
Está lá você, acordando de manhã e talz. Daí – PUMBA! – descobrir que seu quintal é, na verdade, o cenário de um evento cósmico cataclísmico de bilhões de anos atrás. Isso porque um pedregulhão veio viajando a uma velocidade estonteante de 36 mil km/h, colidiu com a Terra primitiva há 3,5 bilhões de anos, gerando um evento cataclísmico. Você ficaria sem palavras, certo? Foi mais ou menos isso que aconteceu com um grupo de pesquisadores da Universidade Curtin, na Austrália, quando encontraram evidências da cratera de impacto de meteorito mais antiga já registrada na Terra.
Essa descoberta, feita no Domo do Polo Norte (não aquele cheio de neve, mas uma região quente da Pilbara, na Austrália Ocidental), e pela data mencionada acima, isso significa que essa cratera é mais antiga do que qualquer outra conhecida – a que detinha o recorde anterior tinha “apenas” 2,2 bilhões de anos.
O dr. Tim Johnson é pesquisador ligado à Escola de Ciências da Terra e Planetárias da Faculdade de Ciências e Engenharia da Universidade Curtin, na Austrália. Sua pesquisa estuda a Terra primitiva, diferenciação planetária, mudanças no metamorfismo e as consequências de impactos gigantes.
Diferente das crateras gigantes que vemos na Lua ou em Marte, essa cratera não está visível a olho nu. O tempo e a geologia fizeram seu trabalho, e os sinais do impacto foram soterrados e remodelados ao longo de eras. Johnson e seu pessoal, auxiliados pela equipe de pesquisadores do Serviço Geológico da Austrália Ocidental usaram uma pista inconfundível: os “cones de estilhaçamento”. Essas formações rochosas só aparecem sob pressões extremas, como as geradas por um meteorito se chocando contra a Terra a mais de 36.000 km/h.
Esses cones foram encontrados cerca de 40 km a oeste de Marble Bar, uma das regiões mais quentes do mundo, e indicam que o impacto criou uma cratera colossal, com mais de 100 km de diâmetro. Para ter uma ideia, um evento desses espalharia detritos pelo planeta inteiro e alteraria drasticamente o ambiente da Terra primitiva.
O dr. Tim-Tim, digo, Tim (só um Tim) destacou que essa descoberta desafia tudo o que pensávamos saber sobre o passado da Terra. “Sabemos que grandes impactos eram comuns no início do sistema solar observando a Lua”, explicou ele. “Mas até agora, a falta de crateras antigas na Terra nos fazia subestimar seu impacto na evolução do planeta.”
Por que isso importa tanto? Ok, isso não vai mudar a SUA vida. Aliás, pouco muda a SUA vida, mas ciência não se baseia em você, chuchu. Em termos de História da Terra, importa e muito, pois, além de reescrever a história geológica, essa descoberta lança luz sobre como os meteoritos poderiam ter contribuído para o surgimento da vida.
Ambientes criados pelo impacto, como piscinas de água quente, poderiam ter sido berços para formas de vida microbianas. E mais: o impacto liberou quantidades imensas de energia, que podem ter desempenhado um papel crucial na formação da crosta terrestre primitiva, forçando magma a emergir das profundezas do manto e talvez até contribuindo para a formação dos crátons, as grandes massas de terra que hoje sustentam os continentes.
Se observarmos a Lua, podemos ver como impactos foram comuns nos primórdios do Sistema Solar. Essa nova evidência na Terra conecta o passado da Lua ao nosso e nos lembra que ainda há muito para explorar sobre os eventos que moldaram nosso planeta como o conhecemos. Além disso, o impacto liberou uma quantidade de energia inimaginável, possivelmente ajudando na formação da crosta terrestre ao empurrar pedaços do solo para baixo ou trazendo magma das profundezas do planeta. Ou seja, sem esses eventos cataclísmicos, talvez o mundo como conhecemos hoje não existisse.
Então, da próxima vez que olhar para o céu e ver uma estrela cadente, lembre-se: alguns desses meteoritos podem ter sido responsáveis por mudar completamente o rumo da história da Terra. E, se tivermos sorte, novas descobertas continuarão a revelar os segredos escondidos sob nossos pés. Mas se tivermos sorte MESMO, um desses não cai de novo por aqui tão cedo (não que não tenha horas que a gente olhe pra cima e pense “VEM, METEORO!”).
A pesquisa foi publicada na Nature

Um comentário em “A mais antiga cratera encontrada”