Freud não explica (quase) nada

Por Reinaldo José Lopes

É irônico que um especialista em demolir ídolos, um sujeito que esmigalhava idéias pré-concebidas lambendo os beiços, feito gourmet, tenha ele próprio virado um monstro sagrado. Refiro-me, claro, a Sigmund Freud, o pai da psicanálise. O problema com a canonização de Freud é simples. Assim como não dá para negar a importância do psiquiatra vienense na história das idéias do Ocidente (e, por favor, leia “história” como se a palavra estivesse escrita com neon e letras garrafais), também é inegável que o grosso do que ele propunha como explicação da mente humana é… bem, porcaria. Pronto, falei.

Também é ruim o fato de muita gente ter esquecido o Freud em começo de carreira, que desejava achar bases biológicas, neurológicas e químicas claras para os problemas mentais e dizia aguardar com ansiedade explicações “testáveis” — passíveis de verificação por qualquer um em laboratório — e físicas para esses fenômenos. Em vez disso, as pessoas endeusaram complexos de castração e de Édipo, id, ego e superego, de forma cada vez mais dogmática, até que boa parte da psicanálise virou exibicionismo literário (não é à toa que o último reduto freudiano são os departamentos de literatura das universidades). Mas, se Freud não explica quase nada, Darwin explica.

É o objetivo deste escriba mostrar, nos seguintes parágrafos, qual o grande acerto de Freud (sim, ele o teve, e foi importantíssimo) e, principalmente, contar como a combinação de psicologia evolutiva e neurociência reforma um bocado, e muitas vezes pode demolir, as idéias freudianas sobre sexualidade, sonhos e inconsciente. É um daqueles casos clássicos em que nem a hipótese mais elegante resiste a um aglomerado de fatozinhos desagradáveis. Vamos lá?

Ao barbudo o que é do barbudo: Freud acertou em cheio ao insistir na idéia de que a imensa maioria dos nossos processos mentais se dá em nível inconsciente. Em certo sentido, isso vale até pra ações conscientes. Sabe-se, entre outras coisas, que os impulsos neuronais ligados à tomada de uma decisão pelo cérebro podem ser detectados ANTES da consciência dessa decisão (o que, para alguns, coloca em xeque até a noção de livre-arbítrio, mas essa é uma outra história). Sim, o inconsciente é o senhor da vida mental – coisa, aliás, que outros pensadores contemporâneos de Freud também diziam; ele não inventou a idéia.

O xis da questão é o porquê disso, e é justo em seu maior triunfo que o edifício freudiano começa a esboroar. O grosso do nosso funcionamento cerebral não é inconsciente porque escondemos de nós mesmos o lado negro de nosso ser, como argumentava Freud: é inconsciente porque daria trabalho demais e seria perigoso demais se não fosse.

Deixemos a coisa um pouco mais clara. Todos sabemos como é desconfortável dirigir um carro ou andar de bicicleta pela primeira vez, porque cada ação precisa ser executada de forma deliberada e consciente: pensar para dirigir só atrapalha. Uma vez que os mecanismos de guiar são internalizados, passando para a nossa memória implícita (diferente da explícita, aquela que a gente usa para guardar um número de telefone), tudo fica mais fácil – e mais seguro para motorista e passageiros.

O mesmo vale para uma série de funções do sistema nervoso, desde as mais básicas, que mantêm funcionando nossa respiração, até as reações emocionais mais diversas ou mesmo os julgamentos morais, que parecem ter uma base emocional muito forte, passando por reconhecimento de rostos e palavras, decisões sobre quem é ou não é atraente etc. É muito difícil, se não impossível, encontrar uma base racional consciente para todas essas coisas – em parte porque muitas delas são importantes demais para ser deixadas à mercê de um raciocínio lerdo. Saber distinguir entre um predador e um parceiro em potencial é um caso de vida ou morte – eis porque o controle é alegremente transferido ao inconsciente. “De pensar morreu um burro”, dizem por aí – aliás, morreu sem deixar descendentes, o que explica, em parte, porque a seleção natural favorece as espécies que não pensam demais para tomar decisões de vida e morte.

E é claro que, numa perspectiva evolutiva mais ampla, o próprio processamento mental de alto nível que nós chamamos de “consciência” é uma invenção relativamente recente, talvez privilégio de poucos mamíferos altamente curiosos e sociais, como grandes macacos, cetáceos e elefantes. O próprio peso da história do nosso sistema nervoso tende a “arrastar” grande número de funções para debaixo das asas do inconsciente.

A coisa fica ainda mais feia para o lado de Freud quando se leva em conta outra de suas idéias cruciais – a de que o conteúdo dos sonhos é uma forma de realização de desejos ocultos, que ocorre num momento de “guarda baixa” do superego (o conjunto de controles sociais e morais que faz as pessoas se comportarem de modo “aceitável”) diante do id (nosso lado instintivo e primitivo). Freud dizia, entre outras coisas, que sonhos no qual você voa são, na verdade, sonhos sobre sexo. (Como perguntou um personagem da série de quadrinhos “Sandman”: “E sonhos sobre sexo querem dizer o quê, então?”.)

O guru austríaco talvez ficasse meio cabreiro ao saber que os animais, essas criaturas proverbialmente sem superego, também sonham adoidado. Os mesmos padrões de atividade cerebral e de REM (movimento rápido dos olhos, na sigla em inglês) que caracterizam o sonhar humano também estão presentes em todas as espécies de mamíferos já estudadas, e até em aves. Os neurobiólogos ainda estão tentando entender em detalhes o que exatamente acontece durante os sonhos, mas há boas indicações de a coisa não tenha nada a ver com desejos reprimidos e tudo a ver com… seu cérebro desfragmentando.

Para quem não conhece a palavra, desfragmentar é o que o seu computador faz quando coloca os arquivos em sua memória numa ordem mais otimizada. Da mesma maneira, os sonhos parecem ser um subproduto aleatório do processo de consolidação e armazenamento das memórias que obtivemos durante o dia. Com isso, é inevitável que alguns aspectos da vida diária – inclusive as coisas pelas quais somos obcecados – acabem parando nos sonhos, mas procurar sentidos ocultos neles provavelmente é tanta perda de tempo quanto querer achar uma mensagem sobre o Apocalipse na página de teste da sua impressora multifuncional. Realidade 2, Freud 0.

