Tenha um bichinho de estimação: salamandras gigantes japonesas

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Todo mundo quer um bichinho de estimação. Quando eu era criança, pedi pro meu pai um animalzinho para eu brincar e fazer companhia. Ele me perguntou se eu queria um cachorro, um gato ou um periquito (aquário eu tinha e ainda tenho até hoje). Eu disse que não, que queria um escorpião daqueles pretões do deserto. Bem, meu pai não me deu meu bichinho querido, perguntou se eu era maluco e fiquei traumatizado pelo resto da vida.

Japoneses acham que isso é meio Meh! Em um tanque de exposição japonês, um casal feliz está com sua mais recente cria. Não é bem um escorpião modafóca. É um anfíbio: uma salamandra gigante mais feia que a necessidade, mas cheia de amor pra dar.

Os Hanzakes pertencem à espécie Andrias japonicus. É algo grande, feio e que povoará os meus pesadelos hoje à noite. Esta coisa chega até a 1,5 metros de comprimento, pesando 36 kg e sempre com cara de "me dá um beijinho" (eca!).

A salamandra gigante japonesa é uma das maiores de seu tipo no mundo: um troço viscoso e malhada que pouco mudou em milhões de anos. Seu esqueleto é muito pouco semelhante a um fóssil de 300 milhões de anos, por causa disso, alguns insistem em usar a estúpida terminologia "fóssil vivo". O fato de ela ter mudado pouco significa que ela mora num ambiente estável, com pouquíssimas mudanças ao passar dos séculos. Qualquer mutação mais séria deixou o indivíduo incapaz de sobreviver no local, e os que já estavam adaptados continuaram, levaram as patinhas para a orelha e fizeram "Blé" (isso é uma metáfora, caso você não esteja acostumados com letras pouco mais elaboradas que Funk).

As salamandras badass são normalmente noturnas e como suas colegas nanicas, adoram ambientes úmidos. Curiosamente, são muito pouco vistas, o que é estranho em se tratar de um bicho enorme assim. Elas se escondem nas águas frias de montanhas e colinas.

Mais curioso ainda é saber que tem gente que COME esta coisa. Eu, de minha parte, não chego perto de qualquer coisa que esboce capacidade de ME comer, pouco importando se é carnívoro, herbívoro ou almoça no McDonald’s. Elas normalmente se escondem, quando ameaçadas, mas não desdenham de dar uma mordida em algum mané que chegar muito perto

Como quase esteve sob ameaça (japoneses parecem que têm uma tara de tentar exterminar qualquer bicho, nem que seja marinheiro norte-americano descansando no Havaí), agora o anfibiozinho do bem repousa feliz em tanques protegidos por museus e universidades.

Sinceramente, acho carpas japonesas mais bonitas, mas um país que também teve a brilhante ideia de deixar um macaco nazi fazer brincadeiras com lixo, vemos que é bom não facilitar.

Essas salamandras malandras já se reproduziam em cativeiro. Um dos principais locais em que elas são cuidadas é o Museu de História Natural Hanzake. Agora, pela primeira vez, elas estão se reproduzindo em cativeiro, mas num tanque externo, o que é algo a ser comemorado, já que as danadinhas não curtem muito se reproduzirem em cativeiro. O Peta deve encher o saco com isso, esquecendo que se largassem as malandrinhas na floresta, elas seriam caçadas e virado almoço (só não virariam hambúrguer porque só fazem isso com carne de minhoca. A Internet disse, então é verdade).

O Museu teve o máximo de cuidado com as instalações, mantendo os tanques em uma temperatura adequada, controlando o pH, intensidade de luz e ar. Tudo isso para dois machos e três fêmeas. Combinando machos e fêmeas (para evitar que eles briguem entre si, já que não existe lei Maria da Penha no Japão) Daigoro e Sachiko procriaram, mediante o processo que seus ancestrais sempre fizeram: fecundação é externa. Macho e fêmea expelem suas células germinativas e os espermatozoides nadam em direção aos óvulos. Em outras palavras, se você mergulha por aquela área, está no caminho de um monte de espermatozoides alegres e contentes achando que você é um óvulo. Saichiko, foi a mãe feliz de 500 lindos ovinhos, todos a cara do pai.


Fonte: National Geographic

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Sobre André Carvalho

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