Argentina acaba com nota Zero nas provas

Estou em dúvida. Eu não sei se fico triste ou alegre. Nossos hermanos (seus! Eu moro  em Tuvalu e como o Eduardo Jorge, não tenho nada a ver com isso) resolveram melhorar a Educação fazendo algo primoroso!  Pagar melhores salários para professores, exigindo excelência em troca? Não!  Ensino em modernas tecnologias e programação? Não!  Atualização do currículo? ÓBVIO QUE NÃO, NÉ? A solução foi: acabar com todas as notas baixas. EEEEEEEEEE!!!!!!!!!!

Tirando dez, NOTA DEZ, no quesito "trazer as maluquices do mundo até você", esta é a sua SEXTA INSANA!

E eu sinceramente não sei como isso ainda não foi adotado aqui, mas é bem capaz de sê-lo, apesar de eu preferir as estampas. Me causa uma verdadeira comoção em saber que a província de Buenos Aires, mas que no sistema geopolítico argentino não inclui a cidade de Buenos Aires, que é a capital do Brasil, como todos sabem.

De acordo com o G1, As escolas primárias da rede pública e privada de lá terão que eliminar as notas baixas a partir de 2015. Isso significa que as notas só poderão estar na ecala de 4 a 10, deixando as notas mais baixas de fora, já que o aluno ver um ZERO afeta sua auto-estima, mas tendo todas as suas questões marcadas pelo professor como erradas e ganhando 4, não os afeta.

A média para passar continua sendo 7, e a maioria das pessoas pensará o seguinte: "Ação imbecil, pois o 4 passa a ser o zero", e o aluno se sentirá da mesma forma que antes, pois o quatro equivalerá a zero.

PÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ!!!!!!!!!!!!! Este pensamento é errado em todos os sentidos!

Acompanhem meu raciocínio: O zero de uma escala é a marca onde você começa a contar. Quando você mede a distância da sua casa até seu trabalho, sua casa é o marco zero. Um metro adiante e você andou um metro. Você não começa a contar da casa do seu vizinho (estando antes ou depois da sua casa). A meta deve ser contada apenas a partir de onde ela realmente é válida.

Se para você passar, você precisa de média 7, óbvio que, NO MÍNIMO, você terá que tirar 7 nas provas.

NO MÍNIMO!

Você não pode contar com médias, pois médias são obtidas com as variações dos números. Se você for um aluno regular, manterá uma linha reta e horizontal, então, suas notas variarão muito pouco. Sendo assim, se você tirar 6 numa prova, você terá que se esforçar para tirar 8 na próxima (não preciso dizer o motivo, não é?). Ora, se você não conseguiu tirar 7 antes, que esforço você terá que fazer para tirar 8?

Então, a nota mínima a ser tirada é 7. 7 é meu ponto de partida. 7 é meu início e não a minha meta. a meta é DEZ. O máximo, a excelência! Você vai querer que o médico faça o melhor que puder para salvar a sua vida ou deixá-lo que nem um vegetal em cima da cama? Você está vivo, ué, é o mínimo! E está bom, certo?

NO CU que você pensa assim!

Se um cirurgião for operar seu rim e joga fora o rim bom, bem, ele acertou 50%, né?

Então, queridos, a média não é levada em conta em nada. O que interessa é a nota. E o início a ser considerado é 7. 7 é o mínimo. 7 é o "zero", o ponto de partida. Porque EU considero apenas aceitável 8,5 para cima (tentem descobrir o por quê); e na minha casa, notas abaixo de 9 não são consideradas válidas. Eu não crio "médias". Eu exijo perfeição!

O segundo erro é achar que os alunos se importam. ELES NÃO SE IMPORTAM. Sabem por quê? Porque eles são mais espertos que você, Zé Ruela! Nos colégios particulares, como eu vejo toda vez, eles tiram nota baixa e dizem "Ah, tem recuperação paralela". Pai paga e tudo bem. Na recuperação paralela, ele se ferra de novo e coordenadores farão de tudo pro professor inventar alguma mágica tirada do reto para passar o aluno. Estudar para quê?

No ensino público, as trezentas mutretas e coitadismos farão o aluno ser aprovado da mesma forma. Aprovações automáticas e provas coo o ENEM, em que basta colocar receita de miojo que você tem sua redação aprovada. Estudar para quê?

Os alunos estão errados em pensar assim? Hummmmm…. não! Errado foi quem não educou direito,. Ou seja, a culpa é SUA, seu incompetente!

Mas… mas.. mas… coitadinhos! Não podemos exigir das criancinhas.

SIM. Podemos, sim! Podemos e DEVEMOS! A vida é essa. Você compete por lugares melhores no ônibus, por um emprego etc. Seu chefe não vai lhe olhar com aquela carinha de Pikachu porque você é lentinho, lhe dando uma promoção. Seu chefe lhe dará algo sim, será um "PIKA", mas não o "pika" que você está esperando, querido. O pika vem quente e vai te deixar fervendo.