Nosso último caso de estudo, e talvez o mais complexo e interessante, tem a ver com as populares idéias de Freud sobre o desejo sexual infantil pelos pais (chamado de complexo de Édipo para os meninos e de complexo de Electra para as meninas) e os estágios de desenvolvimento na infância. Estudos em diversas culturas e regiões do mundo mostram que, se tivesse se permitido ser um pouco mais sofisticado e menos fissurado em mitologia grega, Freud teria acertado em cheio. Nenhuma pessoa normal, em nenhuma fase da vida, tem atração sexual pelos pais: nós só usamos nossos genitores como um modelo geral do que é atraente em outras pessoas.

Poucas coisas fazem mais sentido biológico do que a aversão quase universal ao incesto; até os grandes macacos evitam suas parentas mais próximas na hora de se acasalar. (Ao contrário do que dizia o psicanalista, que formulou a tese de que a “horda primordial” humana era dominada por um paizão incestuoso. Viagem pura.) Tampouco há qualquer registro de desejo sexual real de crianças humanas por seus pais. Afinal de contas, acasalar-se com parentes tão próximos, que compartilham conosco 50% dos nossos genes, equivale a concentrar grande quantidade de material genético nocivo nos descendentes e ter filhos com problemas sérios de saúde, se não inviáveis.

O fenômeno é tão importante que vale até para pais e filhos (ou irmãos e irmãs) adotivos, ou mesmo para crianças criadas juntas de forma coletiva em determinadas organizações sociais. No entanto, e aí é que está o pulo-do-gato, é estatisticamente muito provável que as pessoas se sintam atraídas por pessoas fracamente parecidas com seus pais e consigo mesmas.

A semelhança, embora pequena, é significativa, e inclui até detalhes que nos soariam absolutamente irrelevantes (circunferência do dedo anular, por exemplo – é sério!). É fácil de descobrir essa correlação analisando grandes grupos de casais. O que parece estar em jogo aí não é um desejo de consumar a sua tara de Édipo impenitente, mas sim a necessidade de equilibrar diferença e semelhança – é bom ter como parceiro alguém que não seja seu clone, mas que ao mesmo tempo mantenha algum grau de compatibilidade genética com você.

O veredicto final, depois desses exemplos, chega a ser óbvio, mas talvez muita gente ainda precise ouvi-lo. Esquecemos com freqüência que, apesar de todo o seu brilhantismo literário, Freud realizou suas “descobertas” sobre a psiquê humana com técnicas questionáveis e pouca ou nenhuma confirmação experimental. Psicanálise funciona? Sim, mas placebo também. Nenhum edifício teórico, por mais sedutor que seja, pode ficar de pé diante do que os dados da natureza mostram.

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  1. Megalopolis » Mistureba: Obama ganhou, Massa perdeu, e Michael Jackson tomou banho de QBoa disse:

    [...] – Desmitificando Freud. [...]


40 respostas para "Freud não explica (quase) nada"

  1. 1. Mariana disse:

    Simplesmente maravilhoso! Finalmente alguém que pensa como eu.

  2. 2. Álvaro Guedes disse:

    Huum, Carl Jung só “coloriu” um pouco mais com a coisa do “inconsciênte coletivo” e “arquétipos oníricos” não? hehe :idea:

  3. 3. AC disse:

    Que aula!

  4. 4. Fabiane Lima disse:

    Wow! Muito bom e esclarecedor!

  5. 5. Samuel Cazelli disse:

    Ótimo texto, a parte da desfragmentação foi ilária!

  6. 6. ALESSANDRO LUIS disse:

    Muito bom, eu nunaca fui com a cara do complexo de Édipo… O problema é que Freud é idolatrado como um DEUS e qualquer questionamento a suas teorias, digo novamente teorias, é inaceitável para muitos, pois já possuem fé em seus ensinamentos. Paro por aqui pois naum conheço Muito sobre Freud.

    Rei Childerico respondeu:

    @ALESSANDRO LUIS, As merdas que o Freud postulou com aquela bosta de metapsicologia não são teorias visto que nunca foram confirmadas por experimentação.

  7. 7. Genário disse:

    Ótimo

    Freud ainda se apresenta no imaginário popular como o ápice das ciências psicológicas, o homem que abriu a caixa preta da natureza humana.

    Creio que a psicanálise funcione em parte, mas com premissas erradas. A longevidade de duas idéias deve-se, na minha opinião: (1) ausência de compreeensão da época das neurociências, (2) a psicanálise como conceito utilitário, apesar de equívoco (3) o modus operandi do método científico típico das “ciências naturais” é de dificil materialização nas ciências psicológicas, além disso há correntes que não aceitam uma visão mais mecanicista e comportamentalista, além das comportamento humano, além das limitações éticas às experimentações em humanos.

    Talvez futuramente a importância capital de Freud seja sua influência literária nos escritores do século XX. Na psicologia deve cair em descrédito.

    Parabéns pelo artigo

  8. 8. Ezra Floid disse:

