Éramos mais saudáveis no tempo de nossos pais?

Como toda pessoa que estuda algo da linha do 8º ano do Fundamental (ou 7ª série) sabe, seres humanos não se desenvolveram para comer apenas vegetais. Da mesma maneira, não evoluímos para a carnivoria estrita. Seres humanos são onívoros e precisam dos nutrientes obtidos em todos os tipos de alimentos, a despeito do que venham lhe dizer os panfletinhos verdes entregues por pessoas anêmicas.

Nesse ínterim, há algumas pessoas que defendem que todos os males e doenças da vida moderna… bem, são causados pela vida moderna, e buscam resgatar modus vivendi de nossos antepassados. São os paleo-entusiastas.

John Durant é um deles. Ele tem um blog onde diz que podia estar roubando, podia estar matando era um funcionário estressado, com sobrepeso, triste, infeliz e amargurado, e só faltou o solo de violino para complementar. Ele descobriu o caminho, a verdade e a vida quando decidiu se tornar algo que nossos tatatatatatataravós foram: caçadores e coletores.

Segundo ele, a medicina moderna nos diz que carne vermelha faz mal, entre outras coisas, mas lembra que no passado remoto nós comíamos isso, além de frutas e demais vegetais. Aliado a isso, não tínhamos uma vida tão sedentária e, por causa disso, vivíamos com mais saúde do que hoje.

Tudo isso faz o maior sentido, como toda falácia faz; e toda falácia vem com meias verdades. Por exemplo: foi a ingestão massiva de proteínas de origem animal que nos deu o desenvolvimento cerebral que temos hoje. Ela ajudou a moldar nossa massa muscular, e quando adicionamos o fator "cozimento" aí mesmo que nosso intelecto nos propiciou dominar o planeta, o que muitos questionam se foi uma vantagem.

Só que toda meia-verdade é acompanhada de meia-mentira. Também é fato que nessa época a expectativa de vida não era lá essas coisas. A bem da verdade, no início do século XX a expectativa de vida era de cerca de 50 anos, se tanto. Nos tempos pré-históricos, havia alto índice de mortalidade infantil, não que em muitas partes do interior seja muito diferente. O nomadismo era justamente por causa da dificuldade de conseguir comida, e isso quando VOCÊ não era a comida de algum animal faminto.

Na Reversal Pré-Histórica, a comida come VOCÊ!

Voltando às meias-verdades, Durant critica que o mal que as carnes fazem hoje são devidos ao processamento de alimentos e que estes não estão mais frescos, chegando perto daquele velho lenga-lenga que os alimentos <voz cavernosa>contém quimicaaaaaaaa!</voz cavernosa>. Só que ele se esquece que isso é devido aos métodos de conservação, já que ninguém aqui tem que caçar todos os malditos dias, e isso quando tem algo pra caçar ou você efetivamente consegue pegar algo, já que antílopes não estarão lá sempre dando mole pra você.

Ingestão de carnes vermelhas realmente faz mal, quando a dieta é desbalanceada (eu falei sobre isso no artigo do Veganismo Desmascarado). Tudo em excesso faz mal e com carnes vermelhas não é diferente. A alegação que nossos tata(…)taravós não morriam de câncer por causa das carnes, devemos lembrar que eles não viviam suficientes para isso. Por outro lado, você pode ter seu colesterol lá em cima sem sequer comer carne vermelha. Pegue deliciosas batatas, frite-as em óleo de soja, ou então berinjelas ou algum outro vegetal. Pode ser abobrinha mesmo, que é o tipo de alimento que muitos idiotas são especialistas.

Os paleo-entusiastas são muito entusiastas da vida antiga, mas não abrem mão de seu banhinho quente, seus computadores, celulares etc, roupas ou vacinas. Ninguém quer ir morar numa savana africana para sair no tapa com uma hiena, cuja vida duríssima só consegue ser levada adiante mediante muito bom humor.

(nota mental: apagar a piada idiota acima antes de publicar o artigo)

A necessidade de alimentos de origem animal é um fato para o ser humano e trocar isso por trocentos suplementos alimentares não faz o menor sentido. Da mesma maneira, com a quantidade de agrotóxicos que vêm nos vegetais, eles também não são garantia de alimentação saudável e aquela besteira de "tomate orgânico" etc faz muito sentido quando você nunca teve uma horta em casa, onde antes de amadurecer o tomatinho feliz já está sendo atacado por insetos. Agricultura "orgânica" é antieconômica e nenhum produtor conseguiria arcar com custos de uma produção reduzida e, por conseguinte, cara, e eu duvido que você aí queira pagar 10 reais por meio quilo de tomate, sem esquecer das perdas durante o transporte.

