
Há uma categoria de descoberta científica que eu adoro particularmente: aquela em que a Ciência gasta uma fortuna, um exército de pesquisadores e uma tecnologia de ponta para provar que, no fim das contas, somos todos igualmente nojentos por dentro. Reis, camponeses, imperadores, pastores de cabra: por baixo do esmalte, a boca de todo mundo é uma zona de guerra microbiana, e a realeza, ao que parece, não tinha acesso a nenhum tratamento VIP nesse departamento.
O caso que motiva essa reflexão começa com um esqueleto encontrado, literalmente, sob um estacionamento. Em 2012, arqueólogos ingleses desenterraram em Leicester os restos de um monarca que a história tratou com a mesma delicadeza que Shakespeare: como vilão de peça teatral. Essa é a história de como fomos acabar fuçando a boca de Ricardo III. Continuar lendo “Os mal-cheirosos segredos dentais de Ricardo III desvendados”





Imagine que você é um tubarão, nadando feliz nas águas de Nosso Senhor Sharknado (com ele a Oração e a Paz). Você pensa que é único e especial, mas ai descobre que tinha uma espécie de dinossauro carnívoro que também trocava os dentes da mesma maneira que você. Pronto, aí é caso de ter crises existenciais.
Um dos experimentos clássicos da Neurociência é o “caixa da mão de borracha”. Trata-se de uma caixa dividida ao meio, com duas aberturas. Pelas aberturas, o voluntário coloca as mãos, sendo que uma delas não é vista, mas sim uma mão de borracha. O voluntário “sente” tato na mão de borracha, inclusive dores se espetar esta mão. Motivo? O cérebro é bugado e realmente leva a sério o “ver para crer”. Bem, ele vê uma mão sendo espetada. Claro que é a de seu dono, né?
Dê um sorrisão. Gosta dos seus dentões, hein? Esses grandes amigos ajudam a mastigar, triturar, esmagar, rasgar e transformar sua comida, junto com a saliva, numa massa disforme inrreconhecível, embora ainda apetitosa, pronta para ser engolida. Legal, né? Dentão saudável este seu, né? Bem, agradeça aos seus genes por estarem lá em perfeito estado, principalmente o ORAI1. Uma mutação neste sem-vergonha não vai te dar poderes x-men. A não ser que você considere um poder x-men a perda de cálcio nas células do esmalte e mineralização defeituosa do esmalte dentário.
Você, como todo humano (você é humano, né?) é um tosco em termos de dentição. No máximo, tem uns dentinhos de leite até chegar a dentição definitiva. Perdeu um da dentição definitiva? Ha! Ha! SE FERROU, IRMÃOZINHO! Em compensação, répteis e peixes em sua maioria não têm este problema. Vários deles têm múltiplos conjuntos de dentes durante a sua vida. Fica a pergunta: em que ponto a Seleção Natural agiu para haver esta disparidade de formas de dentição??
Você tem todo o direito de achar a Natureza linda, ética e maravilhosa, assim como os vegans, que pulam por jardins verdejantes ao lado de teletubies. Infelizmente, a Natureza está pouco se lixando pro que você acha ou deixa de achar. Sim, claro, todo mundo acha que seres humanos são predadores malvados, só que há 480 milhões de anos havia outro predador malvado, um perfeito psicopata, que saía comendo geral: o conodonte.