Impressoras 3D ajudando no estudo de fósseis

Fósseis são muito importantes. Eles nos ensinam mais sobre o passado da Terra e sobre os seres que viveram. A saber, todas as espécies fossilizadas que foram descobertas até hoje é uma ridícula fração de tudo o que já viveu. O processo de fossilização é demorado e difícil, e muitas das espécies do passado não tiveram a sorte de serem fossilizadas para que cientistas pudessem estudar. Por isso, cada fóssil é tratado como o tesouro que ele realmente é, e muitas vezes não se pode nem movê-lo para não destruí-lo.

Levando isso em conta, como cientistas poderiam estudar fósseis e compartilhá-los com seus colaboradores ao redor do mundo? Como um estudante da Nova Zelândia estudaria fósseis encontrados no Chile? A resposta vem através de impressoras em 3D, que literalmente imprimem uma cópia do fóssil para que possa ser compartilhado.

O dr. Nicholas Pyenson costuma ver bichos mortos… todo o tempo. Ele é curador do departamento de Fósseis de Mamíferos Marinhos do Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsonian. Sua especialidade são tetrápodes, animais de 4 membros, como eu, você e uma tartaruga marinha, apesar de tartarugas não serem mamíferos, obviamente.

Como todo paleontólogo, Nick Pyenson sabe a dor de cabeça que é não só encontrar um fóssil, como escavá-lo, limpá-lo e se tudo for um bom dia, removê-lo do local, mas o certo é que o estudo seja in loco. Se na minha idade já tenho problemas de deslocamento, imaginem um fóssil só um pouquinho mais velho (como umas dezenas de milhões de anos).

Pyenson fez uma viagem de pesquisa em Cerro Balena, Chile, em 2011, quando ele decidiu verificar se um sítio local para construção da estrada no deserto de Atacama, onde os trabalhadores supostamente haviam descoberto dezenas e dezenas de esqueletos de baleias. Estrada + Fóssil = final bem infeliz.

Com os poderes a ele conferido, Pyenson chamou o Capitão Planeta  usou a mais moderna tecnologia de impressora 3D para "xerocar" o que tinha ali. O problema é: como ele fez a cópia? Simples: fazendo um escaneamento 3D dos restos mortais das baleias antes que a pesquisa baleiasse. Para entender melhor, vejam este vídeo:

A bem da verdade, houve uma corrida de cientistas para desenterrar os fósseis, mas uma informação preciosa seria perdida logo de início: a disposição deles. A maneira como os restos baleiais estavam dispostos dão informações sobre como eles morreram e possivelmente o porque da tragédia. Este tipo de informação não pode ser perdido, então,  Pyenson levou toda a tralha pro local e escaneou todos os fósseis no lugar, de forma a transformar em informação digital para que pudesse reproduzir cada peça encontrada. Abaixo, o paleontólogo em ação:

De posso dos modelos digitalizados, bastava imprimi-los. Pyenson foi correndo contatar uma equipe especializada em impressão em 3D, também conhecida de Laser Cowboys, oque parece mais título de episódio do Brave Star (e eu agora percebo o quanto estou velho). O resultado ficou muito bom, a começar pela imagem que abre o artigo, que não são fósseis e sim réplicas feitas em plástico por uma impressora 3D. Acharam pouco? Que tal mais uma?

Sim, está reduzido. Pense no custo, filho e na logística de transporte.

O Instituto Smithsonian está fechando parcerias com empresas especializadas em impressão em 3D, de forma que possam fazer por um precinho camarada ou mesmo de graça, já que este tipo de coisa não sai barato, ainda mais pelo tamanho dos fósseis encontrados. Caso contrário, o custo poderia chegar a 1 milhão de doletas, enquanto que no Brasil isso seria encarado como pedra velha e parado pela Polícia Federal e/ou destruído nos postos da Aduana.

Qualquer um agora pode estudar os fósseis como eles estavam no local, sem ter que ir ao local. Imaginem se as modelagens feitas pudessem estar disponíveis para download, de forma que todas as universidades do mundo pudessem ter a sua própria réplica, arcando apenas com os custos de impressão, onde estudantes e pesquisadores possam ver os detalhes sem ter que implorar por verbas para viajar, já que um modelo 3D estaria disponível a todos.

Deu até vontade de eu mesmo comprar uma impressora 3D e imprimir estes fósseis para servirem de decoração.


Fontes:

8 comentários em “Impressoras 3D ajudando no estudo de fósseis

  1. Andre, não vai demorar muito para que todas (boas e sérias) universidades tenham essas impressoras 3D para realizarem cópias de fósseis para estudos, aqui em pindorama, você já disse, o empreiteiro da obra mandaria passar em cima dos ” ossos velhos e dos pesquisadores” tasmbém, bom artigo :shock: :mrgreen:

      1. @André, Acho que ele não estava se referindo às universidades brasileiras. Mas espero os benefício dessa brilhante ideia faça pressão para serem implementados no meio acadêmico.

  2. Muito legal, vamos ter esperanças que devidamente :mrgreen: superfaturadas as impressoras 3d fiquem disponíveis nas universidades brasileiras para este fim. Cara, também figuei na vontade de ter um impressora 3d para reproduzir fosseis e pendurar na parede.

  3. Olha, André, eu estudo no campus de Bauru da Unesp e aqui há impressoras 3D sendo usadas para projetos de Design, Arquitetura e das Engenharias… Acho que logo logo o DP de Ciências Biológicas terá chance de adquirir um e fazer uso para fósseis também…

  4. E concordo contigo, adoraria imprimir um Anomalocaris ou algum euripterídeo e ter noção das medidas reais para desenhá-lo (apesar de me formar em Design, quero seguir na área de Ilustração – principalmente de Fotorrealismo para, digamos, “fotografar” estes animais quando vivos).

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