    Caus’ que Freud se explica com Jung, behauvorismo e até com Freud.
    Freud era judeu, e segundo sua cultura de vida suas primeiras fixações são 2: a circuncisão – pacto de marca entre Deus e seu povo, um bom modo de criar uma obsessão em unir sexo-religião-desejos proibidos numa criança, que também conhecerá que sua mãe e que transmite as virtudes de sua raça de povo escolhido. Sua mãe lhe protege do pai ausente.Começo de século XX.
    Freud concebeu uma psicologia judaica com a greco-influência. Para frsisar mais as obsessões freudianas, ele também adquiriu o hábito de algumas drogas utilizadas na época, como a cocaína, daí que se pode fazer um estudo do que ela causa como “fissura” ou pensamento obsessivo-compulsivo sobre um tema recorrente: no caso de Freud eram sexo e desejos irracionais proibidos. Dizem que Freud foi de bicudo querer saber o que Jung ia assistir aquela noite, e era Édipo-rei. Dizem que Freud dormiu parte da peça e só acordou com Jocasta gritando antes de se enforcar: “Que filho não sonhou em dormir na mesma cama que sua mãe?” Em seguida, Freud começou a tomar nota e saiu. O problema de Édipo não era o incesto, era o orgulho e a intolerancia de um homem que virou rei e se achava perfeitíssimo, justo e virtuoso, e que promete matar o culpado pela maldição que assola o reino, depois quando descobre que é ele mesmo, fica cego. Nada haver com incesto, pois nem sabia que Jocasta era sua mãe.
    Já Jung teve sua influência mais cristã e messiânica, era filho de pastor protestante, seus traumas e medos eram mais místicos e as drogas que tomou foram mais alucinógenas e rituais, arquetípicas.
    Sobre os sonhos, dizer que são apenas “desfragmentação do cérebro” é uma tolice limitante: durante os sonhos o espaço expert-mental é liberado para a memória processar as informações, analisar dados, solucionar funções relativas a desejos, necessidades, vontades, conflitos e harmonias.
    O sonho realiza metáforas do insconsciente, e o significado de “sonhar que está voando” dependeria muito de conhecer o que aconteceu antes ou depois de voar e do universo cultural e emocional de quem sonhou voar. Por exemplo, eu na infância sonhei muitas vezes que fui voando para um lugar que me contaram que existia e ficava numa praia em São Sebastião. O motivo do sonho não era sexo, muito menos desfragmentação.
    Durante o sonho a mente desconstrói e remonta todas as informações que guarda. As vezes dá alertas sobre o corpo da pessoa.

  9. 9. Fabiane Lima disse:

    Sobre os sonhos, dizer que são apenas “desfragmentação do cérebro” é uma tolice limitante: durante os sonhos o espaço expert-mental é liberado para a memória processar as informações, analisar dados, solucionar funções relativas a desejos, necessidades, vontades, conflitos e harmonias.

    Uai, e não foi isso que ele quis dizer?

    Ezra Floid respondeu:

    Não, “desfragmentar” seria apenas reaquivar tudo e ajustar o espaço livre de memória. E durante o sonho ocorre mais que isto, o ´cerebro chega a realizar cálculos e demonstrar resultados de equações recheadas de simbolismo. Por exemplo, quando uma pessoa sonha que de repente fica nua na rua, que somente ela percebe e quem passa nem se importa com a nudez dela – isto se relaciona com alguma atitude que a pessoa desperta tomou ou pretende tomar que irá lhe incomodar na consciência mesmo se os outros não souberem que foi ela quem fez. Neste caso, não é a “revelação de um desejo irracional”, é o cérebro avisando sobre o que acontecerá (ou aconteceu) seguindo impulsivamente esse caminho.
    E outra coisa: O complexo de édipo me parece muito mais uma confissão de Freud sobre o que ele mesmo sentia e daí tirou o resto da humanidade segundo ele mesmo. E sem dúvida, suas teorias geraram o sexismo que passou a ser utlizado pelo capitalismo para alimentar a sociedade do consumo, tudo passou a ter “sex apeal” para vender, do cigarro, ao carro, ao sucrilhos, tudo tem apelo sexual, não porque é natural, mas porque é colocado artificialmente..

    Ezra Floid respondeu:

    Sonhos são um tema muito vasto, complexo, não dá pra caber apenas na singularidade de um comentário, nunca se esgota, sonhos são infinitos enquanto parábolas do inconsciente. O sonho tanto condiciona e monitora quanto também é condicionado. Mas o simbolismo não pode ser desvendado reduzindo tudo num ser a um padrão fixo não mutável, como foi o caso da imposição do complexo de édipo, que nem é tão complexo assim pra quem viu a peça clássica que inspirou todos aqueles cientistas da época.
    Freud é muito ego individual, Jung é mais coletivo e plural, mais
    inconsciente intuição.
    Freud foi na Psicanálise, a ponta do iceberg no século XX, mas com o degelo do aquecimento global, já se misturou a tudo que muito mais existe.

    Fabiane Lima respondeu:

    Você se ateve muito ao significado da palavra original. Eu entendi perfeitamente a analogia, sem tomar o significado literalmente.

  10. 10. Ezra Floid disse:

    Freud foi bem satirizado por Machado de Assis no conto “O Alienista”. O mais interessante é que o profético Machado escreveu e publicou o conto no séc. XIX, antes de Freud publicar o início do seculo XX, com A interpretação dos sonhos.
    O Médico pinel de Machado é um homem que estuda a loucura dos homens.

  11. 11. H.Gil disse:

    Acredito que o equívoco que ocorre, é querer aplicar as teorias de Freud como elas eram no atual contexto. Claro que é relevante as descobertas feitas por ele, todavia o desenvolvimento não parou. Ficar estagnado em Freud como se ele tivesse esgotado tudo que pudesse ser dito sobre a psique humana é ingenuidade.

  12. 12. Fernandinho disse:

    Bom texto. O ponto sobre a distinção entre memória explícita (ou ‘declarativa’) e implícita (ou ‘procedural’) é importante, e o seu estabelecimento preciso é uma das grandes conquistas das Ciências (Neuro)Cognitivas (leia-se: Psicologia madura contemporânea).

    Apenas algumas considerações:

    (1) Um pouco mais de calma é necessária quando se fala sobre trabalho experimental. Experimentos não são necessáriamente feitos por pessoal de jaleco branco em laboratórios e experimentos não são “O” método científico. Como qualquer método ele possui vantagens e desvantagens (e.g., embora possamos com um experimento corroborar um nexo causal entre variáveis de maneira muito mais decisiva do que com métodos alternativos, a maioria dos experimentos exequíveis sofre de problemas como validade externa e uso abusivo de certas técnicas estatísticas, como testes paramétricos de significância, muito embora esse segundo problema seja solucionável e não-inerente). Resumindo, muita ciência é feita sem teste experimental direto de hipóteses (e.g., grande parte da Cosmologia, Paleontologia, Geologia histórica e Neuropsicologia) . É por isso que estatística Bayesiana é um modelo mais fiel de inferências e teste de hipóteses em ciência do que o modelo clássico de Fisher, Hempel, etc. =)

    (2) Em segundo lugar, cabe lembrar algo que não é muito claro para alguns: não existe ciência da mente e do comportamento sem hipóteses puramente “psicológicas” sobre o “software” mental que é instanciado no “wetware” neural. Colocando de outra forma, ninguém aborda a questão acerca das bases neurais de uma determinada capacidade sem hipóteses precisas acerca dos mecanismos de processamento de informação postulados para o agente ou sujeito sob estudo. Tais hipóteses são teorias acerca da organização funcional do sistema nervoso e da sua ação em controlar o comportamento e a percepção, e mesmo que não saibamos hj como relaciona-las em inteiro com a ação neural, elas não são por isso menos falseáveis (muito pelo contrário).

