Vsechno Nejlepsi, Gregor

Como pode coisas minúsculas influenciar tanto assim o nosso conhecimento? Como pode um simples detalhe como uma casquinha mudar o rumo da Ciência? Como pode um peixe vivo viver fora da bacia? Tirando a última pergunta, as perguntas remetem em como a Ciência flui e novas descobertas, apesar de ridiculamente sem sentido, respondem grandes questões e abrem a porta para mistérios escondidos. Antes que dois britânicos roubassem a pesquisa de Lise Meltner, um certo monge havia descoberto o princípio de como somos o que somos, de como nossas características são que nossos pais permitiram que fosse.

Hoje não é um dia comum. Hoje é dia dele. Daquele que ajudou a dar mais sentido no mundo, se bem que sua humildade possa não ter previsto isso. Seu nome é Johann "Gregor" Mendel.

E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. (Gênesis 1:28)

Antes, era tudo o que sabíamos sobre porque as coisas vivas são o que são, o que eram e o que ainda seriam. A curiosidade (e meio que falta do que fazer também, sejamos sinceros) levou um certo monge agostiniano a fazer experimentos em seu jardim, no mosteiro de Brno, Mendel mostraria a sua genialidade…. a ninguém. É triste saber que em todos os anos de sua pesquisa, Johann Mendel não foi reconhecido.

Mendel nasceu na província de Hyncice, hoje República Checa, em 22 de julho de 1822. Nessa época, a região ainda pertencia ao Império Austro-Húngaro. Ao entrar para a vida monástica, tio Johann adotou o nome Gregor, como é comum na vida eclesiástica. Sendo de família pobre, era a única forma que sua mente brilhante poderia ter acesso aos estudos. Ele estudou por dois anos no Instituto Filosófico em Olomouc, tornou-se professor de ciências naturais na Escola Superior de Brno, até finalmente ser ordenado sacerdote em 1847. No jardim experimental atrás do mosteiro, Mendel deu vazão à sua genialidade e usou pequenas ervilhas para mudar todo o nosso conceito de hereditariedade

Entrou na Universidade de Viena para depois, em 1866 publicou o artigo Versuche über Pflanzenhybriden (Experimentos sobre a Hibridização das Plantas) no periódico Verhandlungen des naturforschenden Vereins Brünn. O trabalho de Mendel foi ridicularizado e se Charles Darwin tivesse tido acesso a ele, muita coisa estaria melhor explicada em seu Origem das Espécies. O mundo não é como gostaríamos que fosse. Somente no século XX, as ideias de Mendel receberam o crédito que elas mereciam. Mendel foi, então, chamado de Pai da Genética.

Em 1868, Mendel assumiu como diretor do mosteiro, onde o trabalho administrativo o afastou de suas preciosas ervilhas, mas o gênio tinha saído da garrafa. Nas décadas seguintes, o mundo viu o alvorecer de uma nova era, onde crendices não tinham mais lugar e foram ofuscadas pela luz da verdade. Somadas à Teoria da Evolução por Seleção Natural, as pesquisas de Mendel deram lugar ao que seria chamado Neodarwinismo, onde toda a base da mudança dos seres vivos baseia-se em mutações reguladas pela seleção natural. Plantas e animais surgindo do nada e pessoas vindas do barro ficariam relegadas ao folclore. Hoje, no século XXI, podemos ter acesso a todo o trabalho de Mendel no site MendelWeb.org. O mínimo que você pode fazer é ganhar um pouco mais de brilhantismo na sua vida insossa e ler o que tem lá.

Tudo isso começou sobre como algumas cascas de ervilhas eram lisas ou enrugadas. Ninguém daria a menor bola para isso, o que demonstra que Johann "Gregor" Mendel, Pai da Genética, falecido em Brno em 1884, não era um Zé Ninguém. Era, é e continuará sendo um dos Grandes Nomes da Ciência.


Exercícios de Fixação

1) Sobre o que é o artigo?

a) Sobre como tecnovírus poderão matar seu filho, a ponto de você mandá-lo para o futuro.
b) Sobre o Pai do Justin Bieber.
c) Sobre o cientista que descobriu como evocar maus espíritos afim de ganhar uma guerra mundial.
d) Sobre um monge idiota que ficava plantando ervilhas.

