
Você tá esperando aquele lance “War, War never changes”. Às vezes “chenja”. Enquanto você ainda acha que guerra é feita de estratégia, mapas bem desenhados e generais com cara séria apontando para setas vermelhas, sinto informar: você está atrasado alguns séculos. A guerra real, essa que acontece longe das coletivas de imprensa e perto demais da estupidez humana. Nossos amigos Ivãs que o digam.
Dois soldados russos foram amarrados nus a árvores, no meio do frio brutal, porque, segundo os próprios colegas, roubaram… Comida? Armas? Passaram a mão na bunda do oficial? Não! Eles roubaram a maconha do comandante. Não, não é metáfora. Não é sátira. É só a realidade, nua e pendurada num tronco congelado.
O vídeo, que circula nas redes sociais, mostra os dois homens reduzidos à sua forma mais primitiva: corpos tremendo, dentes batendo, dignidade evaporada junto com qualquer resquício de racionalidade militar.
Eles estão ali como se fossem avisos vivos, placas humanas dizendo “não mexa no baseado do chefe”. É a pedagogia do terror em sua versão mais preguiçosa: sem tribunal, sem regra, sem cérebro, apenas a velha lógica do “vamos fazer algo cruel porque podemos”.
Não consigo pensar em algo mais russo.
E não, isso não é um caso isolado de sadismo individual. Isso é sintoma. Um exército que precisa amarrar seus próprios soldados nus a árvores para impor disciplina não está enfrentando apenas o inimigo do outro lado da fronteira; está lutando contra a própria decomposição interna. Quando a hierarquia vira vingança pessoal e a punição vira espetáculo, a guerra deixa de ser conflito armado e passa a ser colapso administrativo com fuzil.
Ok, continua sendo algo bem russo.
Isso tudo só porque resolveram fazer uso da erva mardita. Até poderiam fazer, mas roubar do comandante é sacanagem, pô! Ninguém respeita o comandante? Ok, não. Algo bem russo.
O vídeo também expõe algo ainda mais constrangedor: a naturalização da humilhação como método de comando. Os soldados que filmam não demonstram surpresa, indignação ou sequer desconforto. Há riso. Há escárnio. Há o prazer típico de um monte de outros psicopatas que acredita que a crueldade alheia reforça a própria posição. É o mesmo mecanismo psicológico de pátio de escola, só que armado, traumatizado e com autorização tácita para matar.
Isso ainda é bem… você sabe!
No fim, aqueles dois pregos amarrados às árvores representam um sistema que não precisa de inimigos externos para se destruir, porque faz isso com eficiência assustadora por dentro. A árvore não é só cenário; é símbolo. Enraizada, imóvel, indiferente. Ela sobreviverá ao inverno. Já o exército que precisa recorrer a esse tipo de espetáculo punitivo talvez não sobreviva nem à própria farsa.
Sim, um exército que teme mais a si mesmo que o do inimigo é algo bem russo.
Fonte: Tabloide Fish’n chips use com moderação