    Só isso mesmo =)

  13. 13. Milton V. disse:

    A importância de Freud é inegável pois foi o principal responsável por todos os estudos sobre o assunto. Ele estava 100 % errado sobre suas conclusões, e não se trata da época, estão erradas hoje tanto quanto estavam erradas naquela época.
    Quanto ao inconsiente fazer alguma coisa… Acredite quem quizer.
    Algo que fazemos involuntariamente não significa que seja feito inconsientemente.
    Qualquer bom goleiro sabe que frequentemente realiza defesas puramente por reflexo e não pelo inconsiente.

  14. 14. Cezar disse:

    Muito caricatural a análise sobre Freud. Não levou em consideração a diferença de abordagem sobre o inconsciente entre o criador da psicanálise e outros neurologistas ( Charcot e Janet ,por exemplo).Perguntas chaves sobre porque em estado hipnótico o paciente se lembrava de traumas e fatos infantis e quando desperto esquecia tudo;ou porque cometemos lapso de linguagem levou freud a conceber a qualidade inconsciente da mente de FORMA DINÂMICA,ou seja, a vida anímica predominante afetiva que marca a primeira infância é matriz que determinará o comportamento neurótico ( surpesticioso-mágico,onipotente,apego em demasia,etc) reprimida pela necessidade de adaptação social ( ou cultural).
    A marca da transição entre o animalzinho humano e a sua civilização é descrito de forma metafórica por Freud como complexo de Édipo e complexo de castração,isto é, desvincular sexualmente de seu primeiro objeto de amor (a mãe) por medo de punição ( deixar de ser amado ou ser incapaz de ser um homem como seu pai,uma vez que ser criança eternamente é uma característica desadaptativa ).Aliás, a nossa cultura ocidental tem em sua origem a prática da circuncisão como ritual de passagem que é reveladora por si mesma.Querer tratar o incesto como uma questão puramente de aversão biológica implica procurar explicação sobre fatos históricos incestuosos: Cleópatra foi casada com seu jovem irmão Ptolomeu . Prática não incomum entre os faraós:Ramsés II e AmenófisIII casaram-se com seus filhas. Várias lendas,mitos produções artísticas tocam o tema incestuoso entre pais e filhos.
    Sobre os sonhos.Freud tirou esse tema do mundo sobrenatural e lançou um olhar profundo sobre ele.A maior parte de nosso psiquismo é de fato inconsciente e a percepção disso se dá no sono : quando o Ego (e não o superego) diminue sua atividades ( controle da motilidade e da percepção, por ex.) os sonhos se manifestam igualmente as estrelas quando o sol se põe.A natureza do sonhar é de caráter regressivo,ou seja, ocorre uma transição do pensamento abstrato,conceitual egóico para o pensamento mágico- infantil predominante VISUAL -sensorial ,tipicamente como a mente da criança.Mas o ego ,mesmo inconsciente, continua atuando,juntamente com superego( a parte da mente socializada e moralmente condicionada pela cultura). O psiquismo ( ou fenômeno mental ) é o objeto de estudo de Freud alcunhado de APARELHO PSIQUICO.
    No fundo, a crítica a Freud ,por mais que se esconda atrás de conceitos evolucionista , deixa clara uma concepção mecanicista do processo dinâmico mental, tipicamente pragmática-utilitarista no estilo american way of life.
    :twisted:

    Administrador André respondeu:

    Em que isso refuta o artigo? Se formos ver à luz do método científico, o que Freud fez foi uma piada em termos de ciência. Pq psicanálise não é ciência. Nunca foi e duvido que algum dia o seja.

  15. 15. Cezar disse:

    O artigo ” Freud não explica (quase) nada” pode ser visto sob “à luz do método científico”?

    A psicanálise realmente não é una ciência no sentindo positivista do termo. E nunca será, felizmente.
    Mas, ela possui uma ESTRUTURA DE UMA CIÊNCIA FORMAL :

    i) – Possui uma prática ( a análise que produz alívio e significado aos sintomas,etc);
    ii) – Possui uma técnica que é o próprio MÉTODO que produz as mudanças;
    iii) – E finalmente uma TEORIA relacionada com a prática e a técnica.

    A psicanálise ( como toda ciência formal ) possui um OBJETO irredutível a qualquer outra ciência : O INCONSCIENTE ( o aparelho psíquico) com sua leis e determinações: condensação e deslocamento,transferencia,mecanismo de defesas do ego,etc.
    Não são leis ou mecanismos dos neurônios ou das moléculas. Esses objetos já são possuem disciplinas ( ou ciências) muito avançadas e capazes que estudam o cérebro : neurologia ,por exemplo. E o cerebro (ou os neurônios )não é o foco da psicanálise.
    O objeto da ciência de Freud está localizado entre o pequeno ser biológico fruto do parto humano e a “formatação” da criatura propriamente HUMANA.

    Para encerra, uma letra de um grande cético ( no sentido estrito e no sentido lato da palavra e não daqueles que se agarram obstinadamente” à luz do método científico”) :

    …” O que que a ciência tem ?
    Tem lápis de calcular .
    Que mais que a ciência tem ?
    Borracha p’ra depois apagar .
    Você já foi ao espelho ,nêgo ?
    Não ? Então, vá. ”

    Raul Seixas

    Administrador André respondeu:

    O artigo ” Freud não explica (quase) nada” pode ser visto sob “à luz do método científico”?

    Poder ser visto, qualquer coisa pode. SER Ciência, é outro ponto.

    A psicanálise realmente não é una ciência no sentindo positivista do termo. E nunca será, felizmente.

    Não compreendo qualquer outro “sentido” que não o seja à luz do processo científico. Sem reprodutibilidade, nada de ciência.

