O asteroide jardineiro

Imagine um pedregulhão do mal do tamanho de quatro vezes o Monte Everest colidindo com a Terra. Ok, você já viu vários filmes sobre isso e sempre dá ruim. Obviamente, se você for tipo a Maria Porcão, você ia emendar logo como isso seria bom para você. Sim, pior que até pode ser bom. No caso de hoje veremos como o impacto do meteorito S2, não só moldou a superfície do nosso planeta, mas também desempenhou um papel crucial na evolução da vida: ele praticamente serviu de um enorme, gigantesco, cataclísmico jardineiro.

Para vocês terem uma ideia, o asteroide S2 tem o tamanho estimado em até 200 vezes maior que o que mandou os dinossauros pra vala na Extinção K-T. O impacto gerou um tsunami gigantesco que misturou os oceanos e arrastou detritos das profundezas para as áreas costeiras. O calor do impacto fez com que a camada superior do oceano evaporasse, aquecendo também a atmosfera.

Apesar da destruição inicial, a vida na Terra mostrou uma resiliência surpreendente. Bactérias, especialmente aquelas que metabolizam ferro, prosperaram após o impacto, ainda mais que asteroides (meteoro é quando ele entra na atmosfera. Quando cai e fica o registro em forma de rocha, chamamos “meteorito”, e se alguém falou diferente nos jornais, eles não entendem merda nenhuma. Consultem um químico sempre) são compostos basicamente e ferro. O pedregulhão fez um tsunami daqueles… – como direi usando um termo acadêmico? – daqueles bem fodões, e este agente de destruição trouxe ferro das profundezas do oceano para águas rasas, enquanto o meteorito (agora, sim, é meteorito) e o aumento da erosão forneceram fósforo, ambos essenciais para a vida.

Não, gente, isso não é panspermia.

A dra. Nadja Drabon é uma geóloga especializada na história da Terra primitiva. Atualmente, ela é professora assistente no Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade de Harvard. Drabon foca seus estudos na habitabilidade da Terra primitiva e como os processos crustais e as mudanças nos ambientes de superfície afetaram essa habitabilidade.

Os estudos da boa doutora levou a explorar lugares como o Cinturão de Greenstone de Barberton, na África do Sul, onde as rochas antigas guardam segredos de bilhões de anos atrás, contando a história de um planeta em transformação, bem como a maneira como impactos violentos moldaram não apenas a superfície, mas também a vida que começava a emergir.

Em sua pesquisa, Dabron sugere que esse impacto ultra-mega-blaster pode ter funcionado como uma “bomba de fertilizante” para a vida. A rápida recuperação e o aumento das populações de organismos unicelulares após o impacto sugerem que eventos cataclísmicos como esse podem ter impulsionado a evolução.

A pesquisa foi publicada na PNAS.

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