Os segredos escondidos nos dentões dos conodontes

Você tem todo o direito de achar a Natureza linda, ética e maravilhosa, assim como os vegans, que pulam por jardins verdejantes ao lado de teletubies. Infelizmente, a Natureza está pouco se lixando pro que você acha ou deixa de achar. Sim, claro, todo mundo acha que seres humanos são predadores malvados, só que há 480 milhões de anos havia outro predador malvado, um perfeito psicopata, que saía comendo geral: o conodonte.

Conodontes eram verdadeiros assassinos, com uma estrutura digna de um predador, e com comportamento similar. Análises fósseis nos trazem um vislumbre mais detalhado daqueles dentões malvados, destruidores de bichinhos fofos (ou nem tão fofos asim) nos mares de antigamente.

O mestre Bryan Shirley (ser mestre é mais legal que doutor. Já falei isso!) é pesquisador do Departamento de Pesquisa Paleoambiental da Friedrich-Alexander-Universität e ele curte muito conodontes, principalmente a evolução ultraestrutural desses seres de Satã. Os conodontes pertencem a uma classe de vertebrados primitivos já extintos que viveram entre o período Paleozóico (há 542 milhões e 251 milhões de anos) e o início do Mesozóico (há 251 milhões e 65 milhões e 500 mil anos), cujo nome do grupo (Conodonta) significa “dentes em formato de cone” e são muito comuns em depósitos marinhos do Cambriano ao Triássico. Estas criaturinhas pérfidas são tidas com os primeiros predadores do planeta, apesar de serem algo parecido com enguias, mas com apenas alguns centímetros de comprimento.

A pesquisa de Shirley, mas que se chama Bryan, estuda como os dentes dos conodontes tinham a capacidade de reparar depois de serem danificados. Apesar dos fósseis, os tecidos moles dos conodontes não estão preservados.

Quando falamos “fósseis de tecidos moles” devemos lembrar que não temos o tecido propriamente dito, mas seu fóssil, normalmente tendo se formado por permineralização, ou seja, soluções de minerais se entremearam nos tecidos, os tecidos se decompuseram por ação inexorável de agentes decompositores, restando apenas o “recheio” mineral. A parte orgânica dos tecidos do bicho já Elvis! Só que nem esses fósseis se encontra com facilidade, mesmo pro padrão de fósseis, que já são difíceis de se encontrar, já que nem tudo era fossilizado.

As evidências fósseis disponíveis foram analisados por espectroscopia de Raios-X e microscópios eletrônicos de varredura de tunelamento. Afinal, é velho, mas damos atenção a tudo. Bóra ver do que essas coisas são feitas. Bryan e seu pessoal examinaram as várias camadas de dentes dos conodontes para aprender mais sobre como eles cresciam, vendo em detalhes num imensa radiografia em nível atômico como e do que os dentes são formados.

O que foi descoberto é que os dentes dos conodontes cresciam em ciclos alternado entre o desgaste e o crescimento de novas camadas. Não apenas isso, a forma dos dentes variava muito, dependendo do estágio de crescimento dos animais.

Após o primeiro estágio, um tipo de estado larval, no qual a comida não era digerida mecanicamente – isto é, mastigação –, os conodontes evoluíam para se tornarem caçadores mediante o segundo e terceiro estágios de crescimento. Durante esse tempo, seus dentes sofriam uma metamorfose.

A teoria apresentada pelos cientistas é que os conodontes retraíam os dentes durante os períodos de descanso e o crescimento ocorreu pela aposição de novas camadas nas bolsas epidérmicas. É como um canivete que você puxa a lâmina pra fora quando precisa dela, e dobra-a de volta quando não precisa. Algumas espécies de cobras têm um processo semelhante, quando ficam com os dentões dobrados para dentro quando está de boa, e põe as presas para fora quando acha que é momento de atacar.

A pesquisa acabou? Claro que não! Tem muita coisa para analisar e descobrir, mas já temos boas informações para direcionar a pesquisa. A presente pesquisa foi publicada no periódico Proceedings of the Royal Society B.

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