Grandes Nomes da Ciência: Humphry Davy

Para pesquisador da USP, Monteiro Lobato era raciZZZzzzzzZZZzz
Nyos, o Lago Assassino

Os dois homens descem ao interior da Terra para explorá-la e tirar suas riquezas. Ao chegar nas profundezas, os homens caminho para o trabalho. Sim, eles têm medo, mas também têm esposas e filhos. Eles precisam do dinheiro. Mais e mais eles adentram ao túnel. Há algo estranho no ar pesado. O carvão está logo ali adiante, mas tem algo errado. Nas mãos, uma lanterna com uma chama bruxuleante. Logo eles percebem o que tem de errado: gás. Uma garra gelada segura suas espinhas, já que o gás emanado é altamente inflamável e a chama da lanterna ia fazer tudo aquilo explodir. Eles param e esperam a morte em meio a chamas… mas nada acontece.

Não foi a reza, não foi Maria, mãe de Jesus, não foi São Jorge. Ainda que se ande pelas escuras cavernas da morte, nada de mal lhes aconteceu, pois a Ciência estava com eles. E tudo por causa de um filho de carpinteiro (não, não foi esse).

Dezembro é um mês muito legal. Muitas pessoas boas nasceram em dezembro, como Ada Lovelace, Paracelso, Bernini, Kepler e eu, por exemplo. Alguns se tornaram químicos. Como eu, por exemplo. Outros mudaram o mundo e a Ciência como… Humphry Davy.

Humphry Davy nasceu em Penzance, uma cidadezinha do condado de Cornualha, em 17 de dezembro de 1778. Filho de um carpinteiro e uma dona de casa, Davy era o primogênito, tendo 5 irmãos, ainda mais porque a televisão não tinha sido inventada.

Carpinteiros não eram pobres coitados, já que profissionais liberais sempre encontraram bons modos de fazer dinheiro (sim, e o outro carpinteiro não devia ser pobre, também), E foi graças a isso que Humphry conseguiu se matricular num bom colégio, já que nessa época, se matricular num colégio merda já era difícil para as classes mais baixas.

Em 1793, ele terminou sua educação sob a orientação do reverendo Cardew, que nunca achou que Davy fosse grande coisa. Mas Davy era: curioso; não só isso: um autodidata. Ele conheceu um certo dr. Edwards, que era professor de Química na escola do Hospital St. Bartholomew. Ele permitiu que Davy usasse seu laboratório e chamou a tenção de Davy para as comportas do porto de Hayle, que estavam sendo rapidamente atacadas pela água do mar, por causa de um fenômeno que hoje entendemos por “Corrosão”, mas que na época não se sabia o motivo, já que eletroquímica não tinha sido descoberta ainda.

O fenômeno despertou o interesse de Davy, que depois estudou que o mesmo fenômeno não acontecia com os revestimentos de cobre de alguns navios. Em 1798, Humphry começou a trabalhar na Instituição Pneumatic Thomas Beddoes, onde participou de estudos de gases na prevenção e cura de doenças respiratórias, em especial a tuberculose, que matava de forma assustadora. Lá, Humphry Davy teve seus brilhantes olhos explodirem de felicidade ao perceber as maravilhas de uma Ciência que começava a despontar mais do que uma simples curiosidade: Davy olhou para a Química e se apaixonou.

Davy, o autodidata, estudava tudo. Desde reações químicas, até eletricidade. Leu todos os trabalhos de Galvani e Volta. Descobriu o óxido nitroso, N2O, e estudou os seus efeitos. Descobriu que, ao inalar o gás, uma pessoa ficava em estado de euforia e imune a dores. Esse gás recebeu o nome de “gás hilariante” e até hoje se usa como anestésico. Ideia defendida por Davy para pequenas cirurgias. Ele publicava tudo o que descobria e, por cusa disso, foi nomeado professor do Royal Institute em 1801.

Um ano antes, em 1800, Alessandro Volta impressiona o meio científico com sua primeira pilha elétrica. Até então uma curiosidade para dar choquinho e soltar faísca. Davy viu mais além. “E se colocarmos esses dois fiozinhos numa substância? O que diabos acontecerá?”

Acontecerá, Davy, meu filho, que você foi o cara que mais descobriu novos elementos químicos em sua época. Você conseguiu isolar o potássio, sódio, estrôncio, bário e magnésio. E mesmo lidando com substâncias tóxicas numa época que EPI era ter um avental e luvas de tecido, se tanto.

Davy também mostrou que o oxigénio não poderia ser obtido da substância conhecida como ácido óxi-muriático, derrubando a ideia de Lavoisier que todo ácido tinha que ter oxigênio. A essas alturas, Davy já era membro da Royal Society, para depois se tornar presidente dela, ms ele não era químico de escrivaninha. Em 1811, descobriu o dióxido de cloro, através de reação do clorato de potássio com ácido sulfúrico. Humphry Davy, dessa forma, descobriu o cloro e mudou o nome do ácido para “ácido muriático”, que hoje nós conhecemos por ácido clorídrico.

