Analisando séries e filmes de super-heróis VIII

Qual o problema dos filmes da DC

O problema dos filmes da DC é algo que vai lhe surpreender. Eu quase (QUASE) diria que é por acusa dos próprios fãs, mas não é simples. Qual é o ponto? Onde a DC falhou onde a Marv…. Disvel teve tanto êxito?

DC sempre teve bons filmes de super-heróis, mas não com a quantidade que os do Universo Marvel. E por “Universo Marvel” estou me referindo aos sete (!) filmes do Homem-Aranha (3 com o Tobey Maguire, 2 com o Andrew Garfield e 2 com o Tom Holland) e um do Venom, que pertencem à Sony, 10 da franquia X-Men (3 X-Men com integrantes antigos e 3 X-Men com novos, Wolverine Imortal, Logan e 2 do Deadpool) e 3 filmes do Quarteto Fantástico, junto com os dois filmes da franquia Demolidor (o próprio e a Electra Assassina) que pertencem à Fox (agora a Fox é da Disney, mas até o momento que estes filmes foram lançados, não era).

Ok, talvez devêssemos excluir o filme do Lanterna Verde no quesito “bons filmes”.

No histórico da DC temos que, em 1967, a Kinney National adquiriu a National Periodicals, que era a empresa que se tornaria futuramente a DC Comics. Em 1970, a Kinney National adquiriu a Seven Arts, que era a proprietária da Warner Bros. Em 1972, a Kinney National separou seus ativos não relacionados a entretenimento e formou a Warner Communications, e isso devido a um escândalo financeiro da época. Nesse meio tempo, a Warner passou por um monte de crises financeiras e estava devendo a Deus e o mundo. Foi adquirida pelo grupo Time, formando a Time-Warner. Nos anos 2000 foi adquirida pela America Online, que depois foi adquirida pela AT&T, numa salada de compras e vendas. Em outras palavras, o sistema administrativo estava a todo momento mudando, com os projetos da DC sendo deixados de lado.

Quer dizer, pelo menos em termos de cinema, já que para a TV a DC ia muito bem, obrigado, com as séries, como Smallville e aquela porcaria de série Lois & Clark, mas que fazia sucesso (pessoal adora uma novelinha, e prestem atenção nesta parte), e os desenhos animados.

Em 1997, DC-Warner – ou War-DC ou DC, mesmo – lança Aço. Uma tristeza, vamos ignorar. Em 2004 lança Mulher-Gato como uma super-heroína e que não tem nada a ver com a vilã do Batman. Acho que foi para dar uns trocados à Haley Berry. Em 2005 lança Constantine e Batman Begins, em 2006 lança Superman, o Retorno, com o Brando Routh. Este filme foi uma bomba, mas depois do crossover da CW (não, falaremos deles aqui. Outro dia) vemos que o problema não era o ator e sim o roteiro e a direção. V de Vingança e 300 (ambos de 2006) foram baseados em graphic novels assim como SinCity, sendo este último distribuído pela Disney. Em 2009, é lançado Watchmen e isso deu uma guinada total, mas o estilo era o mesmo de 300, não por acaso com o mesmo diretor: Zack Snyder.

Snyder é um bom diretor, e começou com seus filmes sombrios no estilo de muitas graphic novels, como o próprio 300 e Watchmen, o primeiro do Frank Miller e o segundo do Allan Moore, dois autores que não são bem o exemplo de caras que escrevem roteiros coloridinhos.

Homem de Aço (2013) custou 225 milhões, faturando 668 milhões de dólares. Nada ótimo, mas não é um fracasso. Ainda assim, tinha algo de errado. O público queria ver um filme do Super, mas viu um filme do Clark. Não que isso fosse errado; mesmo porque, Nolan fez Batman Begins. O que o Snyder não fez foi uma continuação como The Dark Knight.

Alguma mente pensante pediria por uma continuação de Homem de Aço, mas os fãs (fãs?) queriam um DCEU, um universo expandido DC como a Disney estava fazendo com o MCU (Universo Cinematográfico Marvel). O que aconteceu é que deram ouvidos às pessoas, sem nenhum tipo de planejamento, na base do “se estão pedindo, mete aí”

Dizem que o cliente sempre tem razão, algo que criticam, mas foi cunhado por Harry Gordon Selfridge (1858 – 1947), fundador da imensa loja de departamento Selfridge’s, ainda hoje em atividade (foi fundada em 1906). Muito do que vemos hoje em termos de marketing e vendas (“Faltam _____ para o natal”) saíram de suas ideias. O problema é quando o cliente que tem razão não é bem o seu cliente, e você precisa entender a mente das pessoas sem se distanciar muito dos seus projetos. Eu sei, eu sei, você virá com aquela bobagem do Ford dizer que se ele tivesse seguido as ideias dos seus consumidores, ele não venderia carros, mas cavalos mais rápidos. Um exemplo disso é que ele dizia que você podia comprar o Ford T em qualquer cor, desde que fosse preto. Um ano depois ele estava vendendo em diversas cores. Mesma coisa a Apple, com Steve Jobs sendo terminantemente contra que o iPhone tivesse apps. Bem, você já viu algum iPhone na vida, certo? Ele só faz e recebe chamadas?