O princípio pregado pelos paleo-entuasiastas é legal e faz sentido enquanto princípio, mas o mundo real mostra que as coisas não são bem assim, da mesma forma que boizinhos felizes no campo pastando e você se divertindo com seus rabanetes deliciosos feitos no vapor, sem nem usar um baygon contra um mosquito, pois você é ético, mesmo vivendo num mundo natural que o exterminaria sem o menor aviso e, para piorar, sequer se importaria.


25 comentários em “Éramos mais saudáveis no tempo de nossos pais?

  1. André,
    O texto é ótimo. Aliás, o site é ótimo! Ante ao desenvolvimento, principalmente da ditadura vegan – que agride nossos direitos subjetivos – e objetivos – elevando a condição do animal irracional ao mesmo patamar que a condição humana;fico feliz em ter contato com um espaço assim.
    Todavia,não deixemos de lado que a vida moderna capitalista, com todos os avanços que efetivamente conquistou do ponto de vista cientifico, não socializou estes mesmos progressos. Progresso que longe de ser linear é contraditório: marcado pelo conflito e pela disputa que não é natural. Mas sim social.
    Portanto, a exaustão moderna tem sua razão de ser. Não se trata de pensar que erámos mais saudáveis nos tempos de nossos antepassados homo-primatas. Mas de compreender que o nível de exploração com as novas tecnológicas – em um modelo específico de organização econômica – não decaiu.Ao contrário, apenas aumentou.
    A produção tecnológica e o modo como é gerenciada a partir da saída da fábrica, não resultou necessariamente em uma melhoria de vida para todos. Mas para alguns!
    Vacinas, que um número cada vez mais preocupante de religiosos esquisitos que acham que sem comer carne são mais puros do que os outros (lógica nazista de conduta) não atentam para o verdadeira problema de uma sociedade que se organiza como a nossa e que atinge também o fazer cietífico. Qual seja: a população guatemalteca foi incubida com sifílis para pesquisa de vacina.
    Uma vacina contra a sifílis deve ser testada em toda a sorte de animais, descobri-la salvou muitias vidas.Todavia, uma ciência que não respeita a condição humana não pode ser considerada ciência mesmo que descubra a cura do cancer.
    Ainda assim, com barbárie contra um grupo humano tão humano quanto nós ainda morre-se de sifílis? Por que? Porque, de fato,o conhecimento cientifico não é apenas uma junção de questôes racionais e biológicas.
    Ele também precisa ser pensad do ponto de vista social. Pensando em relação ao sentido de sua função e sobre quais interesses está relacionado.
    Por fim, a vida moderna têm matado com um diferencial substancial em relação aos nossos antepassados não porque a ciência não tenha conseguido salvar vidas.
    Mas porque hoje as condições de impedir o falecimento de milhões de milhares de pessoas se apresenta como nunca antes na história da humanidade. Não há escassez (papo furado de vegano); temos desenvolvimento tecnológico suficiente para liberar cada vez mais as pessoas do trabalho e não falta conhecimento médico para ser aplicado na prevenção e tratamento de doenças simples.
    Mas ainda assim, morre-se por excesso de trabalho e com doenças simples. Por que para além das questões distributivas óbvias não se respeita mais a condição humana. E um monte de criaturinhas que tem progressivamente seu cerébro deterioradopelo excesso de alface sai por aí agredindo o desenvolvimento científico e defendendo os direitos de baleias e jacarés reduzindo-nos à condição de irracionais. E o que é pior: se arvorando do direito de se dizerem de esquerda.
    Enfim, foi um desabafo.
    Obrigada pelo Blog.

    1. @Ju, sua retórica é vil e seu texto ficou extremamente prolixo, meus parabéns! Nunca tinha visto um assim! Não liga pro André, ele só estava brincando com você!

  2. Se éramos mais saudáveis no tempo de nossos pais? Eu não sei… não era nascido naquela época… muito menos na era do Niemeyer ( antes dos dinossauros )!! Prefiro ficar comendo galinha com quiabo, costelinha de porco com polenta, feijão tropeiro… sem me preocupar se faz mal ou não!! Não vou trocar os pratos acima por uma salada de alface, ou um risoles de chuchu ou mesmo uma caçarola de cenouras!!! E você, André…trocaria???

      1. @André, …que a longevidade está aumentando, o que denota uma geração mais saudável e imune a doenças. (Engraçado é que saiu outra pesquisa mostrando a ascensão do número de ateus desde a década 60 e a queda no número de católicos. Talvez o paraíso esteja ficando lotado).

