Copinho do mal destrói o planeta, dizem políticos

Estamos muito preocupados (olhem pra minha cara como estou preocupadíssimo) sobre como estamos destruindo o mundo. Claro, muitas pessoas resolveram fazer alguma coisa, daí o que correram pra fazer? Proibir canudinhos, aqueles canudinhos com menos plástico do que sachê de catchup, que continha sendo usado. Resolveram que não era o bastante, mas as sacolas, essas sim, vão destruir o mundo. Depois os copinhos descartáveis. Agora tá rolando problema nos EUA pois querem proibir o copinho e isopor, já que isopor é feio, tosco, destrói o meio ambiente e é reciclável, mas vamos ignorar esta parte.

A notícia saiu na Folha, mas é tradução da matéria do The New York Times. A versão TL;DR é que alguns estados norte-americanos, como o estado de Nova York, estão propondo a proibição de recipientes alimentares de isopor. Isso porque isopor e o grande mal da humanidade. Então, a reportagem começa a levar pro lado pessoal choramingando por causa de uma empresa fundada no tempo da Segunda Guerra Mundial e tal e coisa e coisa e tal.

O que faltou na reportagem: quanto da poluição é causada pelo isopor dos copinhos de café? Não, péra. O assunto não é o copinho de café, mas o isopor enquanto material de aplicação única, que pode ser reciclado, mas não levam para reciclagem. A reportagem passou muito tempo falando da tal da Dart, a empresa de copinhos de isopor. Mas em que ponto, pergunta André, esses copinhos estão causando impacto efetivo? Não foi pesquisado isso. Onde já se viu jornalista fazer trabalho jornalístico?

Políticos adoram criar um inimigo imediato e o Meio Ambiente é a nova escora eleitoral na qual se apoiam. Que tal bater de frente contra o uso de termelétricas a carvão, gás e óleo? Que tal incentivar geração de eletricidade por células solares, eólicas e até mesmo hidrelétricas? Todos estes três geram impacto, mas nada que supere em termos poluentes como o uso de combustíveis fósseis. E com geração de eletricidade mais limpa, que tal subsidiar fabricantes que produzam carros elétricos? Nhé! Claro que ninguém fará isso, já que isso é causar transtornos para potenciais financiadores de campanhas. Mas e aquele copinho de isopor ali? FORA COM ELE!

Você vê um monte de gente (eu falei gente, não pirralhas mimizentas que anda de jatinho de primeira classe para chilicar em fóruns internacionais, mas incapaz de responder uma pergunta) falando em defesa do meio ambiente e vilanizando todo tipo de ação, menos as da China, reconhecidamente a maior poluidora do planeta. Deve ser porque China tem grandes investimentos em outros países, e… você se lembra da parte de não causar transtorno para financiadores de campanhas políticas, né?

Muitos irão aplaudir esta iniciativa. Sim, legal mesmo. O bando de hipsters que bebem aquele café horroroso do Starbucks vai se sentir satisfeitos por (não) terem mudado o mundo, usando seus iPhones com metais que foram obtidos por exploração massiva, destruindo florestas e terrenos.

Pelo menos, teremos esta paisagem, sem copinhos de isopor.

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