
A Supermanguaceira
Eu escrevi em 2025: em dezembro do ano passado (2024) eu postei o teaser do filme do Super-Homem, e ele me encheu de esperança. A esperança que é simbolizada pelo monograma da Casa de El. Esta semana saiu o teaser da Supergirl e, coo sempre, o bando de jovem ignorante reclamando. Obviamente, explicarei umas coisinhas de forma que vocês possam ignorar os jovens ignorantes.
No final do filme do Super-Homem, a SuperGirl aparece completamente chapada no álcool indo buscar seu cão Krypto. Para sorte de Lex Luthor, a SuperGirl não soube o que ele fez com seu cão, ou não ia sobrar nada dele. Então, veio o teaser.
Entendam, Supergirl não é o Super-Homem. Super-Homem tem mantido sua natureza, mesmo com as inúmeras atualizações desde 1938. Sua essência de ser alguém com ética, honestidade, bondade e otimismo inabaláveis tem se mantido praticamente o mesmo; até em Injustice, quando ele surta e acaba se tornando um ditador, acaba caindo em si e voltando á sua natureza (ou não, dependendo do final do jogo, no qual a HQ e a animação foram baseados). Supergirl é uma história totalmente diferente.
A Supergirl original foi criada por Otto Binder e Al Plastino, tendo a sua primeira aparição em Superman nº 123, de 1958.

Ok, aqui é SuperWoman.
Depois, em maio de 1959, iniciou-se a publicação da série regular de histórias da prima adolescente do Super, na revista Action Comics nº252.

E então veio a saga que, em 1985, a DC revolucionaria os quadrinhos, quebraria todos os paradigmas de roteiro, arte e tudo que se podia relacionar com histórias em quadrinhos: Crise nas Infinitas Terras, cujos detalhes não entrarei, exceto de uma das partes mais chocantes: a Morte da Supergirl.

