Dia do ENEM: Mais um Dia da Vergonha Alheia

O caso do cometa que tirou um fino de Marte
Grandes Nomes da Ciência: Iberê Thenório

Uma das épocas que eu mais adoro é quando chega a época do ENEM. É uma das poucas épocas em que eu concordo com os jornaleiros dos portais de notícias, pois apesar de ser matéria batida, é divertidíssimo! E todo ano é sempre a mesma coisa: os alunos retardados que chegam atrasados e arrumam mil e uma desculpas, como engarrafamentos, ficaram rezando, esqueceram do Horário de verão, o cachorro comeu o RG etc.

Se você acompanha(ou) o ENEM pelo G1 ou o Estadão, viu a insânia que vivemos. É gente que nem concluiu o Ensino Fundamental e quer o certificado do Ensino Médio, gente que saiu de casa faltando 10 minutos para fechar os portões. É gente que foi lanchar e perdeu a hora, mimizentos reclamando do congestionamento, do horário de verão, do esquecimento do RG etc.

Foi mais um dia de facepalms, embora alguns não tiveram culpa, como a moça (ou jovem senhora, como se falava em tempos d’antanho) de 32 anos que teve um AVC durante a prova e faleceu. Sem desculpa fica o babacão que saiu da prova cedo pra ir no reggae e à praia, já que não tinha estudado mesmo. Uns reclamaram que tem muito texto, outros que fizeram tanto chilique que teve professor oferecendo uma bolsa de estudos. Mas isso é certo?

Não, não é. Não é certo alguém ser beneficiado quando ele foi o próprio causador de sua desgraça. Todo mundo sabia onde tinha que ir. Todo mundo sabia do horário. Mas, não. O coitadismo brasileiro insiste em premiar esta ralé ignara, que acha que pode fazer o que quer e bem entende, porque o mundo lhes deve alguma coisa. É essa gente que levará os estudos na Universidade com descaso, querendo se formar de qualquer jeito, porque, snif, são pobres coitados. É essa gente que quererá chegar a um concurso público e passar de qualquer jeito e muitos deles serão médicos do SUS e irão lhe atender com a mesma seriedade e competência que tiveram para sair de casa 10 minutos antes dos portões fecharem.

Vivemos o país do coitadismo, em que sua Constituição advoga em prol da equidade entre os cidadãos, reforçando que todos são iguais perante a Lei, e que o país é laico, mas fazem horas especiais para um bando de sabatistas porque, coitados, é errado obrigá-los a fazer uma simples e ridícula prova num sábado, pois seu bom, justo e misericordioso deus, que não ajuda ninguém em nada, ficará puto da vida. São o tipo de pessoas que, ao invés de estudar, preferem benzer canetas.

O ENEM veio para medir a proficiência dos alunos que saem do Ensino Médio, mas virou porta dos fundos de uma Universidade, em que passam sem saber nada de nada de coisa alguma. Se voltasse o Unificadão, teríamos menos universitários, mas teríamos gente de melhor nível. Elitismo? Sim, porque você quer o melhor médico que puder ter para curar o seu filho. Você quer o melhor professor que puder para ensinar ao seu filho. Você não quer ser atendido por uma gente tacanha que tira selfie ou fica dormindo em hospitais. Quer?

Essa gente que chega atrasada com um total descompromisso deveria ser impedida de prestar o ENEM no ano seguinte. Se está com tanto sono assim, arrume emprego num posto de gasolina que fica aberto 24h, que fatalmente encontrará um horário em que estará acordado.

O ENEM demonstra bem como anda a Educação no Brasil, ainda mais sendo uma prova na qual você não tira zero nem se entregar a prova em branco, e a quantidade de gente que disse que "chutou" prova o quão poucos os alunos sabem.

E é com essa mesma responsabilidade e dedicação que eles escolheram nossos governantes. Pensem nisso.

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Sobre André Carvalho

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