Graduanda ajuda a criar técnica para determinar água em outros planetas

Os "milagres" que vemos, mas não vemos
As diferentes cores do Planeta Vermelho

Um dos principais problemas de formação universitária, no Brasil, é que os estudantes ficam nas salas e laboratório aprendendo apenas conteúdo. Não que isso não seja importante, mas seria muito mais produtivo se cada um estivesse mais envolvido com pesquisas em andamento (sim, eu sei que ciência e pesquisa  por aqui é mal visto por 90%). Saber os fundamentos é ótimo, mas estar acompanhando o conhecimento se desenvolvendo ou, como costumam dizer, o "fazer ciência" é muito melhor.

Uma estudante de graduação da Universidade de Washington ajudou a desenvolver um novo método para a detecção de água em Marte. Qualquer um que não seja tosco e evoque os antigos espíritos do mal as criancinhas na África vê nisso um leque de possibilidades, em termos de ciência e desenvolvimento de tecnologia.

A água é um indicador-chave para o potencial de vida microbiana. Alguns sarcásticos dizem que isso indica que São Paulo está  festejando por estar livres dos germes. De qualquer forma, quando se busca por vida extraterrestre, procura-se principalmente por água. O pessoal da Universidade Estadual de Washington desenvolve um novo método para a detecção de água em Marte, já que este é o planeta mais próximo e os dados chegam mais rápido.

Kellie Wall deu uma olhada sobre como a água influenciou a formação de cristais de basalto, que se você prestou as aulas do sexto ano do Fundamental sabe que é uma rocha vulcânica escura. Tanto a Terra como Marte possuem diferentes estilos de vulcanismo basáltico explosivo. Assim, examinando as diferentes formas de erupções, pode-se examinar os efeitos da água no fluxo explosivo da erupção.

Ok, você não está entendendo. Água ao ser aquecida vira vapor. Como todo vapor, ao ser aquecido mais ainda ele se expande, aumentando a pressão. A formação de rochas tendo a presença de água será diferente da formação quando não houver água. Kelli comparou os dados obtidos com as observações de rochas vulcânicas feitas pela sonda Curiosity com dados já conhecidos da formação de rochas na Terra. Os resultados dos testes por difração de raios-X da Cratera Gale, uma cratera de impacto em Marte com cerca de 150 km de diâmetro, indicam que a cristalinidade de sedimentos Marcianos é semelhante a rochas piroclásticas de outra cratera marciana, a cratera Gusev.

Wall analisou as amostras de rocha de Nova Zelândia e do Monte Etna, na Itália e compararam com rochas analisadas pelo difratômetro de raio-X da Curiosity. Ambas com indicações que houve uma expansão por meio de vapor d’agua e, depois, as rochas se solidificaram rapidamente, como se tivessem encontrado um líquido com temperatura bem menor, semelhante à temperatura normal da Terra hoje.

Sim, eu sei que vocês querem videozinho!

Kelli Wall assina o artigo na Nature Communications e mostra o quanto o Brasil é atrasado neste sentido. Nossos universitários estão muito ocupados trocando textículos ou brigando por que não querem a polícia no campus para poderem fazer suas pesquisas herbáceas em paz. Pelo menos, alguém investe em talento e desenvolve pesquisas.

Os "milagres" que vemos, mas não vemos
As diferentes cores do Planeta Vermelho

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

Quer opinar? Ótimo! Mas leia primeiro a nossa Polí­tica de Comentários, para não reclamar depois. Todos os comentários necessitam aprovação para aparecerem. Não gostou? Só lamento!

  • brunosousagpi

    Sobre o primeiro parágrafo: a maioria dos acadêmicos chega no último período do curso sem saber o que é uma pesquisa científica e pagam pra fazer o TCC.

    Fazem especializações em que professores com mestrado são pagos apenas para “assinar”, para cumprir formalidades, enquanto o dono do cursinho dá todas as aulas.

    Enquanto as faculdades forem comércio de diplomas, vai ser complicado fazer a ciência evoluir no Brasil.

    PianoCat respondeu:

    @brunosousagpi, Testemunhei o exposto em primeira mão.. Infelizmente.
    É uma lástima que a prática tenha virado um comércio tão expressivo pois mostra o quão grande é a demanda existente. Dá até depressão.
    E os orientadores fazem vista grossa, fingem que não veem (que nem a Dilma [e o MEC]).

    Depois de muita felozofia, chequei a conclusão que isso é tão somente a consequência de uma educação básica pífia, somada à política de aprovação automática estabelecida nesse país.

    Mas uma coisa é certa: o jeitinho brasileiro SEMPRE irá prevalecer.