EU TENHO, NÓS TEMOS A FORÇA!!!

Eu sou André, Supremo Governante do Ceticismo.net e este é meu artigo de um dos heróis de minha juventude. Sim, adoro DC e Marvel, e lutarei até a morte para defender todos aqueles que me ensinaram sobre verdade, justiça, honra e amor ao próximo. Mas também tinha ele, num mundo bem distante daqui, que na luta pela paz um guardião surgiu. Com força e coragem ele é nosso herói: HE-MAN!
SIM, FILME DO HE-MAN!!!!!!!!
A história de He-Man começa como começou a maioria dos desenhos surgidos nos anos 80: Capitalismo. Não, não era produzir desenhos para vender e sim vender bonequinhos. Vender bonequinhos é sempre lucrativo, mas precisavam ter MOTIVOS para vender bonequinhos e a saída era jogar para um monte de desenhistas e dizer “aê, mermão, beleza? Temos uns bonecos aqui pra vender. Se vira, cria um desenho aí pra gente passar na TV”.
Sim, era exatamente assim. Isso desde He-Man, Comandos em Ação, Transformers, Thundercats, Dinosaucers entre outros. A campeã nesse segmento é a Mattel, criadora de um brinquedo de pouca popularidade e quase ninguém conhece: Barbie.
Só que nem sempre a Mattel se deu bem. Em 1976, a empresa teve a chance de pegar carona no que parecia algum que tinha algum potencial de dar lucro, mas a Mattel achou que o investimento não valia o preço da licença oferecido. Mandou um “Obrigado, não. Obrigado”, e assim deixou de ter os direitos de explorar Star Wars, o que dali a alguns anos deve ter gerado uma imensa torta de climão na reunião de investidores.
Os direitos foram para a concorrência e anos depois, vendo Kenner faturar bilhões com aqueles bonequinhos, a Mattel muito o do puta fez o que qualquer corporação faria ao sentir o cheiro de dinheiro escapando: correu atrás do prejuízo criando seu próprio herói, mas como era antes de existir Futurama, não teve prostitutas e blackjack envolvidos (dizem).
Foi assim que nasceu o embrião de He-Man. O designer Mark Taylor trouxe referências brutas: homens das cavernas, vikings e guerreiros de fantasia que ele rabiscava desde criança. Já Roger Sweet, com um pragmatismo quase cínico, entendeu o que realmente importava: não precisava de uma grande história, bastava um conceito simples e vendável. A história que ficasse a cargo do Marketing e eles que se virassem! Pegou um boneco da linha Big Jim, cobriu de argila até transformá-lo num colosso musculoso e apresentou três versões ao comitê: um bárbaro, um soldado futurista e um guerreiro espacial.


Ao mostrar para os executivos, quem ganhou a parada foi o bárbaro, comprovando que nada vende melhor que a fantasia mais direta possível: poder puro, sem sutileza. Toneladas de músculo, tiro, porrada e bomba estão fazendo sucesso desde as sagas dos tempos dos Sumérios (a parte do rito e bomba talvez seja exagero da minha parte. Talvez).
Como toda criação de sucesso dos anos 80, logo surgiram os rumores inevitáveis. Primeiro, que He-Man não passava de um Conan, o Bárbaro de outro nome, ainda mais com o filme de Arnold Schwarzenegger estreando na mesma época; uma versão mais infantil PG-13 daquela carnificina das histórias do Cimério Boladão. Depois, que He-Man era uma cópia de Thundarr the Barbarian, o herói loiro e musculoso de uma série animada de 1980 que misturava espada, magia e ruínas de um mundo pós-apocalíptico. As semelhanças visuais eram óbvias: cabelo channel, físico imponente e o espírito de “sword and sorcery”.

A acusação parecia tentadora à primeira vista. Visualmente, a influência de Frank Frazetta era impossível de ignorar em ambos; mas o projeto de He-Man já estava em desenvolvimento na Mattel desde o final de 1980, praticamente na mesma época em que Thundarr ia ao ar. Os criadores da Mattel sempre afirmaram que o conceito nasceu de ideias internas, protótipos da linha Big Jim e desenhos antigos de Mark Taylor, não de uma cópia direta. No fim, tanto Thundarr quanto He-Man (e até Blackstar) eram filhos do mesmo zeitgeist cultural: o boom de fantasia pulp, Conan e o sucesso de Star Wars, ainda mais que Thundarr tinha uma espada laser, como kibe, digo, referência aos sabres de luz.
Enquanto isso, He-Man passava por um curioso “banho de loja”. O bárbaro moreno, de aparência mais áspera e selvagem, foi sendo suavizado aos poucos. O cabelo escuro virou loiro, os traços ficaram mais limpos e amigáveis. A lógica era cristalina: manter a força bruta, mas reduzir qualquer ar de ameaça. Porque, no fundo, por trás das espadas mágicas, castelos flutuantes e vilões de caveira à mostra, o verdadeiro campo de batalha nunca foi Eternia. Era o carrinho de compras dos pais.
Por increça que parível, alguns ainda acharam que o desenho do He-Man era violento e podia instigar as crianças a se comportarem feito pequenos psicopatas (quem conhece crianças sabe que elas não precisam de desenhos para se tornarem isso). Para acalmar os ímpetos, Lou Scheimer, fundador e produtor executivo da Filmation Studios, para mostrar que o desenho não era só propaganda de brinquedo (cof cof, era, mas vamos fingir que não) teve a ideia de colocar no final de cada episódio um conselho direto de He-Man ou de outros personagens bons do desenho para dar conselhos às crianças, uma lição moral curta e educativa que se tornou a parte mais lembrada do desenho até hoje.
He-Man teve um filme já, com o Dolph Lundgreen, mas era um troço meio que feito nas coxas de qualquer jeito pela Canon, cujo único filme com qualidade de produção que fizeram foi Superman I e II (que a rigor é um filme só em duas partes, mas não vou entrar neste assunto). Teve um remake do desenho, mas é uma merda., Tem quem goste, mas tem gente que gosta até de cuscuz paulista.
Agora, a Amazon que é dona da MGM fez a produção do ano, com distribuição da louca da Sony: MASTERS OF THE UNIVERSE. O ator que faz Adam/He-Man é Nicholas Galitzine, que eu não conheço e não faço questão. Já o Mentor (Man-At-Arms é parte de minha anatomia com instrumento óptico que auxilia a visão) é Idris Elba e ele vai cancelar o Apocalipse em Etérnia! Dica pra vida: sempre tenha um negão responsa
Mas aí veio um problema: Eu e toda a velharia 50+ estava preocupada: pô, mas a dublagem é quem? Digam que vai ser Garcia Júnior, o dublador original. PLEASE! PLEASE! PLEASE!
E é:
Assim como no filme do Super-Homem do James Gunn, eu volto a ser criança novamente.
Amazon/MGM e Sony estão fazendo com o He-Man o que a Disney fez com a Marvel: criar uma nova legião de fãs, com pais levando os filhos e filhas pro cinema e apontar pra tela em felicidade. Eu espero e tenho certeza de que terá os conselhos do He-Man, mas eu tenho mais um desejo: geolocalizar a distribuição, e nos créditos finais, colocar… essa música:
