Os traços biológicos de uma catástrofe estelar

Quando uma estrela já não aguenta mais, está totalmente de saco cheio e vê seu contra-cheque as forças internas são tão grandes que a gravidade não consegue mais segurá-las, ela explode de forma violenta e avassaladora. Claro, isso vai depender do seu tamanho, já que o nosso Sol "apenas" se transformará numa gigante vermelha, devorando todos os planetas rochosos, para depois encolher, não restando vestígios de Mercúrio, Vênus, Terra e nem Marte. Se ela fosse mais massiva, se transformaria numa supernova e durante sua explosão, toda a sua massa estelar seria expulsa, espalhando sua poeira, de quem somos filhos.

Agora, cientistas alemães estudam a origem do Cosmos por uma outra frente: por vias biológicas, onde fósseis dão indícios da magnífica e temerosa explosão de uma supernova.

Antes de mais nada, que tal revermos o que é uma supernova. Como estou com preguiça de explicar, vai na base do videozinho, como este aqui embaixo:

Aprendeu? Beleza, vamos continuar. Temos que a origem de todos os elementos pesados está nas estrelas massivas que explodiram em supernovas. Entre eles, o o isótopo radiativo Fe60 a, cuja meia-vida é de "apenas" 2.62 milhões de anos. Isso é fichinha frente a um planeta como o nosso que tem 4,5 BILHÕES (e bilhões) de anos, que dirá se o compararmos com o Universo (uns 14 bilhões de anos).

Levando em conta que o Fe60 provém basicamente de uma explosão de supernovas, ao se encontrar vestígios do referido isótopo, teremos uma sólida indicação da explosão de uma supernova em nossa vizinhança.

O dr. Shawn Bishop é professor de Astrofísica do Technische Universitaet Muenchen. Ele e seus colaboradores estão à caça de evidências de explosões de supernovas, mas não foi olhando para o espaço que ele obteve respostas. Sua pesquisa olhou para baixo, em pleno oceano Pacífico, onde algumas bactérias que têm um carinho todo especial por Fe60 foram peça-chave para se obter respostas.

Algumas bactérias são curiosas, como as bactérias magnetotácticas. Sua primeira descrição surgiu em 1963, numa publicação do Instituto de Microbiologia da Universidade de Pavia, escrito por Salvatore Bellini. Ele analisou sedimentos de um pântano em seu microscópio e notou um grupo de bactérias que orientavam-se mediante os polos magnéticos da Terra. Ele as chamou de "bactérias magnetosensíveis" e você poderá saber mais sobre elas na sua wikipédia amiga (você não esperava que tivesse artigo sobre ela na Wikipédia lusófona, né?)

Nos restos fósseis dessas bactérias, Bishop e seus colaboradores encontraram uma ambrosia de Ferro-60. Esta é a primeira assinatura biológica comprovada de uma estrela em nosso planeta. A determinação da idade do núcleo de perfuração mostrou que a supernova deve ter ocorrido há cerca de 2,2 milhões de anos. Isso é muito tempo e mal tínhamos ideia que iríamos ser algo melhor que um chimpanzé (ainda tenho dúvidas se realmente conseguimos).

Se você está interessado na pesquisa, poderá ler o PDF do artigo inteiramente AQUI. Divirta-se!

Um comentário em “Os traços biológicos de uma catástrofe estelar

  1. O documentário “Maravilhas do Universo” apresentado por Brian Cox é fascinante, vale a pena ver e rever (e tentar aprender alguma coisa) muito bom artigo. :shock:

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