Alga do mal se prolifera no Caribe fazendo festa e abalando geral

Não há nada pior que espécies invasoras. Não, nem mesmo o ser humano, apesar que este é enxerido mesmo e se mete em tudo. Uma espécie invasora é um ser biológico que acaba indo parar num nicho ecológico. Sem ter predadores naturais, o ser dos infernos acaba se espalhando desarvoradamente, causando desequilíbrio e mandando outras espécies pro saco (sou ótimo em explicações simples). Um desses casos é o mexilhão dourado, pesquisado pela Marcela Uliano.

Um grupo de pesquisadores estuda agora a ação de uma alga, uma ridícula alga que anda tocando o terror no Caribe, mesmo sem ser pirata, já que você não pode baixar por torrent.

O dr. Todd Lajeunesse, além de ser professor de Biologia do Departamento de Biologia da Universidade Estadual da Pensilvânia, tem pose de galã de filme de ação, mas ele não é o Chris Pratt e acha que correr atrás de galinhas superdesenvolvidas é coisa muito mainstream. Assim, ele se aventura pelas águas caribenhas. Lá, ele descobre a serva de Satã. O que seria? Uma alga microscópica chamada Symbiodinium trenchii. Fofinha como qualquer alga, assim como o limo do box de seu banheiro. O problema  é que esta COISA é uma espécie invasora. Seu habitat natural é o Oceano Índico, mas por algum capricho do destino foi parar nas quentes águas caribenhas, sem intenção de dar um pulinho para Miami.

A S. trenchii se espalhou como rastilho de pólvora por um grande número de corais locais. É meio como um traficante. Chegou na maciota, oferece aos seus anfitriões nutrientes, mas logo colocou as manguinhas de fora, mandando pra vala as algas que lá estavam. A Seleção Natural dá, a Seleção Natural toma, louvada seja a Seleção Natural.

Altas temperaturas e poluição enfraquecem o sistema imunolóigico de criaturas mais simples. Isso acarreta em doenças, o que fatalmente detonará também o sistema imunológico mais ainda. Resultado, a alguinha fraquinha sofre bullying da S. trenchii, que roubará o lanche das populações de algas locais, fazendo as coitadas morrerem de uma vez. Infelizmente, lá não tem #HumanizaCaribe .

Os corais não estão nem aí (por que estariam?). Eles dependem de uma relação simbiótica, em que as algas fornecem nutrientes para os bichinhos. As outras algas, enfraquecidas pelo aumento da temperatura local que desde 2005 vem ficando pior, não conseguiram se manter. Curiosamente, sem as algas os corais poderiam ir pra vala, mas acabou que a S. trenchii salvou o dia. Na Natureza não existem heróis ou vilões. Ética é lindinho até o leão olhar pra você com fome e ver um pedação de contra-filé prontinho pro banquete. Obviamente, a S. trenchii não é láááá boazona. Ela produz muito mais açúcares que as outras algas, mas cede menos que as algas originárias do local.

Lajeunesse e a capiauzada descobriram que, enquanto no Oceano índico há diversas espécies do gênero Symbiodinium, apenas a S. trenchii se deu bem no Caribe. Em comparação com as populações de algas nativas, estes novos simbiontes são mal-adaptados, e muito provavelmente não teriam chance de vingar caso as algas locais estivessem saudáveis..

Como a S. trenchii chegou lá? Ainda está meio difícil de dizer. O mais provável é que elas pegaram carona numa cauda de navio, indo pelas águas, estradas tão bonita-as. O que acontecerá daí por diante? Difícil dizer. Sendo uma espécie com um único genoma,. isto é, praticamente um monte de clones morando juntos, qualquer imprevisto causará sua erradicação, pois praticamente se meteram numa cilada evolutiva. As outras algas podem reviver e botar ordem na bagaça? Muito pouco provável, dada as condições ambientais. A temperatura teria que abaixar e reduzir-se a poluição, para então se tornarem adversários para a alga enxerida.

Nisso ficam os corais lá, à mercê de intrusos, tendo que viver e conviver com as migalhas que lhes dão.

A pesquisa foi publicada no periódico PNAS.

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