Os Amonites

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Os amonitas eram formados pelo povo filho de Amom que habitava a área ao leste do rio Jordão, de Gileade e do mar morto, no que hoje é a Jordânia, cuja capital (hoje, Amã) formava um conjunto das principais cidades. Claro, você deve estar pensando se eu cometi um erro de grafia no título, mas, não. O assunto não é sobre os povos semíticos de um trecho da Palestina do século IX, e sim sobre moluscos cujos primeiros exemplares surgiram no período Devoniano Tardio, em torno de mais ou menos 360 milhões de anos, tendo ido para a vala junto com os dinossauros na extinção do Cretáceo-Terciário.

(não pergunte por que eu fiz isso. eu mesmo não sei) 

No meio de uma floresta, um mamífero mostra o dedo médio para todos eles.

Sabemos mais sobre amonitas do que sobre os amonites, mas eu juro parar com este trocadilho imbecil a partir de agora. A questão é que amonites já não existem mais (amonitas também, não, mas eu tinha prometido não tocar mais no assunto). Através do registro fóssil, conseguimos descobrir muitas coisas, mas muito mais foi perdido. Sabemos, por exemplo, que os amonites não eram o que se pode chamar de “animais fofinhos”. Eram moluscos cefalópodes (tipo polvos e lulas) bem ruinzinhos. Verdadeiros FDP pré-históricos. Legítimos predadores que abalavam geral a fauna subaquática e viviam dentro de conchas em forma de bobina, sendo o terror dos oceanos naquela época. Muito lindinhos.

Como eles não eram vertebrados, a maior parte dos fósseis dos amonites são de suas conchas, pois corpos de tecidos moles são muito mais difíceis de se fossilizar que tecidos duros. Fósseis de tecidos moles não implica que a carne esteja ali. Normalmente, a fossilização se dá por impressão (coo se fosse uma “pegada” ou por permineralização, quando minerais tomam o lugar do outrora tecido vivo. Tecidos duros ou não-moles são tecidos mais rígidos, como ossos, cartilagens etc. temos alguns fósseis dos tecidos moles de amonites, mas são muito, muito difíceis de se achar. O que se achou deu muitas informações.

Como outros cefalópodes, os amonites tinham mandíbulas afiadas em forma de bico, dentro de um anel de tentáculos que se estendiam de suas conchas para segurar as suas presas e algumas vezes para deslocamento. Alguns desses seres das trevas chegaram a ter até mais de um metro de diâmetro de concha, fazendo dele um monstro marinho mais feio que a necessidade, ruim feito um maníaco, implacável feito um psicopata.

A seguir, alguns desses amonites gigantões.



Como todo bom cascudão, os amonites construíam constantemente uma nova concha à medida que cresciam em forma de espiral, mas eles só habitavam na câmara externa. Sim, pois é. O restante era apenas casca e ele ia se mudando pros “puxadinhos” que o bichão ia fazendo, uma sala por vez. As demais ele poderia encher de água ou gás, fazendo sua concha um belo submersível de fácil maneabilidade, que combinada com o formado hidrodinâmico externo, fazia dele um nadador exemplar, o que lhe dava muitas vantagens como predadores. As vítimas não tinham a menor chance!

Seu método de locomoção principal era esguichando jatos d’água de seus corpos, e assim conseguiam viajar por longas distâncias; nas pequenas, os tentáculos resolviam; mas na hora de vazar se aparecesse algum predador (e sim, sempre tem um bichão maior que você), ligar as turbinas e ralar peito era sempre a melhor estratégia. Os amonites tinham uma estrutura fina e tubular chamada de “sifúnculo”, uma perfuração existente na região mediana de cada septo que tem a função de dar passagem ao sifão, regulando a entrada e saída de água da concha, fazendo dele um bicho a jato.

 

Os amonites não existem mais, mas não significa que não deixaram descendentes. Temos um excelente exemplo no nautilus, que guarda muitas semelhanças com seus tatatatatataravós. Mas se você quer mesmo um amonite para chamar de seu, tem muitos fósseis sendo vendidos no EBay, Ali Express e até no Mercado Livre. Fóssil, casca, jóia… tem de todo jeito.

Os amonites, assim como os amonitas, são fascinantes pela história que carregam, pelas informações que nos trazem, pelo modo de vida que ambos os grupos tinham. Um é estudado pela Arqueologia e o outro pela Paleontologia.


Para saber mais: Amonitas, os imortais vencidos

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Sobre André Carvalho

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