    Mas, ela possui uma ESTRUTURA DE UMA CIÊNCIA FORMAL :

    Isso é o que dizem. Reprodutibilidade em meio controlado? Neca!

    i) – Possui uma prática ( a análise que produz alívio e significado aos sintomas,etc);

    Orar pra Jesus tb, assim como colocar olho de boi num copo d’água atrás da porta. Pelo menos, é o que alegam. Eu vejo um bocado de gente indo a psicanalista há ANOS. Será que nunca fica bom? Sei: alguns escoceses, digo, psicanalistas não são psicanalistas de verdade.

    ii) – Possui uma técnica que é o próprio MÉTODO que produz as mudanças;

    Ahan. Reprodutibilidade? Ensaio duplo-cego? Simples-cego?

    iii) – E finalmente uma TEORIA relacionada com a prática e a técnica.

    Teoria NÃO científica. Uma teoria CIENTÍFICA precisa ser embasada com experimentos e… SURPRESA… reprodutibilidade. Me mostre algumas.

    A psicanálise ( como toda ciência formal ) possui um OBJETO irredutível a qualquer outra ciência : O INCONSCIENTE ( o aparelho psíquico) com sua leis e determinações: condensação e deslocamento,transferencia,mecanismo de defesas do ego,etc.

    Como TODA ciência forma deve estar embasada com experimentos falseáeis. Sim, Popper. Sim, Khun. Sim, nada disso é encontrado na PSEUDO-ciência psicanalítica. E Freud era uma farsa. Pergunte a Michel de Onfray.

    Não são leis ou mecanismos dos neurônios ou das moléculas. Esses objetos já são possuem disciplinas ( ou ciências) muito avançadas e capazes que estudam o cérebro : neurologia ,por exemplo. E o cerebro (ou os neurônios )não é o foco da psicanálise.

    Não. É apenas o… que mesmo? Ah, sim. Subconsciente, que em última análise não passa de reações químicas no cérebro. Um antidepressivo e fim da história. Ficar de trololó com paciente deveria ser, no mínimo, considerado como charlatanismo. Agora, tem gente que acha que frequentar centro espírita resolve problemas. Efeito placebo, como sabemos bem. Mas o efeito placebo não resolve tudo, daí que as pessoas passam longos períodos indo a nuimerólogos, homeopatas e psicanalistas.

    O objeto da ciência de Freud está localizado entre o pequeno ser biológico fruto do parto humano e a “formatação” da criatura propriamente HUMANA.

    Proposição sem evidência e/ou embasamento experimental = falácia/pseudociência.

    Para encerra, uma letra de um grande cético ( no sentido estrito e no sentido lato da palavra e não daqueles que se agarram obstinadamente” à luz do método científico”) :

    Raul Seixas? Desculpe, pensei que estava falando com um adulto. Largue o computador do seu pai e peça para ele vir falar comigo. Raul Seixas e MERDA é a mesma coisa. Vou citar Tonico e Tinoco na próxima vez que estiver conversando sobre Mecânica Quântica, que tal? E eu ainda perco meu tempo escrevendo. Pfff!

    Frequências de comunicações fechadas. Jung e seu inconsciente coletivo, aliado aos fantasminhas dele o abençoe.

    Cezar respondeu:

    @André,

    Fala o PAI do Cezar :

    - Senhor André, eu notei que sua FIXAÇÃO (para usar um termo psicanalítico) com o termo REPRODUTIBILIDADE tomou grande parte da sua resposta.
    Vou tomar emprestado o seu “metodo cientifico” de resposta e REPRODUZIR suas citações :

    Citação nº 1 : “Não compreendo qualquer outro “sentido” que não o seja à luz do processo científico. Sem reprodutibilidade, nada de ciência.”

    Citação nº 2 :” Isso é o que dizem. Reprodutibilidade em meio controlado? Neca! ”

    Citação nº 3 ” Ahan. Reprodutibilidade? Ensaio duplo-cego? Simples-cego? ”

    Citação nº 4 ” Teoria NÃO científica. Uma teoria CIENTÍFICA precisa ser embasada com experimentos e… SURPRESA… reprodutibilidade. Me mostre algumas.”

    UFA!!! É isso que dá falar de Complexo de Édipo e Castração. O geniozinho( no sentido do humor,birrento infantilóide ) se manifesta sem se dar conta .
    Ele é “panreprodutibilista”.
    Não consegue elaborar a” cena primária” ( isto é, papai e mamãe brincando de reprodutibilidade).
    Não é a toa que ele CHAMA O PAI do Cezar para conversar.
    Chego a pensar que ele está començando a comprender REALMENTE o conceito COMPLEXO DE CASTRAÇÃO que marca a transição do pequeno Édipo . Explico :

    - De tanto ele se fixar na REPRODUTIVIDADE , logo seu SUPEREGO foi acionado e ele se reprimiu chamando o PAI para conversar.
    Isso é exatamente o complexo de castração no Édipo.

    Agora,falando sério : Relacionar SUBCONSCIENTE com Freud é demais.Essa palavra não existe em psicanálise.
    Achar que psicanálise não é ciência, que é enrolação é até aceitável.Mas se meter a besta de falar o que não leu ou leu sob o olhar de outrem é simplismente revelador.

    Para finalizar :

    Se voce acha que Raul Seixas e merda é a mesma coisa ,então tenho certeza que voce se olhou no espelho como recomendado pela citação .E se voce ,ao comparar, não se identificou com Raul , logo …

    Administrador André respondeu:

    Fala o PAI do Cezar :

    Uma análise documental identificará o autor.

    - Senhor André, eu notei que sua FIXAÇÃO (para usar um termo psicanalítico) com o termo REPRODUTIBILIDADE tomou grande parte da sua resposta.

    Significa que vossa perclara pessoa irá mostrar-me algum processo de reprodutibilidade em psicanálise, de forma a caractaerizá-la como algo diferente de homeopatia?

    Vou tomar emprestado o seu “metodo cientifico” (qual é o problema desse pessoal para não escreverem certo?) de resposta e REPRODUZIR suas citações :

    Sabia. Burrice comprovada onde ele confunde reprodutibilidade com reprodução. Enfim…

    [Citações de Lord André I]

    UFA!!! É isso que dá falar de Complexo de Édipo e Castração.

    Atenção que teremos uma grande e profética sessão de sabedoria.

