Suporte Infernal causa um problema dos Diabos a usuárias

Se você é idoso como eu na Internet, conhece a maravilhosa série do Operador Bastardo do Inferno, em que o operador dá incríveis e elucidativas ajudas para aqueles que procuram uma solução. Entre elas, usar FDISK como “utilitário de recuperação de senhas” (se você precisa de explicação, é porque é um jovem maldito). Era uma sátira (será, mesmo?), e nunca alguém seria tão demoníaco para atuar no help desk.

Então, chega o Florida Man para sacanear as suas mais pias impressões. No caso, o sujeito é um “demonologista” que foi acusado de perseguir mulheres que lhe pediram ajuda com problemas de computador.

Conjurando o Tinhoso para ver se ele dá jeito nesta maldita impressora dos infernos, esta é a sua SEXTA INSANA!

Nosso her… o protagonista desta história é Mark Stephen Asea, 36 anos, de Port St. Lucie. Na biografia do TikTok, ele se apresenta como “Demonologista”, “Clairsentient” (a clarissenciência, a capacidade de “sentir claramente”, seja lá o que isso signifique), “Empath” (empata, ou seja, ele sente o que se passa com você, e não que fica atrapalhando intercursos sexuais alheios), “PTSD”, “Grey Hat Hacker” e “Woodsman” (hehehe, ele pega no pau hehehehe </quinta série>.

Um único homem acumulando exorcismo, telepatia emocional, invasão de sistemas e lenhador, possuinte de cruzes invertidas tatuadas na testa. Num perfil anterior, citado em documento policial de abril, constava “ex-satanista” e “engenheiro de cibersegurança”.

Um parêntese para os não iniciados: no jargão hacker, o “chapéu” vem dos westerns, em que o mocinho usava branco e o bandido, preto. O white hat invade para achar falhas e avisar o dono. O black hat invade para lucrar ou destruir. O grey hat fica no meio (não nesse sentido que você tá pensando), entrando sem convite e jurando que foi “pelo bem de todos”. Nesta história, o cinza serve para combinar com a cela.

Segundo as acusações, duas mulheres teriam sido alvo do TI-nhoso. A primeira afirma que sua senha só havia circulado num grupo fechado de TikTok, do qual ele não participava, embora ela suspeite de um perfil falso. Num vídeo, ele teria dito, com a doçura de um atendente de telemarketing: “Vamos falar da sua senha de verdade? Que tal as últimas dez compras que você fez online?” Ela diz não fazer ideia de como ele obteve o identificador do celular e dados bancários.

A segunda foi mais ingênua, ou mais educada. Em outubro de 2025, permitiu que ele acessasse o computador remotamente para resolver um problema num aplicativo; que ao que se tem notícia não era versão Demo (entenderam? Demo! HÁ-HÁ! Eu sou muito engraçado!). Meses depois, ele teria se gabado de ter plantado um vírus enquanto ela estava no banheiro, o que lhe permitia espiar tudo.

Depois, uma foto de uma conversa privada do Telegram apareceu num vídeo dele. Perguntado, jurou que era do WhatsApp, mas a moça tinha o print. Ele ainda teria se vangloriado de achar a localização dela pelo GPS, com o clássico “e o que eu fiz?”, como se fosse Sherlock e não o sujeito confessando em vídeo.

Foram mais de cem vídeos mencionando uma das mulheres, em ritmo de até seis por dia, o que é uma senhora marca, se me permitem dizer. Uma foto dela fazendo uma tatuagem teria ido parar num site. É dedicação que muita gente não tem nem para a academia em janeiro.

O TI-nhoso foi em cana em abril por stalking e crimes de computador, mas as acusações caíram em maio. Uma medida protetiva civil, concedida em julho, foi derrubada em 8 de setembro. A promotoria reabriu o caso em 24 de setembro, e ele foi detido de novo em 30 de setembro por “ofensa contra usuários de computador”, crime grave, com fiança de 35 mil dólares, e eu fico pensando como é bom não morar nos EUA, já que parece que xingar muito no Twitter é mal-visto lá, o que implica que a rede está sendo descaracterizada.

Os registros não explicam por que as acusações caíram nem por que o caso voltou. A audiência está marcada para 19 de novembro. Tudo isso é “alegadamente”, e a presunção de inocência vale até para quem tem cruz invertida na testa.

FIKA DIKA

Na dúvida de fazer alguma merda ou não, chame o sobrinho que nunca fez faculdade de nada. Ele cobra um pastel, não pede a sua senha e só vai invadir a sua geladeira. E se a máquina estiver mesmo possuída, lembre-se que a Ars Goetia lista 72 demônios, e nenhum, que se saiba, faz atendimento remoto.


Fonte: Tabloide Murican que se leva a sério

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