2) É INCORRETO afirmar:

a) Mendel ficava um luxo de batina.
b) Mendel precisava de peruca.
c) Que este artigo fala mal do cristianismo.
d) Apesar do local de nascimento ficar hoje na República Tcheca, Mendel não falava tcheco.

3) Ao ler o título, a primeira coisa que você fez foi:

a) Título? Que título?
b) Parti logo para comentar, óbvio!
c) Aquilo é um título? Pensei que estavam me chingando. E aqui nem é Twitter!
d) Jesus é o Senhor!

4) O que você entendeu do artigo?

a) Nada, mas resolvi comentar assim mesmo.
b) Que Mendel adorava sopa de ervilha.
c) Mendel era ateu e queria acabar com os valores familiares.
d) Meu célebro dóóóóóóiiiiii!

17 comentários em “Vsechno Nejlepsi, Gregor

  1. Ontem (não sei se ainda está, agora estou acessando pelo celular) o logo do Google o homenageava. Foi lendo o presente artigo que me lembrei dele.

    Exercício de fixação:

    1) N/A
    2) c, d :mrgreen:
    3) Li o artigo. É sério! Mas não entendi o que estava escrito no título :???:
    4) Que o trabalho de Mendel com suas ervilhas (certamente ele plantava outros vegetais) ajudou a complementar o de Darwin (ainda que eles não se conhecessem).

  2. Tópico bastante interessante,parabéns andré.
    É realmente incrível como um simples detalhe pode revolucionar a ciência,

    Que o meu pai,Satã,esteja com vocês.

  3. O legal da ciência é que pode ser feita por qualquer um com talento suficiente independentemente de outros fatores(até os religiosos podem dar uma contribuição!).Parece o Elton John… :smile:

    1. @Altair5, É engraçado que, quando eu era criança, imaginava cientistas de jaleco com laboratórios gigantes, e o cara fazendo ciência com terra, vasos, ervilhas e um bloco de anotações :)

  4. É triste saber que na época só mosteiros podiam oferecer educação de qualidade para os mais pobres (bom, hoje temos as escolas plurais, mas pelo menos as universidades federais quebram o galho, ou pelo menos teoricamente).

    Imagine se o conhecimento fosse aberto a todos, quantas mentes brilhantes como a de Mendel poderiam ter despertado e em que ponto estaríamos hoje cientificamente.

    Viva Mendel, o homem que viu o inimaginável em simples ervilhas.

  5. De uma certeza todos nós podemos ter:

    Não importa quantos inimigos tenha, a Ciência sempre prevalecerá para ampliar a razão. ;-)

  6. Não achei que fosse evar a série fazer os tais questinários para artigos, mesmo que sejam piadas. Todavia, acho que o Mendel só não fica mais luxo em sua batina do que o MendelWeb no Netscape 97. Ambos são deleites que arrancam qualquer palavra.

    E parabéns por mais um excelente artigo. Neste você não falou tanto da obra quanto em outros :3 (mas também, com o MendelWeb para ler, qualquer parágrafo sobre causaria redundância). E eu já ia discutir dizendo que o início da pesquisa começou nas cores das ervilhas, mas me enganei, primeiro eram as rugosas x lisas e depois vieram verdes x amarelas.

  7. É uma pena que Darwin e Mendel não chegaram a se conhecer. Se Darwin tivesse conhecimento dos trabalhos de Mendel, sem dúvida alguma, a história seria diferente. Entretanto, o barbudão morreu sem explicar a origem das variações numa população, que hoje sabemos serem genéticas (ou culpa do pecado original, para o Sabino).

    Ah, falando em Darwin, será que algum dia vossa magnificência irá nos presentear com um GdC do dito-cujo?

    1. Newton também não sabia o que causava a Gravidade e Kepler não sabia o que fazia os planetas seguirem as suas 3 leis.

      Ah, falando em Darwin, será que algum dia vossa magnificência irá nos presentear com um GdC do dito-cujo

      Provavelmente não. Ainda decidirei.

  8. O uma copia do trabalho original de Mendel foi encontrada lacrada no meio das correspondências de Darwin, foi por pouco

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