Micróbios sobrevivem por 30 mil anos dentro de um cristal de sal

archaeas_vale_morte.jpgMe lembro bem de uma frase do filme Jurassic Park: “A vida sempre encontra um jeito”. A sobrevivência de alguns seres vivos é estupenda, ainda mais quando são seres vivos simples, pois a menor especialização faz com que suas necessidades de sobrevivência sejam poucas também. Um perfeito exemplo disso são os micróbios descobertos pelo microbiólogo Brian Schubert, da Universidade do Havaí. Algumas pessoas acham que micróbios são apenas micróbios e pronto. Normalmente, eu não teria como censurá-los, mas deve-se levar em consideração uma coisa muito importante: os queridíssimos micróbios estavam encerrados em um cristal de sal e conseguiram a façanha de sobreviver por 30 mil anos, alimentando-se apenas de restos de algas que estavam presos junto a eles. Este é o exemplo mais convincente até então para estipular a sobrevivência a longo prazo. Vai continuar dizendo que micróbios são todos iguais?

Os cristais de sal, aglomerados em núcleos de sedimentos, eram provenientes da região de Death Valley, na Califórnia (aportuguesadamente, o Vale da Morte, MUAAAAHAHAHAHAH). Eles continham minúsculos bolsões de líquido, e o grupo de pesquisadores descobriu que esses pequenos seres podiam crescer e viver em colônias de archaeas, com uma idade estimada entre 22 mil e 34 mil anos. O estudo foi publicado na revista Geology.

Apesar da incrível idade desses micróbios, eles não são os espécimes vivos mais antigos, pois um outro grupo já havia anunciado que encontrou um líquido com uma colônia de, pasmem, 250 milhões de anos de idade (conforme matéria da New Scientist).

Ciência não é religião, cheia de dogmas, e ninguém aceita as coisas assim, por pura palavra de honra. Assim, os resultados foram questionados já que cristais de sal podem se dissolver e se cristalizar ao longo do tempo, aprisionando micróbios modernos. A contraargumentação de Schubert baseia-se no fato que a estrutura dos cristais coletados por sua equipe indica que eles se formaram em um lago hipersalino; e levando-se em conta que há pelo menos 10 mil anos que o Death valley não vê um lago formado permanentemente, a Melhor teoria é que a recristalização não tenha ocorrido muito recentemente.

Schubert ainda acha que pode explicar como seus micróbios conseguiram permanecer vivos por tanto tempo. Cada cristal que abrigava as archaeas ainda vivas também continha células mortas de uma alga conhecida como Dunaliella – muito comum em lagos salgados – e que contém altas concentrações de glicerina. Os pesquisadores argumentam, portanto, que o escoamento do glicerina foi o alimento que as archaeas usaram para sobreviver, e essa produção de alimento seria suficiente para que os ditos micróbios ainda pudessem viver mais 30 mil anos! Schubert calcula que uma única célula de Dunaliella contenha glicerina suficiente para atender as necessidades mínimas de uma archaea por cerca 12 milhões de anos.

Se assim for, é plausível que os micróbios possam sobreviver dentro de cristais de sal por centenas de milhões de anos, conforme estudos anteriores têm observado. Embora, como Schubert alerta, “é um salto muito grande ir de 30 mil anos para 250 milhões de anos”. A importância dessa pesquisa também rflete no caso que em ambientes inóspitos de outros planetas possa haver vida microbiana encerrada em algum cristal perdido no que possa ter sido um lago, num canto remoto da galáxia, ou mesmo em Marte. Descobrindo outros seres vivos assim, podemos estudar como se deu seu aprisionamento, quanto tempo demorou e como era o ambiente em que viviam.

Para alguns, ainda continua sendo um micróbio. fazer o quê?


Fonte: New Scientist

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