No planeta Aurora, Jander Panell é assassinado. Para investigar o caso, o detetive Elijah Baley precisa entender todo os fatos e o principal é: Quem iria querer matar um robô? Aí começa a trama do livro Robôs do Amanhecer, de Isaac Asimov, no qual discute-se, mais uma vez, o papel dos robôs em meio aos humanos. Mas, acima de tudo, o problema é "por que não matar um robô?" Qual a diferença entre puxar a tomada de um robozinho (ou robozão) e desligar os equipamentos de suporte de vida de um paciente terminal?
Em outras palavras: robôs têm direitos?
O começo disso é entendermos o conceito senciência. Isso nada mais é que a capacidade de sentir prazer, felicidade, desconforto e sofrimento. Os adeptos dos direitos dos animais usam este conceito para questionar a ética das relações entre humanos e animais. Seja o cãozinho bonitinho de uma família tosca que o maltrata até experimentos animais.
Quanto mais acima na escala evolutiva, maiores serão as capacidades do animal em questão sentir dor, prazer etc. E sim, há diferentes graus, já que uma planária não tem nada maior que uma notocorda vagabunda. Isso é uma das coisas que me faz criticar defensores de animais, onde eles só defendem animaizinhos fofuxos e não o lagartão, simplesmente porque lagartões não têm uma resposta emocional que possa ser facilmente reconhecida. Assim, para os "éticos" defensores dos animais, beagle tem que ser protegido, planária tem que levar banho de desinfetante e lagarto só remete na lembrança a tipo de carne bovina.
Um peso, duas medidas!
Kate Darling é pesquisadora do MIT. Ela estuda como nós, toscos seres humanos, estabelecemos relações emocionais, não com humanos, animais e as coisas que comentam em portais de notícia. Ela pesquisa as nossas reações frente a um robô, mas longe de ser um robô tipo T-1000, ela usa robozinhos fofinhos, rechonchudinhos, como Pleo:

A querida Kate, na verdade, é uma sádica. Eu a imagino no fundo do seu castelo, saindo de sua sala e se direcionando ao calabouço. Lá, ela pega um pobre robozinho inocente, e com um sorriso no canto da boca, Kate o leva até uma sala, onde pede para que pessoas façam mal de alguma maneira ao pobre robozinho infeliz.
Ok, deve ser bem menos dramático do que isso.
Em uma oficina que ela organizou este ano, Kate Darling pediu às pessoas para que brincassem com Pleo, um robô que representa um filhotinho de dinossauro, e todo mundo adora filhotes e dinossauros. Depois de uma hora sendo permitido brincar, fazer cocegas, abraçar, dar beijinho etc, A Querida não-tão-querida, mostra seu ar de insânia, dando uma gargalhada e mandando bater com facas, machados etc.
Ok, a parte da risada insana é licença poética, mas ela realmente mandou que as pessoas batessem, agredissem e mutilassem Pleo. As pessoas a olharam horrorizadas. Seria o início do reconhecimento que robôs também terão direitos no futuro? No início do blog – em 2006 –, eu veiculei uma notícia sobre isso.
Se conseguimos criar laços de empatia com robozinhos só por serem bonitinhos, o que aconteceria se eles realmente lhe forem úteis, a ponto de salvar a sua vida? O Cardoso postou um artigo contando o caso de um destacamento de 6 homens em meio a uma cerimônia fúnebre. Um robô daqueles que ajuda a desativar bombos estava sendo enterrando com honras militares (!) e os soldados o reconheciam como mais um companheiro que tinha tombado em combate.
Observem que o robô em questão não dava nenhuma resposta emotiva, diferente de Pleo, e mesmo assim os soldados se apegaram a ele, reconhecendo sua importância e criando laços afetivos. Bem, tem gente que cria iguanas, que não são os animais que mais demonstrem afeição, diferente de cães, gatos e ate mesmo aves. Ainda assim, muitas pessoas têm iguanas como bichinho de estimação; e se eu tivesse um, daria o nome de "Godzilla". Just saying.
Quando conseguirmos, por via dos avanços em Inteligência Artificial, que um robô tenha maiores respostas emotivas,a ponto de (quase?) chegar na senciência, ele não será visto como uma máquina e sim como outro ser vivo. E se tem gente que se preocupa com os mais toscos bichos possíveis ou até mesmo conversam com as plantas, esse robô poderá despertar as emoções mais básicas no ser humano: amor e ódio.
Por outro lado, se ficamos bem irritados quando algum desocupado arranha nosso carro ou mesmo escreve "Me lave, seu porco" na lataria um pouquinho empoeirada, com um robô amigo, ficaríamos realmente putos e tanto de uma forma ou de outra, isso não só pode ir parar na polícia, como acabar de maneira mais trágica, se não pelo robô avariado, pelo zé ruela que vai levar um pombo sem asa no meio da ideia por ter chutado Robby (neste caso, Susan Calvin não veria nada demais de mandar o perpetrador do chute para o outro mundo).
O problema-mor disso tudo é que não conseguimos, em muitos dos casos, desenvolver empatia nem com o vizinho; por isso que temos leis de forma a nos impedir de voltar à barbárie. Um direito dos robôs soa exagero? Mas temos bioética e cientistas seguem várias normas impedindo sofrimento desnecessário aos animais, enquanto honram toda a ajuda que eles dão para salvar vidas. Nenhum cientista é um maníaco animalicida (sim, eu sei!), só este pessoalzinho metido a defender animais (mas não todos os animais, já que alguns animais são mais iguais que os outros) só se interessa por uns poucos. Coube a Ciência desenvolver mecanismos para resguardá-los e chegará uma hora que robôs terão direitos.
Só espero que este dia chegue depois que os direitos das pessoas sejam integrlmente respeitados.
Fonte: BBC

Planárias com notocorda? Tá certo isso, produção? hahaha
“Planárias apresentam cordões nervosos longitudinais bem difusos que se encontram nos gânglios cerebrais.” (ok, admito, tive que olhar isso num livro)
Acho que matar um robô hoje seria como puxar a tomada do computador (acredite, isso dói em mim), mas eu confesso que chorei com O Homem Bicentenário.
Talvez, se as máquinas atingirem o senciencia, irão aparecer defensores de robôs (mas claro, eles só dependerão os robôs humanóides ou, no mínimo, parecidos com cachorros)
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“notocorda VAGABUNDA”
Sério, como vocês passavam de ano nos colégios com uma péssima interpretação de textos assim? Sério, o colégio onde vc estudou é uma sonora merda.
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