Autobullying: quando cortar-se deixou de ser moda

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Práticas de violência auto-perpetrada não são nada incomuns. Não necessariamente a pessoa tem tendências suicidas, mas seu nível psicológico está no limite e a pessoa começa a infringir machucados em si mesma. Cortes, hematomas e coisas afins são uma eterna preocupação, e muitos pais toscos e desatentos não percebem os sinais.

Agora, no século XXI, a prática continua a mesma, mas usando a melhor das armas que puderam inventar. Revólveres? Facas? Não, internet. É o caso do autobullying, quando adolescentes criam perfis falsos para atacar a si mesmos.

É aquela fina linha linha que separa o absurdo do riso da preocupação.

Todo mundo sabe do que acontece no Twilight Zone da Internet: aquilo que chamamos de "redes sociais", que de social tem de muito pouco, por causa do bando de psicopatas e sociopatas que infesta quais parasitas.

A tendência das pessoas é o ódio, vamos ser sinceros. A formação psicossocial é precária em muitos lares e isso acaba criando verdadeiros monstros, mesmo aquela garota bonitinha, educada e gentil, que respeita a tia-avó,mas que se torna um verdadeiro monstro quando se une a coleguinhas tão monstruosas quanto ela, escolhendo suas vítimas nos ambientes em que frequentam, como (e principalmente) as escolas. Já os garotos partem logo pra agressão física, mesmo.

Nada disso é novidade, ate na minha época de colégio existia. O que diferia é que nossos pais estavam mais presentes e nos ensinavam a nos defender. Hoje, isso é feio. É feio você se defender, e quem perpetra a violência é um pobre menino de uma família desestruturada, cuti-cuti-cuti. NÃO! É um maníaco que precisa de uma reprimenda séria, nem que seja ir pra cadeia para responder como adulto. Claro, tal coisa jamais acontecerá no país do coitadismo que é o Brasil.

Agora, os geniais psicólogos se tocaram que existe um outro mal escondido aí. o autobullying, que é quando o próprio jovem ataca a si mesmo. Parece que adolescente se cortando ou promovendo machucados em si mesmos é novidade. Não é. Com o advento da Internet, isso apenas tomou uma outra forma: eles criam perfis falsos para se atacarem, porque violência é violência. Não existe algo ser mais violento do que outra coisa. Tudo depende da evolução do caso.

0O problema é que não existe estatística sobre isso (não perderei meu tempo falando de Brasil, onde não se sabe nem as estatísticas sobre assalto a mão armada).

Nos EUA, há apenas uma pesquisa sobre isso, onde

com apenas um estudo conhecido na prática até o momento. A Massachusetts Aggression Reduction Centre  — MARC (Centro de Redução de  Agressão de Massachusetts) constatou que dos 617 alunos que entrevistados, 9% tinham anonimamente vítimas de cyberbullying, DE SI MESMOS!

Para Rachel Welch, diretora do Selfhar.co.uk (não, não é a atriz), o autobullying na internet (Cyber Self-Harm) pode não deixar uma lesão visível, mas precisa ser reconhecido como um perigo emocional real para os jovens que já têm uma auto-estima muito danificada. Assim, ela acha que o que está acontecendo só está realmente começando a surgir agora e é preocupante, mas eu discordo., Não está surgindo agora, está sendo OBSERVADO agora.

No estudo pela drª Elisabeth Englander, fundadora do MARC (leia o PDF) diferentes motivações foram dadas para o autobullying, como se fosse, entre outras coisas, um "grito de socorro", para ganhar a atenção de adultos, de forma que estes se preocupassem com eles.

Claro, temos a tendência (sociopata) de achar que isso é frescura, bem feito, Darwin Rulez. Na verdade é apenas a manifestação da péssima capacidade de alguns pais de serem pais. Da mesma maneira, é vermos crianças pequenas metendo o dedo ou qualquer peça metálica na tomada e acharmos "óia qui bunitinho!". Hoje, com a mania de Internet e outras frescuras, larga-se o(a) filho(a) com um PC, Notebook, smartphone ou tablet (ou tudo junto), com acesso à internet e diz-se: longe de mim! E adolescente sem supervisão é prenúncio de dar merda. (Se bem que adulto sem supervisão também dá merda!)

As redes sociais falharam no que se propunham, pelo simples fator que foi ignorado no processo: O ser humano é fadado à auto-destruição, seja destruindo outros membros de sua sociedade, seja destruindo a si próprio.

Então, vejo por todo lado a expressão "eu amo viver no futuro". Nunca isso foi tão falso, ainda mais quando nós agimos da mesma forma idiota, com uma involução social como se tem visto hoje, onde tudo é deixado de lado, porque pais irresponsáveis só têm filhos por mera convenção social. Mas ninguém se importa com isso, e se os outros não se importam com os próprios filhos, por que NÓS nos importaríamos.

E isso é muito errado.


Fonte: G1, em cima do lance replicando uma notícia que saiu em outubro no Independent

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Robson

    fazer bullying de si mesmo, pra mim isso parece um problema psicológico sério

  • reinaldo

    Sobre se defender, eu sempre falo para minhas filhas usarem as vias diplomáticas contra o bullyng ( falar com professor, diretor da escola, conosco, até com a polícia, se for preciso), mas sempre termino dizendo que se nada funcionar, é para dar uma de She-Hulk e quebrar os dentes do desgraçado.
    Por incrível que pareça, tem gente que só aprende na porrada.

  • Carolus Eduardus

    Sempre fui muito tímido e por isso sofri bullying dos 11 aos 18 anos e uma das piores coisas foi a omissão de professores e diretores. Eu era humilhado, ridicularizado, sofria agressões físicas, jogavam minhas coisas no chão e cheguei até a ser espetado por um compasso e os professores nada faziam. Ao contrário, como minhas notas despencaram e eu não demonstrava mais interesse nas aulas, alguns professores, ignorando o que eu passava na sala de aula, achavam que eu era preguiçoso e eram hostis comigo (até então sempre fui um excelente aluno, mas é difícil manter o foco quando SEMPRE tinha alguém pronto para me agredir quando eu não estivesse olhando). Em casa fazia de tudo para esconder o que acontecia dos meus pais, pois tinha muita vergonha que eles soubessem. Fazia-os acreditar que eu ia mal na escola porque queria…As consequências disso sinto na pele até hoje, pois tenho 28 anos e mal consigo sair de casa. Não tenho amigos, namorada nem nada. Estou me esforçando muito para mudar essa situação, mas é muito difícil. Muitas vezes penso que seria melhor se eu morresse mesmo…E o mais injusto ainda, é pensar que aqueles que faziam isso comigo, hoje tem suas vidas, seus trabalhos, suas namoradas…E eu nada.