Pesquisadores puros de coração acham que chifres de rinoceronte sintéticos acabarão com a caça desses animais

Existem ideias burras com má intenção, como invadir a Rússia no Inverno ou tentar assaltar um colégio em que uma das mães é policial militar de operações especiais, e existem as ideias burras com boa intenção, como responder com sinceridade quando a esposa pergunta se ela está gorda. Foi nisso que eu pensei quando vi uma pesquisa. Esta pesquisa se baseia no fato da imensa demanda por chifres de rinoceronte para fazer pajelança para resolver problemas de impotência. Dica: não resolve e ainda leva à caça furtiva de rinocerontes, causando sua extinção.

Então, qual o problema da pesquisa? Bem, pesquisadores descobriram um meio de fazer chifre de rinoceronte falso, de forma a inundar o mercado com o produto e, por conseguinte, diminuir o preço. Tem horas que pesquisadores deveriam dar um rolé de vez em quando no mundo real, fora do laboratório, para ter ciênciapun intented das coisas.

Dando chifrada em ideias idiotas, esta é a sua SEXTA INSANA!

O dr. Fritz Vollrath é professor do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford, com interesses de pesquisa que vão do comportamento das aranhas e ecologia das teias à química da seda e física dos polímeros. Nas horas vagas, ele acompanha os elefantes no Quênia para estudar seus movimentos e critérios de decisão, incluindo o medo de abelhas (eu nem sabia que elefante tinha medo de abelha). Ah, sim. O dr. Fritz (não o farsante que “incorpora” em todos os centros espíritas) ainda apresentou um documentário chamado O Mundo do Amanhã.

Herr Fritz e seus colaboradores desenvolvem algo que promete detonar com o comércio ilegal de chifres de rinocerontes. A técnica se baseia em processar quimicamente pelos da cauda de cavalos (que é um parente próximo do rinoceronte, coisa que eu também não sabia), para ser colado a uma matriz sob medida de seda regenerada, imitando o colágeno que é a substância-base do chifre real. Essa abordagem permitiu aos pesquisadores a possibilidade de fabricar estruturas compostas que eram extremamente semelhantes ao chifre de rinoceronte real na aparência, sensação e propriedades.

Diagrama esquemático do chifre de rinoceronte negro (Diceros bicornis) mostrando uma seção do chifre com os túbulos capilares. Um fio de cabelo mede cerca de 200 µm de diâmetro (seção de comprimento B, seção de seção C).

Como análise química não é análise química se não mandar pro maquinário que me deixa e a todos os químicos felizes, foram feitas análises espectrais e térmicas de tudo que se podia imaginar nos laboratórios de Oxford. O resultado foi que a composição química e propriedades termo-mecânicas dos chifres naturais e os falsos eram bem semelhantes, quase inconfundíveis (para vocês, mortais. Um químico saberá diferenciar facilmente. Rá!).

Imagens da seção transversal de um chifre de rinoceronte real (A, C) e um chifre artificial (B, D). A densidade de filamentos capilares do chifre de rinoceronte artificial é de cerca de 9 mm–2, o que é próximo da (7 mm–2) dos chifres reais.

Acabou que o chifre falso é fácil de fabricar e barato, resultando num material semelhante a um chifre natural. A pesquisa deixa bem claro que a intenção é que outras pessoas tentem levar essa tecnologia o mais longe e talvez até cheguem ao ponto de enganar os traficantes de chifres a comprá-la em substituição ou mesmo de preferência ao chifre de rinoceronte real e extremamente caro, com a intenção de inundar o mercado e baratear a ponto de não ser mais vantajoso traficar chifres.

Agora vem o mundo real: NÃO VAI ACONTECER!

Primeiramente, o chifre real é para pajelança e rituais mágicos. Não é uma questão de ter um material com as mesmas propriedades estruturais, físicas e químicas. Pessoal está pouco se lixando se você sintetiza isso à socapa. PELO CONTRÁRIO! Vai é valorizar ainda mais o produto natural, e aí mesmo que vagabundo vai sair caçando até eliminar o bicho. Vai ter uma corrida de traficantes contratando químicos para determinar qual é o verdadeiro e qual é o falso, com atestado de autenticidade. Pode até ser que os chifres baratos sejam vendidos, mas serão vendidos pelos preços normais de mercado negro, cobrando fortunas e redirecionando ao atendimento cada vez mais de quem quer comprar.

Vai ser muito legal com a polícia sem saber como combater o tráfico de chifres de rinocerontes, quando terão um mercado inundado com reais e falsos, mas sem a verba, tecnologia e logística para saber qual é qual, enquanto mais e mais vendas serão feitas, intensificando mais ainda a devastação. Enquanto isso, sempre tem alguém com outras ideias imbecis,como ter uma fazenda de rinocerontes exclusivo9amente para caça.

Parabéns, Fritz. Você fez jus ao nome; só faltando dar uma olhada no mapa da Polônia e coçar o queixo.

A pesquisa foi publicada no periódico Scientific Reports


PS. Eu pensei em colocar a foto de um rinoceronte com o chifre arrancado na base da motosserra, mas não. Eu sou contra isso. Quem quiser ver que vá no google. Vai a imagem de abertura com o Rhino, mesmo. Esse sim é outro imbecil que tem mais. Muito mais!

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