Robôs do futuro poderão ter o formato de baratas

Micróbios sobrevivem por 30 mil anos dentro de um cristal de sal
Grandes Nomes da Ciência: Emily Rosa

Essa notícia agradará às mulheres de uma maneira fenomenal. Que o diga John Schmitt, um engenheiro mecânico da Universidade Estadual do Oregon, que está se baseando em modelos de insetos para projetar robôs que possam se locomover com desenvoltura em terrenos acidentados. Os atuais modelos, segundo o pesquisador, possuem problemas pois não são tão estáveis e o consumo de energia é, comparativamente, maior que o projeto do robô baseado em baratas que “podem correr rapidamente, ocupar o volume de um centavo, movem-se facilmente sobre terreno acidentado, e reagem a perturbações mais rápido do que um impulso nervoso pode viajar”, segundo Schmitt.

Além de serem nojentas, as baratas não se movimentam na base do pensamento ou reflexo, e sim por instinto, e Schmitt está trabalhando na elaboração de pernas do robô que pode fazer o mesmo. A pesquisa foi publicada no periódico Bioinspiration & Biomimedics.

Schmitt foi inspirado a locomoção barata modelo depois de ler um documento de 2006 do professor Robert J. Full, um biólogo da Universidade da Califórnia em Berkley, que mostrou que as baratas movem suas pernas antes de pensar. Schmitt pensou que essa característica pode ser útil em robôs porque iria ajudar a economizar poder de computação, de modo que ele e sua equipe estão tentando recriá-lo em modelos de computador, e eventualmente em robôs reais. Isso faz sentido, já que robôs para essa finalidade não poderão carregar baterias imensas para suportar o fornecimento de energia suficiente para um mega-hiper-ultra-power computador.

Full deu uma interessante palestra no TED de 2007, o qual você poderá ver abaixo (sound in English, sorry).

Não entendeu? Desculpe, não encontrei em português, mas você poderá ver outras palestras com tradução, graças a colaboradores, clicando AQUI. Acredite, você gosta de ciência e tecnologia, você VAI gostar.

Voltando às nossas amiguinhas cascudas do Dr. Schmitt (não confunda com o Dr. Smith, sua odiosa lata de sardinha), uma barata robô poderia funcionar no piloto automático na maioria dos casos, e só teria que parar e “pensar” sobre o seu próximo movimento, ao encontrar um grande perturbação ou obstáculo. Usando uma terminologia mais pedante técnica, eu poderia dizer que o autômato sob a forma de inseto rasteiro gastaria menos joules de energia por não necessitar de tanto processamento de informações, mantendo-se em movimento, até enfrentarem um imenso obstáculo. Dessa forma, o gasto energético seria reduzido apenas para o movimento, até que o programa diga o contrário. Isso significa dizer que na exploração espacial, robôs-insetos seriam muito mais úteis do que robôs com rodas, dada as características do solo de Marte, por exemplo, que é muito irregular e rochoso. Ao invés de decidir como contornar uma rocha larga, o robô simplesmente subiria por ela (dependendo da rocha, é claro), coisa muito difícil de fazer com simples rodas e decidir para que lado deveria desviar demandaria mais cálculos, mais processamento, mais energia.

Além de baratas, Schmitt estudou a galinha-d’angola (Numida meleagris) e percebeu que tanto ela, como algumas aves semelhantes, usam as pernas como se fossem molas, quando encontram uma mudança drástica na superfície do terreno. A imagem ao lado ilustra o movimento (clique para ampliar).

Em um modelo de computador, Schmitt e sua equipe criaram um conceito que permitiria que um robô correndo pudesse recuperar-se de uma alteração na superfície do solo quase tão bem quanto uma galinha-d’angola. Eles estão estudando como a interação de conceitos como o armazenamento e gasto de energia – assim como sensores, requisitos de feedback e ângulos da perna – pode produzir a recuperação de problemas que possam aparecer.

Outra vantagem destacada é a possibilidade de aplicar a tecnologia à medicina, na área protética, para aumentar a eficiência de membros artificiais.

Micróbios sobrevivem por 30 mil anos dentro de um cristal de sal
Grandes Nomes da Ciência: Emily Rosa

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

Quer opinar? Ótimo! Mas leia primeiro a nossa Polí­tica de Comentários, para não reclamar depois. Todos os comentários necessitam aprovação para aparecerem. Não gostou? Só lamento!