Pesquisadores montam farsa para provar que periódicos sobre “ciências” humanas são um lixo

A Torre de Marfim da Ciência
Saiu Nobel de Química. O trabalho envolve Evolução. Chorem, criacionistas

Eu sei que vocês acham que é implicância de nós, pessoas normais, quando apontamos os desmazelos dos centros de Humanas em todas as Universidades do mundo. A verdade é que temos muitos bons embasamentos para atestar isso. Estudos de gênero, feminismo exacerbado, cultura do estupro, privilégio do homem branco cis-hétero etc. tudo isso vociferam nesses redutos de insânia. O que revelaria sobre esses centros e periódicos tidos como “científicos” recebessem trabalhos acadêmicos insanos, ridículos e totalmente fora de propósito, mas que se alinhasse com o pensamento dessa gente? Academia deveria servir para mentes pensantes debaterem sobre tudo e periódicos científicos filtrarem trabalhos e verificar se seguiram método científico, com coleta de dados bem detalhada e conclusões claras e com uma mínima relação com a realidade, certo?

Bem, o que temos é algo tão absurdo em nível mundial quanto o que se vê aqui.

Helen Pluckrose estuda literatura e história inglesa e escritos religiosos medievais. James Lindsay possui doutorado em Matemática. Peter Boghossian, professor assistente de filosofia na Universidade Estadual de Portland. Ambos se definem liberais (nos EUA, liberal tem viés de Esquerda) e prezam pelo conhecimento acadêmico. Só que eles resolveram abrir a caixa preta dos repositórios de insanidades, também chamado de Reduto de Humanas e os equivalentes aos DCE de lá. Sendo assim, eles resolveram testar se publicações seriíssimas como Gender, Place & Culture, especializada em algo que eles chamam de “Geografia Feminista” (é, pois, é!) aceitariam algum artigo um pouco… esquisito.

Não, péra. O que eles fizeram foi escrever um monte de insânias à guisa de publicação científica e mandaram para vários periódicos que se consideram sérios. Olha, pra ser sincero, quando eu soube disso e não acreditei que aquele monte de loucuras pudesse ver a luz do dia num periódico qualquer. Tem horas que até eu duvido do retardo mental das pessoas.

O projeto começou em agosto de 2017, e os três escreveram 20 artigos falsos (e completamente sem o menor pingo de lógica ou bom senso), enviando-os a periódicos que alegam possuir revisão de pares, mas com fator de impacto menor que o do meu blog. Criaram vários pseudônimos e tocaram a bola pra frente. Desses 20 artigos vagabundos, 7 foram aceitos e quatro já foram publicados.

Depois de acertar o formato e entender como esses lacradores malditos de Humanas™ “pensam”, os 3 publicaram um artigo no Gender, Place & Culture sobre um (fictício, lógico) trabalho de observação da má conduta sexual de cães num parque de Portland, Oregon, associando isso com a chamada cultura do estupro. Cultura de estupro é aquela bobagem que muitos aqui defendem, como se todo mundo apoiasse estupros. Se realmente existisse cultura de estupro, ao jogar um cara numa cadeia ou presídio e dissesse pros outros presos que aquele sujeito é um estuprador, ele seria tido como um rei de tão bem tratado. Se uma mulher gritar num ônibus que alguém passou a mão na bunda dela, como existe cultura do estupro, o sujeito seria ovacionado. É isso o que ocorre? Acho que não, hein?

Os três heróis que não usam capa se divertiram muito com uma coisa que deixou chocado os revisores do artigo: eles não respeitaram a sexualidade dos cães, invadindo-lhes a privacidade. Tadinhos dos cães. A autora principal do artigo assinava drª Helen Wilson, doutora em estudos feministas, cujas instituições mencionadas não oferecem este curso sequer. Ninguém da Gender, Place & Culture examinou a procedência do artigo ou metodologia ou se a tal Helen Wilson existia. Dica: não, ela não existe. Eles inventaram o nome na hora e ninguém sequer checou (viram porque eu sempre coloco link pra página pessoal do pesquisador quando posto artigos? Eu falei que meu blog era melhor, não falei?)

Mas espere. Você achou isso um absurdo? Então fique sabendo que a mesma Gender, Place & Culture publicou um artigo em 2017 (artigo genuíno mesmo!) que analisava a “política pós-humanista feminista” do que os esquilos comem.

Absurdo demais pra você? HA-HA! Estamos só começando. O que os nossos heróis chamaram de “grievance studies” (ou Estudos de Reclamações) mostra-se muito mais insano ainda quando ficamos sabendo que eles conseguiram publicar um artigo na revista Affilia que era um trecho de 3000 palavras do livro Mein Kampf, de Adolf Hitler. Lá, os judeus são substituídos por homens brancos cis-hétero, e a revista concordou com cada palavra, com os revisores tecendo altos elogios ao trabalho.

Lindsay e Boghossian já eram conhecidos por um artigo falso intitulado “O pênis conceitual como uma construção social”, publicado na revista Cogent Social Sciences no ano passado sob os nomes Jamie Lindsay e Peter Boyle.

No periódico Hypatia, os autores publicaram um artigo propondo um método de ensino centrado em “reparações experienciais” (outro conceito idiota: você tem que fazer reparações com gente que é negra, mas não é nem capaz de dizer o nome do bisavô, mas garante que foram escravos, quando nem todos os negros foram escravizados). O trabalho sugere que os professores classifiquem os níveis de opressão dos alunos com base em raça, gênero, classe e outras categorias de identidade (coisa que já é feita em muitos lugares). Os alunos considerados “privilegiados” seriam impedidos de comentar em aula, interrompidos quando falassem e “convidados” a sentar no chão ou usar correntes (leves, conforme o artigo frisou) em volta dos ombros, pulsos ou tornozelos durante a duração da aula. Os alunos que reclamassem seriam informados de que essa “ferramenta educacional” os ajudaria a enfrentar a sua fragilidade privilegiada .

Talvez a menção honrosa seja para o artigo publicado no periódico Sexuality & Culture. A “pesquisa” traz uma nova forma de combater a homo-histeria, a trans-histeria e a transfobia em homens héteros através do uso intenso de brinquedos sexuais penetrativos. Ou seja, o cara enfia um dildo na bunda e estará modificando a sua posição a respeito de transfobia. Eu (acho que) não sou transfóbico. Se eu for, prefiro continuar sendo. Obrigado, de nada, falou, valeu!

Você pode pensar que isso está dando um arranca-rabo no mundo acadêmico, e está absolutamente certo! Também vai achar que isso implica que toda essa sandice vai parar e esses lixos de periódicos serão exterminados e as Academias irão produzir conhecimento de verdade, e está absolutamente errado. Estes lixos (reais ou não) continuarão a ser publicados. Homens brancos cis-héteros ainda serão demonizados como estuprados e privilegiados em potencial. Os DCEs (ou o equivalente lá fora) continuarão despejando toneladas de merda, mas o mundo se auto-corrigirá. Esses artigos são só pra ego, mesmo, sem nenhuma utilidade no mundo real.

Afinal de contas, sociólogo, filósofo e especialista em estudos de gênero trabalham em que, mesmo?

Aqui o vídeo dos autores contando a façanha.

AQUI o link do Google Drive de um deles compartilhando todo o seu material

Mas esse pessoal de Humanas trabalha em que, mesmo?

A Torre de Marfim da Ciência
Saiu Nobel de Química. O trabalho envolve Evolução. Chorem, criacionistas

Sobre André Carvalho

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