    O geniozinho( no sentido do humor,birrento infantilóide ) se manifesta sem se dar conta .

    Pseudoargumentação Troll Detected. Contagem regressiva para o banimento. 10.

    Ele é “panreprodutibilista”.

    Saúde.

    Não consegue elaborar a” cena primária” ( isto é, papai e mamãe brincando de reprodutibilidade).

    Sensores detectando incapacidade de compreensão de texto e total ignorância sobre Método Científico, aliada ao desvio de assunto. Coisa normal em trolls. 9.

    Não é a toa que ele CHAMA O PAI do Cezar para conversar.

    Afinal, meu sobrinho de 3 anos argumenta melhor do que o Cézar e até que o paizinho dele. 8.

    Chego a pensar

    Isso sim, é assombroso! 7.

    que ele está començando a comprender REALMENTE o conceito COMPLEXO DE CASTRAÇÃO que marca a transição do pequeno Édipo .

    Mãe, olha como eu çei falá difirço. 6.

    - De tanto ele se fixar na REPRODUTIVIDADE , logo seu SUPEREGO foi acionado e ele se reprimiu chamando o PAI para conversar.

    Isso é exatamente o complexo de castração no Édipo.

    Se me permitem um comentário jocoso, já que o coitado só está servindo para escárnio mesmo, Édipo foi o mais famoso Motherfucker. Ceticismo.net é cultura. 5.

    Agora,falando sério

    Que você só tem estado de brincadeira, ficou patente. Vamos falar sobre Método Científico? Acho que não. 4.

    Relacionar SUBCONSCIENTE com Freud é demais. Essa palavra não existe em psicanálise.

    Inferência também não, assim como interpretação de textos. 3.

    Achar que psicanálise não é ciência, que é enrolação é até aceitável.

    Inaceitável é acreditar que é ciência. 2.

    Mas se meter a besta de falar o que não leu ou leu sob o olhar de outrem é simplismente revelador.

    Dia chegará que trolls escreverão corretamente. Ah, bem… 1.

    Se voce acha que Raul Seixas e merda é a mesma coisa ,então tenho certeza que voce se olhou no espelho como recomendado pela citação .E se voce ,ao comparar, não se identificou com Raul , logo …

    Você vai chamar seu irmão mais velho pra me bater e dizer que eu sou feio bobo e chato? 0. TROLL BANIDO.

    Sente no colo de Freud e divirta-se com seus recalques, mona.

    Nihil respondeu:

    @André, Não foi o Raul Seixas que num dos seus maiores sucessos cantava assim?

    “É você olhar no espelho
    Se sentir
    Um grandessíssimo idiota
    Saber que é humano
    Ridículo, limitado
    Que só usa 10 POR CENTO
    De sua cabeça animal…”

    Administrador André respondeu:

    Não sei, nunca gostei das músicas dele.

  16. 16. intrinseco disse:

    O texto apresentado está muito bom, pena que o título não seja exatamente uma resposta aceitável…..Freud explica sim, muitas coisas. Ele foi um dos poucos gênios da humanidade que partindo do ZERO, conseguiu definir coisas simples hoje em dia como Aparelho Psíquico, o mecanismo ID EGO Superego, e nos colocou a máxima científica de que somos 98% de INCONSCIENTE.
    Sou obrigado a discordar do autor qdo diz que não somos inconscientes. A Física Quantica já o diz e comprova que somos mesmo inconscientes. Assistam ao filme Quem somos nós e terão as maiores sumidades científicas do globo terrestre afirmando que isso é verdade!
    um abraço e……vamos tomar cuidado com esses títulos de textos sensacionalistas!!!! parabéns pelo site ! muito bom!

    Administrador André respondeu:

    Leia aqui:

    http://dragaodagaragem.blogspot.com/2006/11/o-guia-ctico-para-assistir-what-bleep.html

    Agora, por gentileza, peça desculpas aos físicos de verdade.

    hiltongil respondeu:

    @André, Eu lembrei na hora desse artigo do dragão da garagem hehehe
    Eu curtia os artigos dele uma pena que eles pararam.

  17. 17. Nihil disse:

    Sempre desconfiei que pensei que a psicanálise é pseudociência. Agora tenho certeza. De certa forma não sei se Freud foi “inocente” ou charlatão dentro de suas teorias. Gosto muito do seu conceito de sonhos, mas não tem nenhum embasamento científico. Mas falta muito para fazer algum sentido e me fazer acreditar, mas que é interessante é.

    Nihil respondeu:

    @Nihil, “Sempre desconfiei que a psicanálise é pseudociência.”
    Maldito sono.

  18. 18. Gabriel disse:

    Amigo, seu texto está, de certa forma, bem convincente. Entretanto, como quase sempre são os textos que tentam contradizer a psicanálise, convincente para os que se propõem a deitar-se sobre o ventre científico. Psicanalistas ou simpatizantes da teoria se deparam com textos como esse todos os dias, e não é para menos. A neurociência é o futuro, e as teorias psicológicas mais voltadas às ciências humanas perdem um pouco o seu espaço (apesar de se mostrarem cada vez mais presentes). E sim, enquadro psicanálise (embora a própria decida não se enquadrar em nenhuma das duas) como um estudo das ciências humanas, das quais você talvez não seja tão afeiçoado devido ao seu tipo de argumentação.
    Deparando-me com os seus argumentos, é notável que busca uma análise científica para contrapor o que Freud disse. Usando de algo dito por você, o autor da psicanálise se desfez do ramo científico para adentrar no campo do complexo de édipo e id, ego e superego, quase dogmático. Correto. A partir desse ponto, a psicanálise propunha-se a ser um estudo a parte, ou seja, que inevitavelmente seria julgada pelos olhos da ciência, mas que não iria afetar o seu funcionamento. A psicanálise, refortificada com Lacan, partindo de que somos feitos de linguagem, elabora uma teoria da linguagem, uma teoria onde o foco é a linguagem, e pouco importa se estudos recentes comprovam que mamíferos possuem a capacidade de sonhar. Para a ciência é ótimo, que se baseia na ideia do refutamento, mas na época de Freud não haviam tais estudos, e mesmo se existissem, não atrapalhariam os ideais psicanalíticos, pois pretender ver a realidade a partir da sua ótica. Não dizendo que a psicanálise é imutável. De Freud, à Melanie Klein, Reich, Lacan, o pensamento contornou diversos rumos. Concordo que a psicanálise é controversa em muitos pontos, mais vem de sua própria natureza. Eu, pessoalmente, não me enquadro como psicanalista (muito menos em neurociência), mas admiro a teoria e como vemos sua importância até hoje. E sim, grande parte dela foi feita a partir de outros autores. Mas que conhecimento não é advindo de conhecimentos passados? Queria poder aqui tentar dialogar com todos os seus argumentos, mas iria me estender muito e não era a minha ideia original, apenas dar a minha opinião.