        Pode-se resumir esse post com “Tudo em excesso faz mal e com carnes vermelhas não é diferente.” Lógico, fazemos parte de um ecossistema, onde tudo é reaproveitado, somos sub-produto do próprio meio em que vivemos. Precisamos de um determinado grupo de nutrientes, sabemos quais são eles e que porção de cada um é a ideal, ninguém vai sair por aí comendo 1kg de Plutônio (até por ser meio caro no mercado negro). Sabemos também que aliado à boa alimentação precisamos de exercícios físicos e consultas frequentes a médicos.

        Agora porra, esse papo de vegetariano já encheu o saco. Somos onívoros. Ponto. Não se tem o que discutir. Tá com pena do boi que grita na hora do abate? Coma peixe, ele não grita. Ou não coma carne, mas não perturbe. É irônico perceber que, enquanto religiosos têm sérios problemas com História, vegetarianos têm sérios problemas com Biologia.

  3. André, mas é certo dizer que devido aos avanços da ciência, a evolução foi afetada atualmente, pois tratamentos médicos salvam pessoas com doenças que antigamente morreriam, possibilitando assim o aumento das chances de passar sua herança genética para o decendente? Isso alterou de algum modo um tipo de seleção natural que ocorria antigamente?

    1. Em termos filosóficos fica-se uma questão interessante, já que o Homem é parte do mundo natural, logo a seleção seria tão natural quanto um meteoro caindo. Eu chamo isso de seleção natural pois ela não teve esta meta, ao passo que separar espécimes para cruzamento e seleção de filhotes com uma ou outra categoria seria seleção artificial, posto que teria a intenção (ou quase) de ter uma espécie totalmente diferente.

    2. @Breno Bernardes, Eu também já andei elucubrando sobre isso. Imagine um futuro meio radical: andaremos vestidos num macacão, que nos isolará do ar atmosférico o qual, além de poluido, estará pululando de bactérias, vírus etc; que poderão nos detonar muito facilmente. Sabe-se lá o quanto nosso sistema imunológico poderá estar debilitado, tanto por conta da “troca” da seleção natural pela dependência do consumo de remédios. Afinal de contas, se remédios serão usados para nos curar, como o nosso sistema imunológico iria aprender a nos defender de alguma nova ameaça? Sei lá, parece (?) meio catastrófico, mas não deixa de ser uma possibilidade.

        1. @André, E, a idéia é até que é interessante. O ambiente voltaria a selecionar os melhores adaptados. Mas quem é que vai deixar de cuidar daquele filho que, as vezes, nem mesmo remédio dá solução de cura? Seria desumano. Entretanto, não foi remédio algum que fez com que um “bicho estranho” se torna-se Homo sapiens e, sendo assim, Darwin não poderia dedica seu amor por mim.

      1. @GusC, Se bem que seleção natural não é para resolver coisa alguma. Sua função é, simplesmente, esta: selecionar aquele ser vivo mais adaptado às mudanças no ambiente. Quem não já nasceu com a tal adaptação à nova realidade, já era!

        1. @Deimos, dizer que não resolve coisa alguma é demais, mas não esperar que ela resolva uma mutação é fato. Meu comentário foi dirigido ao colega lá em cima, o Breno.

          1. @GusC, Mas eu não disse que não resolve, eu disse que não é para resolver. Existe uma grande diferença ai.

          2. @Deimos, creio que estamos falando da mesma coisa, mas de diferentes óticas. Quando falei “Aí não tem seleção natural que resolva”, não quis dizer que um ser qualquer criou a função “Evoluir” afim de alcançar a perfeição das espécies ou algo parecido, mas que ela existe por si só, e que nem sempre pode selecionar o mais adaptado pois há o fator da mutação. Da mesma maneira que, por ser um fator adaptativo e não correcional, não é objetivo da evolução moldar os seres vivos à perfeição. Mesmo porque perfeição é algo relativo, estando diretamente relacionado com o meio em que se vive.

            Enfim, pra não ficar uma conversa redundante, acho melhor encerrarmos por aqui.

