Católicas que não querem seguir todo o catolicismo querem ter direito ao aborto. You funny, responde ICAR

Eu não sou contra uma pessoa ter uma religião. Quer seguir alguma? Siga! Desde que não viole leis vigentes, eu estou pouco me lixando. Claro, essa pessoa tem um certo problema: ao se dizer seguidor de uma determinada religião, clicou no I AGREE da EULA e vai ter que seguir. Por exemplo, quer ser judeu? Ótimo, mas já sabe que nada de bacon, né? Para seguir o Cristianismo, mesma coisa. Jesus é Deus e talz. O problema é a vertente cristã. Você quer ser protestante? Vai ter que ser contra a figura papal. É meio como um pré-requisito. Se quer ser católico romano, vai ter que seguir os preceitos impostos pelo Papa, que goza de infalibilidade papal ao fazer seus pronunciamentos oficiais no tocante à Igreja. Até aí nos entendemos? Ótimo!

Então eu vejo uma maluquice de um grupo religioso denominado Católicas Pelo Direito de Decidir. E um dos pontos que elas se acham no direito de tomar sua própria decisão é no tocante ao aborto, ao que elas são favoráveis. Só tem um pequeno probleminha…

O problema é que a Igreja Católica nunca teve uma posição consolidada sobre o aborto até o 1930. A discussão começou no tempo de Agostinho de Hipona, no século IV (o Santo Agostinho), que disse que só a partir de 40 dias após a fecundação se poderia falar que o feto era uma pessoa. Não muito esclarecedor. Tertuliano, bispo de Cartago, ficou meio possesso com isso e praticamente disse que Agostinho estava falando asneira. Isso deu no zero a zero. No século XIII, São Tomás de Aquino reafirmou não reconhecer como humano o embrião que não completou 40 dias. Ninguém deu muita bola, de novo. No século XVI, o Concílio de Trento estabeleceu este mesmo princípio, mas os opositores tomaram as ideias de Tertuliano. Continuou no zero a zero. Nenhuma encíclica papal aprovando o aborto, embora não condenasse. Levando em conta a altíssima taxa de mortalidade infantil, eles não precisavam se preocupar com estes detalhes de menor importância enquanto estavam saqueando, pilhando e se matando mutuamente.

Em 1869, o Papa Pio IX deu fim a esse Emcimadomurismo. Na encíclica Apostolicae Sedis, Pio IX condena virulentamente toda e qualquer interrupção voluntária da gravidez. Mas isso tem pouco ou nada de santidade da vida. Acontece que Napoleão III apoiava Roma (e por extensão, o Papa) militarmente. O detalhe é que a França estava passando por uma época de baixíssimo índice de natalidade, a população estava ficando velha e era preciso força laboral e, claro, militar para manter a França sendo a França, já que tinha um monte de inimigos de olho nela.

Em 1930, isso é ratificado quando o Papa Pio XI publica a encíclica Castii Connubii, acerca do Matrimônio Cristão. Nela é estabelecido que os fetos possuem direito à vida igual ao de suas mães. Com isso, qualquer medida anticoncepcional “não-natural” foi considerada um “crime contra a natureza”. Assim, nada de pílula anticoncepcional (eu sei, não tinha sido inventada na época) e camisinha estavam fora de cogitação. Uso da tabelinha, podia, porque levava em conta os dias férteis da mulher e era só não fazer fuc-fuc no dia. Esta posição é oficial da ICAR e vigora até hoje.

Então, beleza. Nada de aborto para as católicas. O que eu acho ou deixo de achar sobre o aborto é irrelevante, mas tenho que ou você segue uma religião integralmente, ou, seu lá, sai com um papel com o que você discorda e prega na porta da primeira igreja que encontrar. Com isso, eu fico vendo esse grupo Católicas Pelo Direito de Decidir e fico com cara de “Ué?”. Se não gosta como a ICAR aborda certas questões, segue outra religião. Vertente cristã é o que não falta. Ou cria uma para você. Problema seu! O que não pode é ficar questionando a ICAR e o Papa, que não pode ser questionado por causa da infalibilidade papal. Não fui eu quem inventou isso, ora bolas!

A Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, uma entidade católica conservadora (conservadora até para os padrões da ICAR, que nunca foram liberais), entrou com um pedido junto à Justiça e São Paulo e o colegiado da 2ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de SP determinou que elas parem de usar o termo “católicas” no nome, ou pagarão multinha de mil reais por dia. De minha parte, eu reitero o que falei antes: ou você segue a religião direito ou não segue.

Só no Brasil tem esse conceito maluco de Católico Não-Praticante, que vai em centro de macumba; se bem que aqui é o país da “lei que não pega”.

Ah, ia me esquecendo: Esta foi a sua SEXTA INSANA!


Fonte: G1

5 comentários em “Católicas que não querem seguir todo o catolicismo querem ter direito ao aborto. You funny, responde ICAR

  1. Acho que já foi tudo falado no texto, mas só pra descontrair:

    Ateu gourmet: sou católico não-praticante
    Umbandista gourmet: sou católico não-praticante
    Espiritualista (essa religião em si já não é muito gourmet?): sou católico não-praticante
    Católico que não é católico: sou católico não-praticante

  2. Na verdade, creio que esse é um grupo de pessoas que querem mudar a religião por dentro.
    Já li que várias delas são feministas de longa data, estudadas, doutoras. Duvido que acreditem nos contos de fada da virgem Maria, mas pode ser que estejam afetivamente ligadas à igreja católica. Ou apenas são feministas ateis disfarçadas de católicas para mudar a igreja por dentro

    Você poderia criticar a incoerência de algum gay que insiste em querer permanecer no cristianismo, mas isso seria ignorar fatores sociais e emocionais que vêm junto com a crença. Muito lentamente, grupos religiosos tradicionais são obrigados a se abrirem para o mundo, ou ficam esquecidos. Várias igrejas protestantes tradicionais já realizam casamentos gays, por exemplo. Quem sabe um dia a igreja católica os realize também e pare de implicar com abortos.

    1. Já li que várias delas são feministas de longa data, estudadas, doutoras.

      Fonte: vozes da sua cabeça.

      Ou segue o catolicismo ou não segue.

      Você poderia criticar a incoerência de algum gay que insiste em querer permanecer no cristianismo, mas isso seria ignorar fatores sociais e emocionais que vêm junto com a crença

      Eu já fiz e mantenho a minha opinião: ou segue a religião ou não segue. Um gay que quer seguir uma religião que diz que gays são apedrejados, é no mínimo imbecilidade.

      Muito lentamente, grupos religiosos tradicionais são obrigados a se abrirem para o mundo, ou ficam esquecidos.

      Os 2020 anos da Igreja Católica mostram que você está falando bobagens.

      Quem sabe um dia a igreja católica os realize também e pare de implicar com abortos.

      Mas caralho, é só seguir outra religião. Quer comer bacon? Sinto muito, o Judaísmo não vai mudar por sua causa

    2. O André basicamente falou tudo, mas se não for falar em excesso, não é tão difícil explicar essa questão dos gays. Muitos tentam embasar suas escolhas com a seguinte frase: mas a Bíblia fala de amor incondicional ao próximo. Das duas uma: ou não leram as partes feinhas ou leram e se fingiram de cego. O sujeito não pode simplesmente dizer que 2+2 é 5. Claro que sempre tem como criar um deus pessoal baseado no deus bíblico (o do AT ou do NT?) que aceite isso, mas aí já é criar um outro credo e não tem como fazer os credos já existentes engolirem tais “práticas”. O mais ridículo é ver gay “protestando” nas redes antissociais da vida por causa de uma pregação de um pastor revelando o pior do seu livreco. Porra, não quer ler contos de fada não leia irmãos Grimm.

Deixe um comentário, mas lembre-se que ele precisa ser aprovado para aparecer.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s