Quando a Warner deu ouvidos, falou pro Snyder dar continuidade. Outra coisa que queriam muito: Batman enfrentando o Super-Homem como na graphic novel The Dark Knight, do Frank Miller. Aquilo deu MUITO ruim pelo simples fato do filme ter ficado muito grande, com um monte de ideias jogadas lá (Batman enfrentando o Super-Homem, Mulher Maravilha no meio, Apocalipse, Luthor zoando com tudo). O filme ficou com mais de 3 horas e os executivos acharam que as pessoas não gostaram e começaram a dar palpites onde deveriam fazer os cortes. O que foi pro cinema foi totalmente desfigurado, com partes essenciais tiradas, deixando sem sentido. Não, a parte do “Save Martha” não tem um erro, foi apenas uma coisa chocante que ninguém tinha se tocado até então: as duas mães tinham o mesmo nome! Abordarei isso em outro episódio desta série. Snyder estava com outros planos, mas os executivos mandaram. Aí, quem queria Batman enfrentando o Super-Homem não gostaram de ver o Batman enfrentando o Super-Homem. Acharam um absurdo o Batman matando um monte de gente, quando em Batman de 1989 ele é praticamente um psicopata e nos quadrinhos ele matou várias vezes, inclusive deixando um sujeito trancado num armazém para morrer de fome.

Em 2016, também foi lançado Esquadrão Suicida, um grupo de marginais, bandidos, assassinos e psicopatas a serviço de uma agente do governo marginal, assassina e psicopata visando o bem maior do país. Queriam porque queria mais piadas. Afinal, os filmes da Disvel são cheios de piadas, né? Os executivos da Warner ouviram este pessoal e mandaram o David Ayer meter piadas lá. O filme não é ruim (se fosse, não teria faturado quase 747 milhões de dólares, mais do que Homem de Aço, tendo custado menos). Você vai falar que sim, um monte de gente fala. Nunca me apresentaram um motivo do POR QUE é ruim. Lembram do artigo da Mulher Maravilha 1984 sobre saber sobre o que é o filme? Aqui encaixa isso. Deixo ao seu cargo para pensar.

As pessoas na verdade pegaram má vontade com os filmes da DC. A Warner fica dando ideia a essa gente, que nem são os verdadeiros fãs. Os verdadeiros fãs ficam à deriva, sem serem ouvidos. Fças que queriam ver filmes do Super-Homem, da Mulher Maravilha, do Batman, do Flash, do Ciborgue. A ruidosa gente que queria um DCEU fez com que todos os projetos fossem deixados de lado, e os executivos retardados querendo apenas lucro imediato e não uma visão a longo prazo caíram nesse papo.

O que Mulher Maravilha e Aquaman provaram é que histórias solo funcionam muito bem. Mulher Maravilha (2017) faturou 822 milhões de dólares. Aquaman (2018) veio logo a seguir a Liga da Justiça (2017) e faturou 1,148 bilhão. Liga da Justiça foi um problema sério. Snyder começou a filmar, mas sua filha se suicidou. O sujeito ficou arrasado e Josh Whedom assumiu. Whedom tem um poderio tão alto (principalmente por causa do faturamento de Vingadores) que Disney ficou caladinha, e Disney nunca foi o tipo de empresa gentil com a concorrência. O filme faltou mojo, a trilha sonora não empolgava, embora a trilha sonora de cada herói caía como uma luva. Muita coisa teve que ser refilmada, Whedom tentando remendar as coisas do jeito que podia. Era isso ou perder muito mais e os executivos estavam pressionando. A bilheteria foi péssima (657 milhões) e passaram a culpar o Whedom. Os fanboys do Snyder queriam um “snydercut” e o Zack Snyder, numa imensa demonstração de ingratidão, culpou o Whedom pelo fracasso e pressionando a Warner a fazer seu snydercut, que até agora não decidiu ao certo se vai fazer um filme de 4 horas ou uma minissérie.

A verdade é que as pessoas não querem mais filmes da DC e se eu fosse a Warner me dedicava apenas aos filmes solo e soltasse no HBO Max. Deu certíssimo com QWW 84, apesar de jurarem que foi ruim, mas os números estão mostrando que a altíssima adesão ao serviço de Streaming mostrou à Warner o caminho. Será que vão seguir? Não sei.

Graças a esta mesma gente ruidosa, talvez isso mude, mas não da forma como você está pensando. Caíram na besteira de “cancelar” James Gunn por causa de algumas bobagens que ele falou no Twitter há alguns anos. Disvel deu um pé na bunda do diretor de Guardiões da Galáxia 1 e 2. Num raríssimo caso de brilhantismo, a Warner viu a bola quicando e deu um chutaço a gol: convidou o Gunn para fazer seu próprio Esquadrão Suicida. Gunn topou na hora e Disney viu a merda que fez. Era tarde. Gunn agora está fazendo o seu Esquadrão Suicida com os maiores maníacos psicopatas dos quadrinhos. Será um gibizão coloridão e vai ter um monte de protagonistas, até o Rei Tubarão vai ter.

E sabem o que as pessoas curtem? Exatamente este gibizão, o que está dando muito retorno à CW e suas séries, que juram ser ruins, mas a massa que assiste é maior que o vozerio.

Só espero que o último ato de dar ouvido a idiotas tenha sido com SHAZAM, um filme maravilhosamente divertido que flopou feio. Mas isso será justamente o próximo artigo.

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