Cérebros de brancos não processam direito rostos de negros. Pesquisador não quis testar cérebros de negros

Em tempos de problematização, uma das formas que pessoal lacrador implica é quando alguém diz que outra etnia é composta por indivíduos todos iguais. Eu tive um colega de trabalho japa (na verdade, era descendente, mas é japa. Que se dane se você não gostou) nos sacaneava dizendo, com sotaque, que “ocidental é tudo igual, né?” (o miserável nunca tinha ido ao Japão). Hoje isso é mal-visto, tido como racismo. Bem, até poderíamos aceitar como racismo, mas isso porque somos programados para identificar gente como nós. “Pessoas como nós” é garantia que não seremos atacados pela tribo vizinha, o que faz sentido num mundo com alguns milhares de seres humanos totalmente espalhados, mas é o tipo de informação gravada em nosso cérebro.

Então, temos o sentimento que quem não é igual a nós, é tudo a mesma coisa, mas será isso preconceito que se aprende? Pois, uma pesquisa mostra que não é tão simples assim.

O dr. Brent Hughes é psicólogo comportamental do Departamento de Psicologia da Universidade da Califórnia, Riverside. Infelizmente, a Universidade deletou a página pessoal dele. Fiquem com link do Google Scholar. De qualquer forma, ele e seu pessoal estudam os processos cognitivos e sua influência na autopercepção, cognição social e tomada de decisões, bem como seu impacto nos resultados do mundo real (sim, eu peguei do site do laboratório dele). Em outras palavras, como nós vemos tudo à nossa volta, e como o cérebro faz o processamento de informações sociais.

Hughes trabalha com uma pergunta interessante: Quando observamos membros de outro grupo racial, suas distinções físicas reais estão borradas em nossa mente? Ou seja, nós simplesmente vemos todo mundo igual quando não é igual a nós?

Hughes e seu pessoal escolheram 24 voluntários brancos (10 homens e 14 mulheres) e os colocaram para estudar rostos brancos e negros em um monitor, enquanto estavam deitados (os voluntários, não os rostos, que na verdade eram gerados por computador) dentro de um scanner de ressonância magnética funcional. Alguns experimentos também foram realizados fora da ressonância magnética.

Os pesquisadores observaram o córtex visual de alto nível (a região do cérebro que processa detalhes como detalhes de rostos) dos 17 participantes (muita gente, né? Pois é) para ver se o córtex estava mais sintonizado em diferenças de rostos brancos do que de negros.

As cobaias completaram primeiro 3 sessões de um experimento de localizador padrão, em que viam blocos com rostos masculinos de brancos e negros por 4 segundos, além de estímulos não-faciais (corpos, membros, carros, guitarras, casas, corredores, palavras e números). Para localizar o córtex seletivo de face, foram produzidos mapas de parâmetros para ver qual parte do cérebro se “acendia” (havia estímulo elétrico). Verificou-se que, para brancos e negros, havia um estímulo um tanto quanto diferente no cérebro, ou seja, o cérebro identificava etnias diferentes como indivíduos diferentes, o problema se dava ao individualizar os rostos dentro de cada etnia.

Os participantes também completaram um segundo experimento para medir sua sensibilidade perceptual à variação física em rostos negros versus brancos com adaptação neural. Em cada bloco de 3 segundos, os participantes viram uma sequência de rostos de negros ou de brancos mostrados a partir de um conjunto de estímulos separados. Os rostos eram a mesma fonte, mas alterada por meio de software de forma a gerar conjuntos de faces diferentes de negros e brancos variando em dissimilaridade Física de 0% (ou seja, a mesma face apresentada 6 vezes) para 100% (6 identidades separadas), com níveis intermediários em 30, 50, e 70%.

Os resultados demonstram diferenças claras na adaptação neural entre faces próprias e de outras raças, o que confirmou estudos prévios, determinando que os participantes mostravam uma maior tendência para reconhecer diferenças em rostos da própria etnia do que em outras etnias, o que levou Hughes a achar, idiotamente, que é daí o nosso preconceito. Com efeito, o primeiro passo é reconhecer quem é mais próximo da gente como alguém importante. No big deal. Mas daí você imagina que o bom doutor resolveu testar pessoas de outras etnias, certo?

Errou, miserárver!

Hughes ficou tristinho com os resultados e resolveu não realizar o mesmo teste em negros por medo de saber a verdade: assim como brancos, negros não individualizam rostos brancos no córtex visual de alto nível. Motivo? Mimimi, minorias mimimimi. Mas é puramente chilique e negação que a biologia e neurocomportamento é o mesmo para todas as pessoas, brancas, negras, mulatas, amarelas etc. Mas isso vai contra a narrativa do branco opressor malvado. Não podemos dar esta chance.

A desculpinha seria que minorias acabariam sendo expostos, e que essa exposição e isso acabe ajudando o sistema visual a desenvolver um conhecimento especializado que reduz esse efeito. Só que ele não fez o teste, então, ele não sabe. Não, indivíduos amarelos não foram estudados também e sequer foram mencionados. Sei lá, acho que tem um nome quando a sua pesquisa procura apontar um comportamento negativo apenas de uma etnia, mas não em outras para não se obter resultados que não se quer ter.

Entendam, bando de idiotas. Preconceito é você ter um conceito prévio e negativo com relação a algo. Isso pode ou não ser ruim. Pode não ser ruim? Se você vir alguém em frangalhos, barba desgrenhada, cabeludo, maltrapilho, sujo e fedendo vindo em sua direção, você vai instintivamente achar que aquela criatura pode ser um bandido, um mendigo ou um estudante de Humanas. Você vai preparar para sair de perto de alguém que possivelmente vai fazer algo nefasto com você. Você jamais vai pensar que é um pobre mendigo apenas. Chama-se “autopreservação”. Seu cérebro raciocinou que aquele troço ali não parece algo que você reconhece sequer como humano. No máximo, de Humanas. É diferente de um racista que acha que membros de outra etnia não podem ocupar um cargo, já que ele é reservado para uma outra etnia específica.

A não-individualização de alguém diferente de você não faz de você um racista. Na Irlanda da Idade Média, ninguém pensaria que ruivas não tinham alma, mas em outras partes da Europa, onde era pouco comum ruivos e ruivas, sim. Na mitologia Yorubá, todas as divindades são negras. Por que eles nunca pensaram num orixá loirão? Para japoneses, nem mesmo outros amarelos eram vistos como humanos (coreanos, chineses, vietnamitas etc), e olhem que japoneses sempre foram muito mais racistas e xenófobos.

Sim, isso mesmo. Japoneses sempre foram racistas e xenófobos, e o Massacre de Nan-king é um belo exemplo disso, não apenas porque seus cérebros não processava a informação, como eles começaram um movimento expansionista e destruição de todas as culturas diferentes da deles. Se eles não viam outros indivíduos amarelos como gente, não creio que com brancos e negros não seria diferente. Mas se você é um pesquisador e se recusa a fazer o mesmo teste (um teste que foi feito apenas com o ridículo número de 17 pessoas) com outras etnias, pois se sentiria desconfortável com resultado, isso não é nem má ciência. Não é ciência em absoluto!

A pesquisa foi publicada na PNAS

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