ONE. Divirtam-se lá.


Bactéria conversando… ora pombas!

Um comentário em “Bactérias tagarelantes ou como micróbios conseguem se comunicar

  1. Há também o exemplo da água salgada onde os elementos isoladamente água destilada e sal não conduzem eletricidade,mas combinados sim! e em relação à pesquisa acho que seria útil para combater infecções ao controlarmos mensagens enviadas às bactérias.

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