  4. O mimimi foi interessante. Achei bem divertido mesmo. Não fiquei chateada, pois, meninos com complexo de édipo insuperado tem desses problemas.
    O que exatamente é vil? Não entendi. Quando ocorre o julgamente é necessário uma argumentação que o justifique. Sem isso a resposta torna-se religiosa.
    Meu texto não nega os avanços óbvios da ciência. Antes pelo contrário! O que disse é que toda física não é meta-histórica. Não encontra-se fora de um devir histórico que não é natural.
    Toda construção humana é resultado de conflitos e conciliaçãos, inclusive, a ciência. A expectativa de vida aumentou, decerto. Mas é possível mesmo dizer que a ciência beneficiou a todos de forma equilibrada e em termos de igualdade?
    O modo como a ciência irá assumir suas feições não está desligado do modo como a sociedade se organiza. Taine, cientificamente provou a superioridade de povos brancos sobre povos de qualquer outra tez. Equiparando negros a cavalos e macacos. Isso porque precisava de uma razão para justificar invasão e colonização.
    O mesmo que os vegans hoje fazem: mas ao invés de diminuir os humanos eleva os animais. O mesmo discurso ilutrado – que filosoficamente – justificou a eliminação de grupos humanos inteiros.
    Enfim, ciência não é sujeito. São os sujeitos que criam e se apropriam do conhecimento cientifíco instrumentalizando em favor de seus interesses. Tornar a ciência em si um sujeito e o mesmo que inventar um Deus.
    E já que falamos sobre leituras: vão estudar! Lukáks, Goldman, Marx e Chalhoub discutem o elementos filosófico da ciência de modo bem menos mimimi…
    Meta-física é tenebros. Mas meta-história é assassinato de milhares. Não tendo isso em mente, não diferentes dos religiosos que criticam.

    1. O mimimi foi interessante. Achei bem divertido mesmo. Não fiquei chateada, pois, meninos com complexo de édipo insuperado tem desses problemas.

      Considerando que vc foi a autora do besteirol, então o lance do complexo de Édipo é totalmente direcionado a você. Lógica não é seu forte, não é mesmo? ;)

      O que exatamente é vil? Não entendi.

      Que vc não entendeu, é mais que óbvio, desde as primeiras linhas de seu compentário profundo como um pires.

      Quando ocorre o julgamente é necessário uma argumentação que o justifique. Sem isso a resposta torna-se religiosa.

      Julgamento é uma coisa, conclusão é outra.

      Meu texto não nega os avanços óbvios da ciência.

      Irrelevante ao presente artigo.

      Antes pelo contrário! O que disse é que toda física não é meta-histórica.

      Irrelevante ao presente artigo.

      Não encontra-se fora de um devir histórico que não é natural.

      Irrelevante ao presente artigo.

      Toda construção humana é resultado de conflitos e conciliaçãos, inclusive, a ciência.

      Irrelevante ao presente artigo.

      A expectativa de vida aumentou, decerto. Mas é possível mesmo dizer que a ciência beneficiou a todos de forma equilibrada e em termos de igualdade?

      Não é problema da Ciência, e isso continua sendo irrelevante ao presente artigo.

      O modo como a ciência irá assumir suas feições não está desligado do modo como a sociedade se organiza.

      Irrelevante ao presente artigo.

      Taine, cientificamente provou a superioridade de povos brancos sobre povos de qualquer outra tez. Equiparando negros a cavalos e macacos. Isso porque precisava de uma razão para justificar invasão e colonização.

      Irrelevante ao presente artigo.

      O mesmo que os vegans hoje fazem: mas ao invés de diminuir os humanos eleva os animais. O mesmo discurso ilutrado – que filosoficamente – justificou a eliminação de grupos humanos inteiros.

      Irrelevante ao presente artigo.

      Enfim, ciência não é sujeito. São os sujeitos que criam e se apropriam do conhecimento cientifíco instrumentalizando em favor de seus interesses.

      Irrelevante ao presente artigo.

      Tornar a ciência em si um sujeito e o mesmo que inventar um Deus.

      Irrelevante ao presente artigo.

      E já que falamos sobre leituras: vão estudar! Lukáks, Goldman, Marx e Chalhoub discutem o elementos filosófico da ciência de modo bem menos mimimi…

      Tenho minhas próprias opiniões, e filosofia é a arte de procurar um gato preto que não existe em meio à escuridão. Mas o que é isso senão algo irrelevante ao presente artigo?

      Meta-física é tenebros. Mas meta-história é assassinato de milhares. Não tendo isso em mente, não diferentes dos religiosos que criticam.

      Irrelevante ao presente artigo.

      Passar bem em seu ostracismo. Aqui não comenta mais.

      1. @André, A impressão que passa é que ela veio aqui somente para mostrar suas capacidades argumentativas filosóficas. No popular: “Falou, falou e nao disse nada.”

        1. Ela queria um fórum para discutir comigo. Como eu disse não, ela veio aqui encher o saco. Tipo de gente que entra na facurdadi de felozofia e já se acha no direito de encher o saco dos outros.

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