    Administrador André respondeu:

    Psicanálise, homeopatia, astrologia, acumpuntura e criacionismo estão dentro do mesmo espectro: pseudociências.

    Suas baboseiras não refutaram uma única linha do texto.

    Mais uma coisa pra te deixar irritadinho: http://ceticismo.net/2010/04/29/livro-de-michel-onfray-acusa-freud-e-charlatanismo/

  19. 19. Gabriel disse:

    Você realmente leu o que eu escrevi? Acho que não. Psicanálise enquadra-se em teoria no que é ciência, mas ela mesma NÃO se propõe a ser uma. Psicanálise é o estudo da linguagem. Por isso, o termo pseudociência, além de ser errôneo, não ofende nem um pouco. Outra coisa, nem de longe estou irritadinho. Achei que o diálogo era algo viável no meio científico, local onde mais se luta contra o dogmatismo.

    Administrador André respondeu:

    No Brasil, até Homeopatia e Astrologia são consideradas ciência. Por que psicobesteirálise não seria.

    Achei que o diálogo era algo viável no meio científico, local onde mais se luta contra o dogmatismo.

    Discutir psicobesteirálise como ciência é o mesmo que querer artigos indexados sobre fadinhas.

    Freud era um aproveitador e Jung via fantasminhas. Show! Eles fariam muito sucesso na Idade Média.

  20. 20. Gabriel disse:

    Ignorância dá nisso. Haha!

    Administrador André respondeu:

    Refutação? Ô Refutação, você tá aí, minha filha?

  21. 21. Marcelo Novaes disse:

    O problema de Freud não está em nenhuma de suas intuições iniciais, mas no processo de institucionalização das mesmas. Além de analisar a própria filha, Anna Freud [o que eu poderia chamar de "confisco incestuoso-transferencial" de sua própria identidade - de Anna], Freud criou um círculo secreto de defensores da “causa freudiana”, com direito a anelzinho no dedo e tudo. Um culto, enfim.

    Para Freud, como para Melanie Klein, “Pai e Filho/Filha” da Teologia Psicanalítica, só havia “seguidores e hereges”, não havia “contribuidores originais, de fato”. Ou o profissional seguia a pessoa e sua “doutrina”, de fato [O Patriarca, A Matriarca], ou era expulso, denegrido ou ignorado pelo “establishment”. Exilados por Freud: Viktor Tausk [suicidou-se pós-excomunhão e não reconhecimento], Herbert Silberer [idem], Stekel, Adler, Rank, Jung, Reich, e mais uma dezena de pensadores originais, dignos desse rótulo. Com Melanie Klein a coisa era equivalente e promíscua. Sua secretária, consoladora e paciente [!] Paula Heimann, também analista, tinha seus trabalhos clínicos “vigiados” e “censurados” antes de qualquer exposição na sociedade britânica de psicanálise, e alguns, francamente, ela “vetava”. E mais: pedia a Paula Heimann não dizer que “ainda estava em análise com ela”. Analisou os próprios filhos, Eric e Mellita, sendo que Mellita veio a se rebelar contra ela. Quis supervisionar a análise feita por Winnicott de seu neto, Michael [em suma, queria estender a autoridade analítica que impusera aos filhos, quais cobaias, à próxima geração!], e baniu Heimann quando ela publicou conclusões próprias que discordavam de suas ideias. Baniu outras dez pessoas, além de ironizar e se recusar a prestar atenção aos trabalhos de Ronald Fairbairn, ainda que dele tenha roubado ideias ["Ah..., e ele chama isso -o que ele praticava e pensava - de psicanálise!, com riso mordaz nos lábios, e abandonando palestras], além de Margareth Little ["o artigo de M. Little só prova que ela precisa de mais análise!", foi seu desdenhoso comentário após uma palestra desta], ao que Margareth Little retrucou “e com a senhora, presumivelmente!”, por saber de seu autoritarismo implacável. Fez isso com mais quinze grandes pensadores. Eis os Pais Fundadores da Psicanálise Institucional.

    Considero o fulcro da questão mais este, o da “dogmatização doutrinária ao modo das Igrejas”, criado em torno de ideias que tiveram desdobramentos profícuos e interessantes, em pensadores mais independentes, mas que pagara um preço alto por isso. Como exemplo disso, cito todas as noções de Ferenczi sobre trauma, um cara que ficou no “limite da expulsão” da Sociedade de Viena, mas que foi ironizado como “senil” ou “psicótico” quando divergiu do “mestre”. Ironicamente, mereceu um necrológio elogioso de Freud, dizendo que “sua sincera busca por cura em pacientes mais difíceis [Ferenczi só tratava de pecientes muito atormentados], embora por caminhos ‘pouco ortodoxos’, talvez fizesse de Ferenczi, no futuro, professor deles todos [!]“. Este tipo de “proscrição seguida de reconhecimento tardio” é o mote de alguns mártires religiosos ou proscritos resgatados por seitas. Sobretudo, quando se lhes advinha o alcance do pensamento original. A Igreja também fez uma “mesura de mea culpa” quanto a Galileu, mas com que atraso!!!

    Abraços!

  22. 22. Marcelo Novaes disse:

    Indo um pouco mais fundo, para fins de esclarecimento:

    para Ferenczi [e para muitos outros, como Winnicott] o trauma vai muito além do sexual, e se tratam questões muito anteriores e independentes do Édipo [as feridas narcísicas, por exemplo]. O ambiente externo é levado muito mais em conta do que as ditas “fantasias incestuosas” ou algo do tipo.

