Astrônomos observam o que pode ser o início de um planeta

Faz tempo que não noticio nada do ALMA, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array. O ALMA é uma iniciativa muito legal, formado pelo conjunto de 66 antenas de radioastronomia, vasculhando o firmamento, captando emissões de rádio (óbvio), mesmo que tenha vido de muito, muito longe.

Agora, por sinal, os cientistas que trabalham lá conseguiram, pela primeira vez, uma medida precisa de pequenas partículas de poeira em torno de uma estrela jovem através da polarização de ondas de rádio. Sabem o que acontece com um punhado de poeira orbitando uma estrela jovem? Bem, com o passar do tempo pode acabar virando a Terra. Show, né?

O dr. Akimasa Kataoka é pesquisador do Departamento de Ciências Planetárias e da Terra, do Instituto de Tecnologia de Tóquio, além de dar umas xeretadas no Observatório Astronômico Nacional do Japão.

Com o auxílio da alta sensibilidade da ALMA, Akimasa, como um Senhor Supremo, vê a possibilidade de surgir futuramente (para escalas humanas, MUITO futuramente) de um novo planeta.

Modernas terias dizem que os planetas do nosso sistema solar são oriundos de alguma explosão de uma supernova que ejetou grande quantidade de matéria pelo Espaço. Nisso, nuvens de átomos hidrogênio foram se agrupando, e a gravidade fez com que estivessem cada vez mais próximos, até que os átomos começaram a se fundir, liberando energia. A massa da estrela recém-nascida (o nosso Sol) começou a atrair aquele material que a outra estrelona ejetou. Essa poeira foi se aglutinando, através de um fenômeno chamado “acreção”, e o que antes era uma poeira bem fina se transformou nos planetas rochosos. Já parte do mesmo hidrogênio que formou o Sol foi se aglutinando de outra forma, formando os planetas gasosos.

O que Akimasa notou é algo semelhante em um outro lugar. Os radiotelescópios do ALMA conseguiram detectar ondas de rádio polarizadas, isto é, focadas numa única direção, ignorando as demais, e, assim, conseguiu um vislumbre do que deve ter acontecido no passado, mas em outro lugar, pois as forças envolvidas são as mesmas em todas as partes do Universo.

Claro, Ciência não se baseia em mágica, nem Akimasa contatou o Jucelino da Luz. Ele e seu pessoal começaram a buscar indícios de uma estrela 9inha. Depois que encontrou a HD 142527, ele estudou as emanações de ondas de rádio e viu que elas sofriam um espalhamento. Algo estava defletindo as ondas. Ao ajustar os parâmetros, Akimasa-san descobriu que só podia ser poeira cósmica.

Comparando a intensidade observada das emissões polarizadas com a previsão teórica, determinaram que o tamanho das partículas de poeira é de, no máximo 150 micrometros (1,50 x 10-4 metros ou 1,5 x 10-2 cm). Esta é a primeira estimativa do tamanho da poeira com base na polarização. Surpreendentemente, este tamanho estimado é mais de 10 vezes menor do que se pensava anteriormente.

A descoberta foi publicada no periódico Astrophysical Journal Letters

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