A criança vai mal no colégio? Está deprimida? Ok, isso pode acontecer. Um colégio que PRESTE terá um sistema de acompanhamento por profissionais, sejam psicólogos e/ou professores para acompanhar o aluno a tirar suas dificuldades, e não simplesmente jogando um moleque aleijado por sobre o muro para inscrevê-lo na categoria de Salto em Altura nas Olimpíadas (não as especiais, as pouco amadas, mesmo).

O Brasil não faz isso que a Argentina fez (ainda). E isso me deixa alegre: não é aqui que só tem tosqueira, e imbecis existem em todos os lugares do mundo, às vezes, fazendo mais merda do que fazem aqui.

Isso me deixa triste. É um fenômeno global, e ninguém se importa se caminhamos para o mundo da estupidez. E isso tudo é assustador e preocupante!

Mas ainda há a luz tênue de uma vela no final do túnel: 542 internos da Fundação Casa estão na final da Olimpíada de Matemática

6 comentários em “Argentina acaba com nota Zero nas provas

  1. Ok,fizéssemos uma analogia com o futebol seria assim:Brasil leva sete gols da Alemanha, mas pela nova regra o placar não pode ter mais de um gol de diferença,então o placar seria 2 x 1 para a Alemanha e o resultado seria normal.É isso que vai acontecer com a educação na Argentina,tudo normal.

  2. Eu não falei que já esta faltando FOXP2? É fenómeno mundial e essa palhaçada das notas, acima de 4, em breve chegará na sua escola.

  3. “Eu quero passar na prova, porque eu tenho direitos! EU QUERO OS MEUS DIREITOS!”

    (quero direitos, mas sem produzir nada de útil em troca para a sociedade, pois quero ser um parasita miserável com necessidade de aprovação grupal, sem a mínima capacidade de raciocinar por conta própria, então, como não terei base intelectual para argumentar em discussões e seguir o meu próprio caminho, seguirei a manada, mesmo que ela caminhe para o abismo, e acreditarei que a politica verde coitadista vai salvar o país e que eu preciso mesmo comprar aquele mais recente modelo superfaturado de iPhone para parecer legal para os meus amiguinhos fúteis; ó, que show, comprei, em 24 vezes, pagando o dobro do que ele valeria à vista. Viu como sou legal e esperto e tenho consciência política e sei lidar muito bem com finanças?)

    Agora falando sério… :grin:

    A matemática é opressora, racista, sexista, homofóbica, capitalista e… ianquista, exatamente por ser uma matéria objetiva, onde não há meios tendenciosos para se avaliar o conhecimento do aluno. Mas podemos e devemos melhorar isso, democratizando e relativizando a nossa descrição matemática da natureza, porque se o aluno perde na prova, não é culpa dele, porque ele foi vagabundo, mas sim de toda essa opressão onde o aluno tem de cumprir metas (ah, metas… até parece que nas empresas é assim que funciona! O mundo e a vida são lindos e fofos e receptivos, pessoal), metas essas que geram estresse e outros possíveis transtornos psicológicos no inocente aluno, inocente porque ele não sabe trapacear e se acomodar quando vê brechas num sistema. Seres humanos nunca são malandros!
    Para que objetividade e disciplina nessa vida? Se algum avião ou ponte cair no futuro podemos simplesmente reclamar no facebook, organizar um protesto e incendiar uns ònibus e jogar pedras nos policiais na rua, fazer um abaixo-assinado e revogar as leis da natureza! As leis de Newton, por exemplo, serão democratizadas e relativizadas para que todos os resultados errados de uma questão virem corretos! Respostas A,B,C,D,E e NDA estarão corretas! Isso é democracia! Democracia psicopedagógica feminazista invertida togolesa resolve esses problemas do ensino, e todos serão aprovados com nota máxima!
    Meritocracia é outra coisa opressora, e tão contraproducente que nem me darei ao trabalho de refutar… premiar os mais capazes e esforçados? OPRESSOR!

  4. André, a explicação e porque o Brasil exporta pedagogos para lá, pois os dois países são governados por populistas !!!! E assim caminha a mediocridade…

  5. A matemática disso vai ser curiosa. Numa prova de 10 questões, o aluno acerta só duas, ele tira que nota, 4 ou 6? Para chegar aos 7 ele vai precisar acertar 7 ou só 3 questões?

  6. Ressuscitando o texto e correndo o risco de desviar um pouco do assunto. A Argentina possui a sua versão de Paulo Freire. É uma versão de Paulo Freire de saias. Ela se chama Emilia Ferreiro e é uma ferrenha e ardorosa defensora do socioconstrutivismo e das bobajadas de Vygorsky e Piaget.

    Não seria surpresa alguma se uma ideia tão jeniau como essa tenha sido dela ou do pessoal que a segue e acha que ela é uma gênia. Assim como outras ideias dela que foram postas em prática e fez a educação argentina descer a ladeira na banguela sem freio.

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