    E a crítica que faço a Freud, logo acima, e da estrutura institucional que se constituiu em torno do Pai-Fundador [Freud tinha "complexo de Moisés", no meu ponto de vista, e ele mesmo assume tê-lo como paradigma] é sobretudo ético-epistomológica, muito mais [e antes!] do que uma crítica “meramente” epistêmica.

    Os achados epistêmicos de Freud seriam, singelamente, colocados da seguinte forma, antes da “cristalização de suas ideias em dogmas: numa situação de “associação livre” [o sujeito fala o que lhe ocorrer, além do assunto pretendido] e “escuta flutuante” [o analista ouve o explicitado e tudo o que é sugerido "ao lado a atrás" do deliberadamente explícito], sendo este o “par técnico” que instaura o método psicanalítico. Nessas condições de fala e escuta, o paciente também se descobriria falando de muito mais coisas nas entrelinhas do que qualquer intenção deliberada. Não seria “induzido a pensar que descobriu”, mas rememoraria e reativaria sentimentos, imagens, intenções pouco claras para si mesmo. A este âmbito não imediatamente expresso ou acessível foi dado o nome de inconsciente. O método, adotado por outros analistas, no que diz respeito a este pensamento e aos sonhos, revelou-se “recuperador” de muitos sentimentos enevoados e memórias biográficas escondidas. Pôde-se verificar, em muitas situações, a absoluta fidedignidade dessas lembranças factuais, inclusive reafirmadas pelo entorno do paciente. Muitas delas, remotíssimas e tabus para o este mesmo ambiente: seja família, Igreja, escola, hospital. A resposta analítica a tais lapsos, sonhos, etc, mantém o fio condutor de “outros sonhos que se desdobram em resposta a uma boa interpretação”, sendo este material desdobrado consonante ao quadro que eu acabo de apresentar: de prospecção biográfico-emocional. Assim sendo, a psicanálise poderia ajudar a por a nu a sombra cultural-institucional, flagrando o bullying que a escola “deixou passar batido”, flagrando as incongruências da educação doméstica não assumidas pelo casal parental e agregados, etc e tal. Este seria o lado mais “revolucionário” de sua origem, antes de Freud e outros recuarem para uma ideia menos factual das lembranças [evitando entrar em choque com a sombra de tais instituições]. O lado mais clássico da psicanálise pendeu demasiado para o mundo interno. O lado mais “moderno”, equilibra a balança considerando o peso dos fatores externos nesse processo do adoecer. Ou seja: viabiliza uma minuciosa leitura crítica das instituições legitimadas [com suas mazelas óbvias]. O impasse e o problema se deu quando “a própria psicanálise se viu querendo ser uma instituição respeitável entre outras”. Nesse momento, ela “se prostituiu”, ouso dizer.

    Mas voltando ao “par técnico básico” ["associação livre" e "atenção flutuante"], considerado como o fulcro da questão psicanalítica, e adotado tanto por ortodoxos como pelos dissidentes posteriores. Sonhos, elaboração do “quase-dito”, “inter-dito” e “sub-dito” e “até então indizível” criam, todos eles, uma linguagem mais ampla, que abarca sonho, devaneio, a vigília, estados hipnagógicos [entre o sono e a vigília], e convergem para um material “reconstrutivo-biográfico” surpreendentemente mais unitário do que a personalidade consciente era capaz de assumir até então. E essa linguagem é outra, bem distinta da linguagem do “dizer social comum”. Mais brangente, segundo o método em seu valor heurístico, de “promover descobertas”. Este seria o fundamento “prospectivo”/investigador da psicanálise, o seu “Eureka!” inaugural.

    Em cima disso [os mais céticos diriam, "antes disso"], muita teologia [e má teologia] foi construída.

    Este é um ponto de vista crítico [os institucionalizados me consideram um "outsider"] de quem trabalha no ramo há 22 anos, inclusive em serviço público, violência doméstica e ONGs como “Aldeias Infantis S.O.S.”, com crianças órfãs. Há muito mais coisa do que o “Édipo” que as correntes menos “devotas” a Freud e menos pietistas têm a apresentar, muito além [e muito depois...] dele.

    Espero que meu engajamento profissional [afinal, trabalho na área!] não coloque meu comentário sob suspeita e, consequentemente, sob desconsideração.

    Neurociências, psiquiatria biológica, psicofarmacologia, etc, etc, têm sua contribuição a dar. Análises de vários perfis tornam pacientes mais decodificáveis/visíveis para si mesmos, em seus pontos fortes, fragilidades e reatualizam possibilidades de recuperação [e transformação] emocional.

    Quando bem feitas, claro.

    Acho fundamental a existência dos céticos, em todos os âmbitos.

    Abraços!

  23. 23. sergio100br disse:

    Faltou ler um pouco sobre Freud.
    Ele sabia que os animais sonhavam, só pra citar.
    Quanto ao complexo de Édipo, há uma razão pra ser chamado assim.

    A maioria que critica Freud o faz devido ao complexo de Édipo. Pq as pessoa se irritam tanto com ela, não precisariamos recorrer a Freud pra saber. Né?

    Como refutação o seu texto não tem nenhum valor. Demostra apenas que vc é muito confiante, mas leu pouco sobre o que escreveu, ou ainda não desenvolveu a capacidade para entender.

    Administrador André respondeu:

    Ele sabia que os animais sonhavam, só pra citar.

    Eu vejo meu cachorro mexer as patas e mudar as expressões do rosto. Não precisa ser muito gênio pra perceber isso.

    Quanto ao complexo de Édipo, há uma razão pra ser chamado assim.

    por causa de uma peça teatral de Sófocles. E…?

    A maioria que critica Freud o faz devido ao complexo de Édipo. Pq as pessoa se irritam tanto com ela, não precisariamos recorrer a Freud pra saber. Né?

    http://ceticismo.net/2010/04/29/livro-de-michel-onfray-acusa-freud-e-charlatanismo/

    Como refutação o seu texto não tem nenhum valor. Demostra apenas que vc é muito confiante, mas leu pouco sobre o que escreveu, ou ainda não desenvolveu a capacidade para entender.

    Nem mesmo Jung levava Freud a sério. Não que Jung e seus fantasminhas fosse melhor. Agora, continue seu tratamento freudiano, mas que ele não explicou quase nada, não explicou. Mas vc quer que sim.

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