Como ninguém morre definitivamente nos Quadrinhos (exceto o tio Ben e os pais do Batman), a Supergirl volta… mas um tanto diferente. O ano é 1988 e John Byrne (meu autor de quadrinhos favorito) apresenta a nova versão da Supergirl que ficou conhecida como Matriz, no arco A Saga da Supergirl. Nela, a Supergirl não é bem Kara, mas uma forma de vida artificial feita de protoplasma criada por um Lex Luthor de um Universo paralelo. Seu nome era Matriz.
Houve outras “Supergirls”, como a humana Linda Danvers que acabou se fundindo com a Matriz, Cir-El, a filha do Super-Homem com Lois Lane que veio do futuro e… alguma coisa dos Novos 52. Não falamos sobre Os Novos 52. Nunca existiu Os Novos 52, não importa o que você vier aqui me dizer.
A atual edição da Supergirl é totalmente diferente, apesar de alguns fundamentos das histórias anteriores, o que é exatamente o inverso com o que aconteceu nas histórias do Super-Homem.
Supergirl é uma adolescente que conseguiu escapar de Krypton mas, diferente do Super, isso foi devastador pra ela, e tal descrição aparecerá no filme, que é baseado no da minissérie Supergirl: Woman of Tomorrow, escrita por Tom King e ilustrada por Bilquis Evely, que começou em junho de 2021.
A jovenzada maldita e os Snyderbots (nenhum dos dois grupos jamais leu um HQ na vida) ficaram putos com o teaser porque estava a cara de Guardiões da Galáxia. Eu até concordaria, mas seria um retardado que nem eles. Sim, ÓBVIO que parece Guardiões da Galáxia. Por que foi feito pelo James Gunn, também? (tecnicamente, não foi, ele não é o diretor) Não, porque o que se vê ali é uma Aventura Espacial, aquele gênero que se perdeu na história do cinema, mas posso citar ótimos filmes como Mercenários das Galáxias, O Último Guerreiro das Estrelas, Fugitivos das Galáxias, Piratas das Galáxias (sim, na maioria dos casos tem que ter o “Das Galáxias”, só faltando o filme Pica), Buck Rogers no Século 25 entre muitos outros.
Os elementos são os mesmos. Lógico que vai ser parecido, mas não só com Guardiões da Galáxia, porque, efetivamente, a história será completamente diferente, porque não terá Joia do Infinito por motivos óbvios.
O que a jovenzada não estará preparada é a personagem depressiva, degradada, autodestrutiva que é a Supergirl. Ela está sempre zanzando pelos planetas com Sol vermelho para conseguir ficar bêbada (o que é dito no final do filme do Super), mas não apenas porque é uma aborrecente que faz merda. O motivo é muito pior e triste.
Ain, spoiler?
Tá na porra do HQ que já tem quase 5 anos, caralho!
O tema central do Super é que Jor-El avisou que o núcleo do planeta estava instável. Dependendo da história, isso não foi apenas um evento natural, mas a exploração indevida e irresponsável de recursos do planeta feita pelos kryptonianos. Jor-El explicou isso e ninguém lhe deu ouvidos.
Por outro lado, Zor-El, o irmão mais novo de Jor-El, era também um importante cientista kryptoniano, marido de Alura e pai de Kara Zor-El. Alguns meses antes do cataclismo que destruiu Krypton, Zor-El construiu uma cúpula protetora ao redor de Argo City, a cidade onde ele vivia com a sua família. Junto com Argo, as outras cidades principais de Krypton eram Kandor e Kryptonópolis, a capital do planeta, onde Jor-El morava.
A cúpula feita por Zor-El era um campo de energia com a intenção criar uma atmosfera livre de germes para manter os argonianos saudáveis, mas inadvertidamente, a cúpula salvou a cidade quando Krypton explodiu. Esse é o primeiro trauma da Supergirl: ver um planeta inteiro ser destruído enquanto ela está protegida com seus familiares.
Mas iria piorar.
Com a explosão do planeta, Argo City foi arremessada para longe da órbita de Rao, o Sol kryptoniano; Argo City, então, vagou sem rumo pelo Espaço durante muitos anos. Entretanto, as rochas remanescentes foram transformadas em kryptonita, o mineral altamente letal pros kryptonianos. Os sobreviventes começaram a morrer lentamente por envenenamento de kryptonita, incluindo a mãe de Kara, Alura, em uma agonia prolongada. Kara começa a ver o que sobrou da sua raça morrer lenta e dolorosamente. Zor-El tenta impedir criando uma base feita de chumbo para proteger os kryptonianos da radiação da kryptonita, salvando o restante da cidade.
Mas iria piorar.
O terceiro golpe em Kara veio sob a forma de uma chuva de meteoros cataclísmica que destruiu a cúpula protetora de Argo City, matando os últimos remanescentes e forçando seus pais a enviá-la para a Terra. Kara foi mandada já crescida, ao passo que Kal-El foi mandado como bebê, isto é, em termos de nascimento, Kara é mais velha que Kal-El, mas ficou zanzando pelo Espaço até chegar na Terra, e ela já chegou quebrada.
Enquanto o bebê Kal-El cresce em meio a pais adotivos amorosos que lhe criaram e lhe deram toda a formação ética, moral e com apoio psicológico, Kara está literalmente e psicologicamente sem rumo. A saída dela é se embebedar, mas para isso precisa ir para lugares com o Sol vermelho, porque o Sol amarelo lhe faz ser super. Ela não quer ser super, mal se aguentando em não se matar, mas indo pela autodestruição.
E é em meio a essa autodestruição que o arco começa na HQ e no filme. Eu identifiquei muito disso no teaser. Tem bandidos espaciais, um boteco no fim do Universo e ela sendo arrolada neste turbilhão, pois, é preciso isso para que ela encontre a motivação. Se você conhece a Jornada do Herói, já identificou isso: o desenvolvimento de personagem e não apenas uma manguaceira idiota. Supergirl é uma personagem trágica, complexa, decadente, mas que terá seu momento de salvação.
Salvação de si mesma.
Supergirl é cínica e incapaz de ver algo bom, pois, nada de bom aconteceu em sua vida. A fala “Ele [Super-Homem] vê bondade nas pessoas. Eu vejo a verdade” mostra, não que o Super está errado, mas que Kara só conheceu o que havia de pior nos seres que encontrou. O símbolo da Casa de El, chega a soar irônico para alguém que perdeu as esperanças.
Não, Supergirl não tem nada a ver com Guardiões da Galáxia, que é um grupo de desajustados em meio a eventos que eles não compreendem, tendo que trabalhar juntos, mas que no fundo é um filme de fuga da prisão. Supergirl é alguém que quer renunciar aos seus superpoderes, porque eles eram inexistentes perante as condições de sua cidade, e depois que ela os tem, nada pode fazer com eles. É uma deusa buscando seu lugar no universo, renunciando aos seus dotes quase divinos. Como sempre digo, DC é sobre deuses tentando ser humanos, mesmo que em outros sistemas planetários.
James Gunn colocou vários elementos para isso, entre eles, ele, o Maioral: Lobo. Será interpretado pelo Jason Momoa, e ele é perfeito para isso. Tão perfeito que Momoa já era o Lobo quando fez o Aquaman. Aliás, no teaser ele me coloca Blondie tocando, o que não vai significar nada para a maioria dos jovens, mas eu ri muito. Blondie? Num filme sobre uma garota loira? E aquela música?
Quanto ao Krypto? Bem, na HQ ele morre ao proteger a sua dona de um ataque com a mortal kryptonita. Será isso que mexerá com ela a ponto de fazê-la ser super-heroína? Talvez. É uma grande sacanagem matar o doguinho? Com certeza, mas tem horas que é necessário fazer isso. Mataram até o Super-Homem! Mas lembrem-se o que eu falei antes: Fora os pais do Batman e o Tio Ben, ninguém morre definitivamente nos quadrinhos.
| Call me (call me) on the line
Call me, call me any, anytime Call me (call me) I’ll arrive You can call me any day or night Call me. |
É, chegará um momento que ela precisará ser chamada. E ela irá.
Ia me esquecendo:


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