Em 1815, Davy inventou o arco voltaico e algo que mudou a vida de muita gente em 9 de novembro de 1815: a lâmpada de Davy.

Minerar carvão é algo complicado, pois você tem que cavar cada vez mais fundo. Em plena Revolução Industrial, as demandas de carvão eram extremas, a fim de alimentar as imensas máquinas a vapor. O problema é que lá pra baixo existe uma coisa chamada “grisu”, que é uma mistura do chamado “gás natural” e oxigênio. Gás natural esse oriundo da decomposição de matéria orgânica e hoje conhecemos com o nome de “metano”. Esse grisu é extremamente inflamável e a grande quantidade dele acumulada acarretava em grandes explosões com a menor das chamas acesas.

A lâmpada não tem nada demais. É um lampião comum, com o único diferencial de ter uma tela envolvendo a parte da chama. O ar entra pela malha da tela metálica, mas a chama não consegue sair e, por isso, o gás exterior não se inflama. No máximo, o mineiro poderá ver que a chama no interior da lanterna brilha com maior intensidade, já que está sendo alimentada pelo gás, mas fica nisso. Resultado? Brilhou com maior intensidade, era sinal de perigo. RALA PEITO!

Aqui, um vídeo da Royal Society explicando isso, devidamente legendado por mim. De nada.

Davy acha que o conhecimento não era para ficar só na Academia, mas divulgado para a população. Ele e outras criaturas pias achavam que dar palestras sobre avanços científicos era algo muito interessante para a classe operária, que trabalhava em média 16 horas por dia. Assim, ele e outros faziam várias palestras. Em uma delas, havia um jovem e esse jovem foi até ele pedindo para ser seu assistente. De presente, o jovem entregou a Davy um manuscrito lindamente encadernado (ainda mais que o jovem era aprendiz de encadernador) com notas das palestras de Davy, com alguns comentários à parte. Davy se impressionou, mas disse pro jovem que aquele lance de ser cientista não dava lá muito dinheiro. Ainda assim, o contratou como seu assistente. O rapaz era Michael Faraday.

Faraday despontou como uma estrela meteórica e as atenções que Davy tinha, num instantinho deram para Faraday. Alguns disseram que a melhor descoberta de Davy fora exatamente Faraday. Não que Faraday não fosse um gênio. Ele era, mas isso também era menosprezar o trabalho de anos e a descoberta de um mundo novo, de uma ciência nova. Davy não gostou, e o Neil deGrasse Tyson o retratou como um pulha invejoso. Não que Davy não fosse arrogante, ele era como todos os grandes cientistas de seu tempo, mas o motivo dessa arrogância era as imensas conquistas em campos que sequer existiam, pois Davy criou o uso prático da eletroquímica, para depois Faraday completar o serviço talvez Davy não devesse ter agido como agiu, tratando mal Faraday em certas ocasiões. Eu não acho certo, mas compreendo seus motivos, e Tyson tem a mania de menosprezar certas pessoas para enaltecer outras. Muito feio isso, Neil. Foi exatamente esse comportamento que fez Davy torcer a cara.

Em 1819, Humphry Davy foi agraciado com o título de barão. Ele começou suas viagens, escrevendo vários compêndios. Davy era um literato nscido no meio do Iluminismo. Era filósofo, pensador e poeta. Fez parte do movimento que recebeu mais tarde o nome de “Romantismo” e seus últimos trabalhos eram mais sobre Filosofia, reflexões e poemas. Davy foi o primeiro dos químicos românticos, talvez o único.

Indo morar na Suíça, a saúde de Davy já não era lá essas coisas. Ele já tinha sofrido um derrame e em 1829 teve o segundo. Ele morreu em 29 de maio desse ano, em Genebra. De tudo e por tudo, só após a morte de seu mentor que Faraday começou as pesquisas sobre decomposição eletrolítica e porque acontece corrosão. Se a história fosse diferente, ambos poderiam ter acabado amigos e descoberto muitas coisas juntos, mas a História não é como gostaríamos que fosse.

Humphry Davy, o cientista, o químico, o investigador, o inventor, o grande nome da ciência, desbravador da Química, protetor dos mineiros, descobridor de vários elementos novos, o gênio, o poeta, o filósofo, o pensador, o romântico não pode ser tido apenas como um imbecil arrogante.

Arrogante, sim. Imbecil, jamais

Para pesquisador da USP, Monteiro Lobato era raciZZZzzzzzZZZzz
Nyos, o Lago Assassino

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • NestorBendo

    Não dá pra considerar arrogância se você realmente sabe do que está falando, não é, Dr. André? Quantas vezes você mesmo não disse isso!

    O cara era foda e fodam-se as disposições em contrário!

    P.S.: A nova série Cosmos tem essa mancada de falar mal de um pra enaltecer o outro, que muitas vezes nem rival era. Também não retratou muito bem o maluco que o Newton era, só resvalou.

    P.P.S.: Quando você falou isso “Humphry Davy teve seus brilhantes olhos explodirem” eu jurava que você ia falar do acidente dele!