O caso do cometa que tirou um fino de Marte

Em 19 de outubro, um cometa passou riscando a atmosfera de Marte. Sim, Marte tem atmosfera, mesmo que seja ínfima se comparada com a nossa e ridícula se comparada com a de Vênus. O que antes muito mal teríamos notícia, hoje temos muitos dados coletados graças à nossa moderna tecnologia de exploração espacial (que daqui a uns dez anos poderão ser construídas com qualquer kit de Lego).

O cometa Siding Spring (C/2013 A1) foi descoberto em janeiro de 2013. Às 18h27min UTC (Universal Time Coordinated), 16h27min pelo horário de Brasília (já considerando o Horário de Verão), o cometão passou zunindo pela atmosfera de Marte, a cerca de 141 mil km da superfície do Planeta-Guerreiro. Foi a passagem mais próxima que um cometa já fez a qualquer planeta de nossos sistema que temos notícia.

Antes, isso poderia passar desapercebido, mas hoje, senhores, nós temos a tecnologia.

Os dados foram coletados através de observações feitas pela Maven e Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), ambas da NASA, e pela Mars Express, da Agência Espacial Europeia. O Brasil não pôde contribuir com nada, a não ser dados do solo da Antártida, em detalhes nunca antes vistos!

Observações mostraram os detritos do cometa causando uma intensa e espetacular chuva de meteoros. Os cientistas foram capazes de fazer uma conexão direta entre a entrada de detritos da chuva de meteoros e uma subsequente formação de uma nova, mas transitória, camada na ionosfera de Marte. Algo que em termos não tão científicos pode ser descrito como "maneiro pra cacete!"

A sonda Maven detectou o cometa de duas maneiras. O Espectrógrafo de Imagem Ultravioleta detectou imensa quantidade de emissões ultravioleta de íons de magnésio e ferro, nas camadas mais altas da atmosfera marciana. Nem mesmo as mais intensas tempestades de meteoros na Terra produziram algo tão forte quanto uma emissão dessas, que durou várias horas após a passagem do cometa.

A análise de gases de cujo rastro as poeiras do cometa deixaram, detectou oito tipos diferentes de íons metálicos, incluindo sódio, magnésio e ferro. Estas são as primeiras medições diretas da composição da poeira de um cometa vindo da Nuvem de Oort, a região de objetos congelados que se acredita serem materiais que sobraram da formação do sistema solar.


Fonte: Universidade do Colorado

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