Máquinas podem ter consciência? A resposta não irá agradar a vocês

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Eu estava vendo o último vídeo do Café e Ciência. O Café e Ciência é um canal de divulgação científica no YouTube, cujo mantenedor é tipo um misto de Raul Seixas e Neil deGrasse Tyson, sem as músicas chatas do primeiro e o paunocuzismo do segundo. No referido vídeo intitulado “Poderia as Máquinas obterem Consciência?” o Felipe discute… bem, ele não discute se as máquinas poderiam ter consciência. Ele comenta o que uma pesquisa em periódico classifica como sendo os diferentes níveis de consciência.

Mas máquinas podem ter consciência?

Versão curta: não se tem versão curta. Por quê? Porque a pergunta está errada. Vamos ao vídeo?

Sim, praticamente é o resumo da pesquisa e o título é caça-clique. Mas fica a pergunta: dá para máquinas ter consciência? Isso não foi respondido e eu sei porque não foi respondido.

Primeiramente, sobre os níveis de consciência: é apenas uma classificação arbitrária. Sem nenhum peso sobre o que é consciência ou não. Em nenhum momento a pesquisa publicada na Science (tem paywall. Foda-se você por querer saber mais!)se propõe a explicar o mais básico dos problemas: Como é formada a consciência? A única resposta é “ninguém sabe”. Se você não sabe o que é, não tem como emular.

Tomemos um exemplo… você. Uma análise química pode me dizer quais as substâncias das quais você é composto. Se eu juntar todas essas substâncias, eu terei… você? Não. Nem mesmo gêmeos univitelinos são 100% iguais em todos os seus detalhes genéticos. Estamos mudando a cada momento. Como replicar um outro ser humano? Clonagem? Mesmo assim não será igual, ou gêmeos idênticos teriam a mesma personalidade, um mesmo “eu”. Isso não acontece.

Claro, tem aquela robôa que responde perguntas, mas aquilo é uma trapaça. Ela apenas responde a perguntas já programadas. Se você perguntar a ela o que é melhor, casar ou comprar uma bicicleta, ela vai travar. Se você perguntar se ela prefere cachorro quente ou pizza, ela não terá como responder. Se você perguntar à Siri/Cortana/Google Assistant o que é o melhor na vida, no máximo retornarão uma pesquisa do Google. Se você colocar o Deep Blue, o computadorzão que joga xadrez, para jogar Jogo da Velha, ele vai dar pau. O que os robôs da Boston Dynamics fazem é pré-programado. É desenvolvimento de tecnologia? É, mas infinitamente longe de dizer que estão pensando.

Tudo isso que você vê ser resolvido por “Inteligência Artificial”, na verdade, é um grande processamento estatístico bem definido, no que chamamos IA Fraca. Ela possui algoritmos genéticos (que auto-evoluem, mas dentro de limites propostos) que otimizam soluções para problemas específicos. Um software de controle aéreo não vai te dizer qual é o melhor caminho saindo da Rodoviária Novo Rio e ir para o Méier. E é por isso que volta e meia o Waze acaba mandando gente para dentro de uma favela, mesmo ele sendo específico para isso, mas com informações passadas por pessoas. Alguns algoritmos tentam por meio de análise fotográfica determinar a idade de uma pessoa.é um problema específico, ele não determinará se você está com fome ou pegar os sintomas que você passar e fazer um diagnóstico. Assim, uma máquina ter consciência é complicado, pois não tewm como fazer uma análise estatística, já que nós só somos nós pelos anos de experiência e informações acumuladas; e ainda assim nosso cérebro não trabalha com bits. Nem sabemos direito como nós pensamos!

Isto e outros fatores levou a cientistas como Roger Penrose a propor teorias estabelecendo que a consciência não é computável.

Vocês sonham com robôs dos filmes de ficção científica, mencionam Skynet ou Matrix. Eu tendo a acreditar mais nas Máquinas do universo de Eu, Robô (o livro, não aquela bosta de filme).

No final, sempre precisaremos de um Susan Calvin.

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Sobre André Carvalho

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